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Carlos do Paulo reagiu esta terça-feira às acusações que dão conta de que teria sido ele a planear a alegada fuga de João Rendeiro, recusando liminarmente o uso da palavra “fuga”, dizendo que, na altura, o ex-banqueiro usufruía de termo de identidade e residência e que, por isso, podia sair do país livremente. “O Sr. João Rendeiro é um homem inteligente, sibilino e que manipula”, destaca o antigo advogado do ex-líder do BPP, acrescentando que este “mente com todas as palavras” e que está “desesperado” e “contra tudo e contra todos”.

Em entrevista à CNN Portugal, Carlos do Paulo afirma que não quer apenas repor a sua “honra e a dignidade”, mas antes a “honra de todos advogados portugueses”: “Está a atacar-me falsamente a mim”, estando, por isso, “a atacar todos os advogados”. Além disso, divulga que informou o bastonário dos advogados e o presidente regional sobre o assunto e que está a autorizado a falar, apesar de ter “linhas vermelhas”.

Para o causídico, o ex-banqueiro está “em afrontamento com a justiça”. “A partir daí é indefensável”, salienta, acrescentando que renunciou à defesa de João Rendeiro, que “ultrapassou” todos os limites, “difamou” e “caluniou”. “Tenho uma carreira imaculada”, salienta, explicando que, na altura em que João Rendeiro foi para Londres — em que Carlos do Paulo ainda o defendia — o ex-banqueiro estava em termo de identidade e residência e portanto não estava a incorrer em nenhum ilicitude.

O advogado assume que informou o ex-líder do BPP sobre o que aconteceria caso este fosse para outro país. “Quando o senhor Rendeiro pergunta ao advogado, o advogado tem o direito de esclarecer legalmente o seu constituinte: quantos países, quais é que têm extradição e quais são os trâmites processuais” — “tratei disso.”

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Agora, o “senhor Rendeiro está inimputável” e “foi irresponsável”, estando agora “numa jurisdição que ninguém conhece”. “Ninguém sabe onde está João Rendeiro, nem nunca ninguém soube.” De acordo com Carlos do Paulo, os problemas começaram a surgir a partir de 1 de outubro, quando não se entregou à Justiça.

João Rendeiro afirma que foi o advogado Carlos do Paulo a apresentar o plano de fuga

Apesar de ter sido informado por telefone, Carlos do Paulo revela ainda que não sabe como é que, em Londres, João Rendeiro se deslocou para o sítio onde está no momento, nem sabe que passaporte usou, nem se foi de jato ou de avião. “Só soube da nacionalidade porque tenho essa missiva escrita e transmitida pelo próprio. Só assim soube que tinha uma dupla nacionalidade, mas não sei o país”. 

O advogado reitera que nunca soube da localização de João Rendeiro, mas que falou recentemente com o ex-banqueiro. “Falávamos quase todos os dias, mas temos falado menos.”. Questionado sobre se abordou o ex-líder do BPP após a entrevista, Carlos do Carlos dá a entender que ainda não o contactou. “Os atos ficam com quem os pratica.”

“João Rendeiro teria como destino a prisão da Carregueira e não um hotel de luxo como destino”, sintetizou.

João Rendeiro alega, em entrevista à CNN e ao Tal e Qual, que foi Carlos do Paulo quem lhe apresentou o plano de sair definitivamente do país: “Ele voluntariou-se a apresentar uma solução”. Além disso, indicou que foi o mesmo advogado que o convenceu “a mudar de ideias” quando chegou a Londres, em setembro.

Em entrevista à TVI no dia 29 de setembro, Carlos do Paulo indicou, por seu turno, que não sabia, “nem queria saber” onde estava João Rendeiro, assegurando também que “a função do advogado é esclarecer o cliente dentro da lei”. “Se soubesse, seria obrigado a revelar”, garante, argumentando que tal poderia constituir num crime.