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Pode sair? Xavi Hernández. Lista de escolhas? Xavi Hernández. Perfil de treinador? Xavi Hernández. Melhor escolha? Xavi Hernández. Em qualquer cenário possível e imaginável, o antigo médio e capitão era sempre apontado no topo das prioridades como futuro técnico do Barcelona. Por uma ou outra razão, até pela forma como soube sempre gerir a sua carreira a todos os níveis tão bem como geria qualquer jogo em campo, nunca aconteceu. Agora, aos 41 anos, e no contexto mais complicado entre todos aqueles que poderia encontrar, o nome mais desejado do universo blaugrana está muito próximo de dizer o “sim” que tantos ansiavam.

De acordo com o Sport, já existe um princípio de acordo entre Joan Laporta, presidente dos catalães, e Xavi Hernández para assumir o comando técnico da equipa depois da saída de Ronald Koeman, que soube em plena viagem de avião após a derrota com o Rayo Vallecano que estava despedido. Nesta fase, o negócio está apenas preso pelo pagamento da cláusula de rescisão existente no contrato com o Al Sadd, do Qatar, de um milhão de euros. A publicação desportiva catalã avança mesmo que a equipa técnica do novo treinador está definida, tendo o irmão Óscar e Sergio Alegre como adjuntos e Iván Torres como preparador físico.

Desta forma, Sergi Barjuán, também ele antigo jogador dos catalães (lateral esquerdo) e internacional que estava agora na equipa B, vai apenas assumir o comando de forma interina, voltando depois à base — algo que entretanto já foi oficialmente anunciado pelo clube em comunicado. “O Barcelona anuncia que Sergi Barjuán, o atual treinador do Barça B, vai assumir de forma provisória o cargo de treinador da equipa principal. A sua posição interina termina assim que seja contratado um substituto efetivo para Ronald Koeman”, pode ler-se na nota divulgada. Ronald Koeman vai passar ainda esta quinta-feira pela Cidade Desportiva dos culé para se despedir do plantel, sobrando a dúvida de como será feita essa rescisão tendo em conta a cláusula de 12 milhões que tinha em caso de saída.

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Ainda assim, e na “ressaca” da dispensa do neerlandês, continuam a surgir as notícias que dão conta de toda a instabilidade existente no seio do futebol do clube e que colocou também a mira de Laporta nos capitães. Também segundo o Sport, existe uma grande preocupação com o rendimento de Piqué, Jordi Alba e Sergi Roberto (Busquets passa ao lado, apesar de ter sido o principal “culpado” no golo do Rayo Vallecano) e as “vacas sagradas” poderão mesmo estar de saída… A não ser que Xavi tenha uma outra opinião.

“O Qatar deu-me tudo”. Como Xavi se tornou o novo príncipe das Arábias e tem meia Espanha a criticá-lo

Xavi, que tem agora 41 anos, é um produto da La Masia, a academia de formação do Barcelona que moldou Iniesta, Puyol, Messi ou até Guardiola. Estreou-se na equipa principal em maio de 1998, num jogo da Copa Catalunya contra o Lleida, e marcou o primeiro golo apenas três meses depois na Supertaça espanhola, contra o Maiorca. Daí e até 2015, Xavi tornou-se uma das grandes figuras dos catalães, um elemento de balanço e continuidade entre o pré-Messi e o pós-Messi e, acima de tudo, um capitão. Conquistou oito vezes a liga espanhola e ganhou quatro Ligas dos Campeões, duas Supertaças Europeias, dois Mundiais de Clubes, três Taças do Rei e seis Supertaças espanholas.

No final de 2014/15, uma temporada em que conquistou praticamente tudo, despediu-se do clube de sempre. Fê-lo numa cerimónia emocionante três dias antes da última final, a da Liga dos Campeões em que o Barcelona acabaria por derrotar a Juventus, e limitou-se a agradecer pelos 24 anos que passou em Camp Nou. “Muito obrigado por tudo, de coração. Sou a pessoa mais feliz do mundo, hoje e por 17 temporadas. Somos o melhor clube do mundo, não importa o que digam”, disse Xavi na altura.

Vou só ali ao Qatar passar a bola e já volto

De forma algo surpreendente, até porque a larga maioria do universo do futebol acreditava que só sairia do Barcelona para terminar a carreira, Xavi assinou por três anos com o Al-Sadd e mudou-se para o Qatar — num negócio que envolvia aceitar o papel de embaixador do Mundial 2022, que desempenha até hoje. Jogou quatro temporadas no clube qatari, sempre orientado por Jesualdo Ferreira, e ainda conquistou um Campeonato, uma Taça e uma Supertaça. Em 2015, quando anunciou que ia então deixar os relvados e numa altura em que já era capitão de equipa, não escondeu que os planos passavam por permanecer no Qatar e aí começar a carreira de treinador para “ganhar experiência”. Agora, ao fim de seis anos e de mais sete títulos enquanto técnico, Xavi acredita já ter a experiência necessária para se sentar numa cadeira que esteve sempre guardada para ele.