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O Real Madrid, o Barcelona e a Juventus, os três clubes fundadores da Superliga Europeia que nunca abandonaram os planos para a nova competição, querem processar a UEFA e a FIFA por aquilo que entendem ser uma violação das regras da competitividade da União Europeia.

De acordo com o Financial Times, os três clubes pretendem desmantelar o “monopólio” controlado pelas duas organizações e reorganizar a forma como o futebol é gerido. “Contrariando os outros mercados desportivos competitivos, a UEFA e a FIFA mantêm e defendem de forma firme uma posição monopolística no futebol europeu que vai contra as leis da competição, independentemente dos esforços de outros operadores para aceder a esse mercado”, pode ler-se nos documentos a que a publicação teve acesso.

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Assim, Real Madrid, Barcelona e Juventus serão representados pela A22, uma empresa com sede em Espanha, que vai solicitar ao Tribunal de Justiça Europeu que leve a UEFA a julgamento com base na acusação de que o organismo liderado por Aleksander Čeferin não pode continuar a atuar como reguladora e ter parte ativa nas competições europeias. Ou seja, não pode ser um órgão com a capacidade de impôr sanções disciplinares aos clubes e, simultaneamente, lucrar com a organização de eventos como a Liga dos Campeões ou a Liga Europa.

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Desde que a Superliga Europeia rebentou, em abril, que a UEFA tem recebido o apoio político da grande maioria dos governos europeus. Segundo o Financial Times, 16 desses executivos vão mesmo intervir nas audiências judiciais para defender o “modelo desportivo europeu”. A Comissão Europeia também deve divulgar observações sobre “o cumprimento das leis da União Europeia por parte da UEFA e da FIFA”.

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Em resposta à notícia, a UEFA garantiu que esse duplo papel tem sido reconhecido e promovido pelas instituições europeias. “A combinação de papéis ajuda a garantir o desenvolvimento justo, coerente, holístico e positivo do desporto europeu. Os desafios a este modelo que estão atualmente a ser perseguidos por alguns clubes de futebol de elite e os seus financiadores são egoístas e desesperados. São um perigo para o futebol europeu e para todo o ecossistema desportivo europeu”, defendeu um porta-voz do organismo.

De recordar que, na semana passada, o jornal Marca divulgou um documento que poderá ser a base para um ressurgimento da Superliga Europeia. Na carta, Real Madrid, Barcelona e Juventus enunciam um renovado, readaptado e reformado plano para a fundação de uma nova competição europeia com base em 10 pontos-chave para “repensar o futuro do futebol da União Europeia”. Um desses pontos-chave era, precisamente, o facto de a UEFA ser um “auto-estabelecido governo do futebol da União Europeia enquanto também é uma associação privada suíça governada pela lei suíça e sujeita ao Tribunal Arbitral do Desporto em temas desportivos”.