Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

A “ressaca” da derrota caseira frente ao Liverpool, com muita polémica à mistura entre uma expulsão e dois penáltis assinalados ou revertidos pelo VAR tendo Diogo Jota como protagonista de ambos, não foi a mais fácil para o Atl. Madrid, que logo nos dois encontros seguintes somou outras tantas igualdades e com dois golos sofridos, um cenário atípico perante a ideia de jogo de Diego Simeone nos colchoneros onde a vitória começa sempre a ser construída a partir do que se faz sem bola. No entanto, a última partida com o Betis, no Wanda Metropolitano, teve o condão de esvaziar a pressão que se criava em torno da equipa. Esvaziou essa pressão, não se esvaziou outra. Fora das quatro linhas mas demasiado perto das quatro linhas.

O que Griezmann deu, acabou por tirar – mas pelo menos já não é assobiado em casa (como o Liverpool saiu “vivo” de Madrid)

“Respeito muito Simeone. É incrível o que ele tem feito no Atl. Madrid contra grandes equipas todos os anos, é impressionante mesmo. Se vai haver aperto de mãos? Se não quiser, também não o vou tentar fazer. Não era necessário ele ter feito o que fez no último jogo mas somos pessoas muito emocionais. Sei que não gosta de cumprimentar o treinador adversário e se não quiser cumprimentar-me, não há problema, estou mais preocupado com o jogo. Vai ser um encontro intenso, contra eles não há amigáveis. Precisam da vitória, mas jogamos em casa, com os nossos adeptos, e queremos garantir já o apuramento”, comentara Jürgen Klopp na antecâmara do encontro, recordando o episódio entre treinadores no jogo em Madrid.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

“Já expliquei depois do jogo e repito, não cumprimento depois dos encontros porque as emoções dos treinadores são diferentes. Em Inglaterra é entendido como cavalheirismo mas não concordo porque não gosto de falsidade e sigo os sentimentos que tenho. Não conheço o Klopp pessoalmente. É um grande treinador, aprecio o ótimo trabalho que fez em todos os lugares onde esteve, mas não costumo comentar sobre equipas alheias porque tenho códigos e os treinadores têm que se respeitar”, respondera Diego Simeone, entre elogios a João Félix depois do regresso aos golos oito meses depois: “O Griezmann não estará com o Liverpool porque está castigado. O João [Félix] tem estado a trabalhar muito bem, a crescer em termos posicionais onde a equipa o pede e esperamos que faça um bom jogo”.

Mais um pouco de “picante” num jogo que tinha já todos os condimentos para ser o mais disputado desta jornada. É que, guerrilhas verbais dos treinadores à parte, havia ainda aquele sentimento de vingança pela vitória dos espanhóis em Inglaterra em 2019 (num jogo que terá contribuído para propagar o vírus quando se conhecia pouco ou nada da Covid-19), mais uma pitada de nostalgia pelo regresso de Luis Suárez a Anfield, mais uns pozinhos pela questão do apuramento inglês que podia ficar decidido de vez deixando o conjunto de Madrid em situação complicada. No final, foram os britânicos que se ficaram a rir. E a cara de Simeone durante o autêntico descalabro dos espanhóis dizia tudo em relação a um cumprimento…

Liverpool-Atl. Madrid levou a 41 mortes adicionais no Reino Unido. Times descreve “os 22 dias de atraso que custaram milhares de vidas”

Os colchoneros até começaram melhor, com João Félix a ter a melhor oportunidade a abrir com um tiro que saiu a rasar o poste da baliza de Alisson (5′) e Correa a concluir da pior forma mais uma boa jogada coletiva ofensiva (12′), mas o golo inaugural foi como um precipitar de uma noite de pesadelo do Atl. Madrid e de Felipe, central brasileiro que esteve em tudo o que de mau aconteceu: Diogo Jota apareceu nas costas do antigo jogador para marcar de cabeça o 1-0 (13′), Sadio Mané aumentou a vantagem numa jogada que iniciou e concluiu com o defesa a colocar o avançado em posição regular (21′) e, como dois males nunca vêm sós, ainda foi expulso por vermelho direto por entrada sobre Mané que o árbitro considerou ter sido uma agressão (37′). Luis Suárez bem lhe chamava a atenção para os posicionamentos mas de nada valeu…

Ao intervalo, o jogo estava praticamente decidido mas nem por isso o Liverpool tirou o pé do acelerador (tendo Firmino no lugar de Mané), entrando no segundo tempo com um golo de Jota invalidado por fora de jogo, uma oportunidade isolada de Salah defendida por Oblak e mais um cabeceamento de Jota que passou muito perto do poste, sempre com Alexander-Arnold envolvido também nas ações ofensivas depois de ter feito as assistências para os golos. Contra a corrente de jogo, num remate que desviou ainda em Fabinho antes de entrar, Luis Suárez ainda reduziu mas também esse lance foi anulado pelo VAR antes de mais uma onda de ataques à baliza espanhola que Oblak ou a falta de pontaria conseguiram travar.