1228,8kWh poupados 1228,8 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Quando Jesus pediu carinho, Darwin decidiu ser amor (a crónica do Famalicão-Benfica)

Este artigo tem mais de 4 anos

Jesus foi assobiado a meio da semana apesar da qualificação europeia e pediu carinho. Contra o Famalicão, Darwin respondeu com amor — e três golos que ajudaram a golear e a voltar às vitórias na Liga.

O avançado uruguaio é já o melhor marcador do Campeonato, tendo superado Luis Díaz
i

O avançado uruguaio é já o melhor marcador do Campeonato, tendo superado Luis Díaz

EPA

O avançado uruguaio é já o melhor marcador do Campeonato, tendo superado Luis Díaz

EPA

Não é preciso ser um enorme especialista para saber que qualquer equipa tem dificuldades em mudar de mentalidade, no espaço de poucos dias, de uma competição para outra. Jogar um jogo da Taça de Portugal não é o mesmo que jogar um jogo do Campeonato e jogar um jogo das competições europeias não é o mesmo que jogar um jogo da Taça da Liga — e quando as partidas se entrelaçam sem grande período temporal de diferença, é necessário saber readaptar dinâmicas e processos de acordo com o adversário e a exigência do desafio.

Ora, este domingo, o Benfica vivia um desses momentos. Depois de garantir o apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões a meio da semana, graças à vitória na Luz contra o Dínamo Kiev, a equipa de Jorge Jesus voltava ao Campeonato com a necessidade de regressar aos resultados positivos internamente para não perder ainda mais terreno para os principais rivais. No terceiro lugar, a quatro pontos do FC Porto e provisoriamente a sete do Sporting, os encarnados visitavam o Famalicão num momento de alguma fragilidade de Jorge Jesus — que foi assobiado e viu lenços brancos na derrota contra o Sporting e, apesar da qualificação europeia, voltou a ser contestado contra os ucranianos.

Ficha de jogo

Mostrar Esconder

Famalicão-Benfica, 1-4

14.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Municipal 22 de junho, em Famalicão

Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa)

Famalicão: Luiz Júnior, Adrián Marín, Charles Pickel, Pedro Brazão (Iván Jaime, 64′), Bruno Rodrigues (Marcos Paulo, 64′), Riccieli, Simon Banza (Pedro Marques, 70′), De la Fuente, Penetra, Pêpê (Ofori, 70′), Heriberto (Ivo Rodrigues, 11′)

Suplentes não utilizados: Dalberson, Rúben Lima, Alex Nascimento, Saldanha

Treinador: Ivo Vieira

Benfica: Vlachodimos, André Almeida, Otamendi, Vertonghen, Diogo Gonçalves (Gilberto, 45′), Weigl, João Mário (Paulo Bernardo, 72′), Grimaldo (Gil Dias, 72′), Rafa (Pizzi, 72′), Seferovic (Taarabt, 45′), Darwin

Suplentes não utilizados: Helton Leite, Morato, Gonçalo Ramos, Everton

Treinador: Jorge Jesus

Golos: Darwin (6′, 14′ e 56′), Bruno Rodrigues (25′), Rafa (46′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Diogo Gonçalves (3′), a Ivo Rodrigues (45+1′), a Riccieli (74′), a Weigl (74′)

“Toda a gente gosta de ser acarinhada, não é? Eu nunca estive habituado a isso, muito menos aqui no Benfica. Estive cá seis anos e isso nunca aconteceu comigo. Para mim é uma novidade mas é a realidade. O que é que eu tenho de fazer? Continuar a ganhar como fizemos no último jogo. Não posso fazer nada que não dependa de mim. Mas claro que não fico feliz, não fico satisfeito, porque não é a primeira vez que estou cá a treinar e isso nunca aconteceu comigo”, reconheceu o treinador na antevisão da partida contra um Famalicão que nas últimas duas jornadas da Liga sofreu sete golos sem marcar nenhum.

Sem Yaremchuk, que ficou de fora dos convocados depois de tido algumas queixas musculares na sequência do jogo contra o Dínamo Kiev, Jesus também deixava Everton no banco e lançava Seferovic no ataque em conjunto com Darwin e Rafa. Mais atrás, André Almeida continuava a ser aposta enquanto terceiro central e Diogo Gonçalves era titular na ala direita, com Gilberto a ser suplente. Do outro lado, Ivo Vieira não podia contar com David Tavares, castigado, e com Diogo Figueiras, que está lesionado, e colocava De La Fuente, Riccieli, Bruno Rodrigues e Heriberto no onze inicial.

O Benfica começou bem, demonstrando uma enorme facilidade para desdobrar movimentações ofensivas e chegar ao último terço com poucos passes e uma assertividade acima da média. Graças também à passividade do Famalicão, que demorou a entrar definitivamente no jogo e deu quase um quarto de hora de avanço ao adversário, os encarnados abriram o marcador ainda dentro dos primeiros 10 minutos: Darwin recebeu de Rafa na esquerda, deixou para trás um adversário com um bom movimento e atirou em jeito, de fora de área, para bater Luiz Júnior (6′). Pouco depois, Ivo Vieira sofreu mais um revés e ficou sem Heriberto, que teve uma lesão muscular e foi substituído por Ivo Rodrigues — mas a história da partida acabaria por mostrar que a alteração não foi assim tão nefasta para o conjunto.

De forma muito natural, o Benfica aumentou a vantagem pouco depois. André Almeida isolou Rafa com um grande passe na profundidade e o internacional português picou a bola à saída do guarda-redes, assistindo Darwin para o bis (14′). O avançado uruguaio ia beneficiando do facto de estar a jogar mais no corredor central e não tão descaído nas alas, aparecendo facilmente em zonas de finalização e longe da marcação adversária, e destacava-se enquanto elemento em evidência na equipa. Com uma vantagem mais do que confortável, o Benfica parecia encaminhar-se para um regresso tranquilo às vitórias na Primeira Liga e ia realizando uma exibição segura e sem grandes sobressaltos. O problema, porém, começou quando o Famalicão chegou finalmente ao jogo.

Simon Banza, avançado francês de 25 anos, teve duas ocasiões perigosas de forma consecutiva e inverteu a dinâmica da partida: começou por aparecer na grande área quase sem marcação a rematar ao lado (17′) e depois voltou a falhar o alvo com um pontapé forte na direita (22′). Alavancado pelas dupla oportunidade e também por Ivo Rodrigues, que deu uma nova dinâmica à equipa a partir do corredor direito depois de entrar em campo para substituir Heriberto, o Famalicão subiu as linhas e empurrou o Benfica para o próprio meio-campo. A equipa de Ivo Vieira acabou mesmo por chegar ao golo num lance em que surpreendeu a defensiva encarnada com um lançamento muito rápido e Ivo Rodrigues cruzou para o cabeceamento de Bruno Rodrigues, que surgiu ao segundo poste sem qualquer oposição (25′).

Com a redução da desvantagem, o Famalicão continuou a insistir e quase fez o empate, novamente por intermédio de Bruno Rodrigues, que atirou em jeito de fora de área para uma grande defesa de Vlachodimos (29′). O Benfica ia atravessando muitas dificuldades neste período, tendo perdido completamente o controlo do meio-campo e não tendo qualquer presença ofensiva, passando mais de 20 minutos sem sequer chegar ao último terço adversário. Os encarnados jogavam a passo, sem intensidade nem ritmo e de forma algo displicente, e só recuperaram a estabilidade já nos últimos instantes antes do intervalo, altura em que Weigl assinou um remate perigoso que passou por cima da trave (38′). No fim da primeira parte, a equipa de Jorge Jesus precisava urgentemente da interrupção para reencontrar o equilíbrio e evitar surpresas indesejadas.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Famalicão-Benfica:]

Na segunda parte, ciente dessa possibilidade, Jorge Jesus decidiu mexer e tirou Diogo Gonçalves e Seferovic para lançar Gilberto e Taarabt — ou seja, deu mais estabilidade ao corredor direito, até porque Diogo Gonçalves tinha um cartão amarelo desde muito cedo e perdeu agressividade por isso mesmo, e passou a atuar com três elementos no meio-campo e apenas dois no ataque, reforçando o setor nevrálgico do conjunto. O impacto das alterações foi quase imediato: na primeira jogada do segundo tempo, Taarabt desequilibrou no corredor central e desmarcou Rafa, que tirou um adversário da frente já na grande área e atirou em jeito para o fundo da baliza (46′).

Sem conseguir replicar o que havia feito na primeira parte e surpreendido pela entrada forte do Benfica, o Famalicão voltou a demorar tempo a assentar e abriu a porta ao quarto golo, marcado novamente por Darwin e depois de mais uma assistência de Rafa (56′). O avançado uruguaio carimbava o hat-trick e chegava aos 11 golos na Primeira Liga, ultrapassando Luis Díaz e tornando-se o atual melhor marcador da competição, e os encarnados resolviam em pouco mais de 10 minutos um problema que tinha começado a surgir no final da primeira parte. A ver que a equipa não demonstrava qualquer capacidade para reagir aos golos sofridos, Ivo Vieira respondeu com uma dupla alteração e lançou Iván Jaime e Marcos Paulo.

Ainda assim, o Benfica não tremia e estava claramente melhor depois com as substituições ao intervalo. Gilberto dava uma agressividade e estabilidade superiores no corredor direito e Taarabt ia realizando uma exibição francamente positiva, com um critério de passe e uma inteligência de movimentos que catapultaram a equipa para um patamar superior. A cerca de 20 minutos do fim, já depois de Marcos Paulo ter tido uma boa oportunidade para reduzir a desvantagem com um remate que Gilberto intercetou (72′), Jorge Jesus começou a gerir esforços e tirou Grimaldo, João Mário e Rafa para colocar Gil Dias, Paulo Bernardo e Pizzi.

Até ao fim, já pouco ou nada aconteceu à exceção de um cabeceamento à trave de Pedro Marques (89′). O Benfica geriu a vantagem sem grande velocidade e o Famalicão nunca conseguiu responder com discernimento, somando agora 11 golos sofridos para um marcado nas últimas três jornadas. Os encarnados voltaram às vitórias na Primeira Liga e mantiveram as distâncias para os principais rivais, escapando à possibilidade de escorregar internamente depois de uma semana positiva nas competições europeias principalmente graças às alterações táticas realizadas ao intervalo. Jorge Jesus pediu carinho, Darwin respondeu com amor — e três golos.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.