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Um grupo de orcas interagiu esta sexta-feira à tarde com um veleiro de 14 metros ao largo do Cabo da Roca, concelho de Sintra, ao ponto de danificar o leme da embarcação. Por volta das 14h30 o velejador alemão acionou o alerta emitido via rádio, “Mayday”, avançou o Correio da Manhã e confirmou o Observador.

O alerta do Centro de Controlo Marítimo de Lisboa chegou depois ao Comando Local de Cascais da Autoridade Marítima Nacional. O veleiro de 14 metros com apenas uma pessoa a bordo foi socorrido pela embarcação “Rainha D. Amélia” da Estação Salva-vidas de Cascais.

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“Quando lá chegámos iniciámos o reboque. O veleiro já atracou na Marina de Cascais e segue ainda hoje para a Marina de Oeiras para que se possa inspecionar a estrutura da embarcação”, garante o comandante local. Paulo Gomes Agostinho salienta ainda que, devido ao leme danificado, o velejador que não sofreu quaisquer ferimentos, mas que ficou assustado, “ficou sem a capacidade de governo”.

Quando as autoridades lá chegaram, já as orcas tinham abandonado o local. O comandante confirma, no entanto, que durante esta sexta-feira monitorizou outra embarcação no mesmo local e que também foi alvo de “interação” por parte de um grupo de orcas.

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“Tem acontecido muito nos últimos tempos entre Lagos e Cascais”, diz, recordando episódios em Sines e Setúbal. Paulo Gomes refere ainda a existência de um aviso à navegação a alertar para o “comportamento agressivo de orcas” ao largo do Cabo da Roca.

Há mais de 30 anos ao serviço da Marinha, acresce não ter memória de situações semelhantes. “Este ano está a ser mais inédito, não tenho memória deste tipo de comportamento”.

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Já no início de setembro, como nota a página da Autoridade Marítima Nacional, os elementos da Estação Salva-vidas de Sagres apoiaram três veleiros que sofreram interações com orcas ao largo de Lagos e Sagres. Mais recentemente, em Sines houve outro avistamento.

E tal como já escreveu o Observador, outros episódios semelhantes foram registados ao longo da costa alentejana, causando danos nas embarcações. O mesmo tem acontecido com frequência em Espanha, quer na costa da Galiza, quer no Mediterrâneo, nestes casos não só com orcas, mas sobretudo com baleias.