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Señor Díaz tirou o chapéu ao regresso do melhor Uribe (a crónica do FC Porto-Sp. Braga)

Este artigo tem mais de 4 anos

Sérgio Conceição mudou sistema, deu tempo para Vitinha brilhar e encontrou espaço para encaixar o melhor Uribe numa equipa do FC Porto que venceu um Sp. Braga curto com outro golo de Luis Díaz (1-0).

Luis Díaz voltou a marcar o golo decisivo do FC Porto no triunfo frente aos minhotos, o nono consecutivo no Campeonato
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Luis Díaz voltou a marcar o golo decisivo do FC Porto no triunfo frente aos minhotos, o nono consecutivo no Campeonato

Luis Díaz voltou a marcar o golo decisivo do FC Porto no triunfo frente aos minhotos, o nono consecutivo no Campeonato

Coração, coração e mais coração. Ao longo de quatro anos e meio, Sérgio Conceição construiu uma equipa mas, mais do que isso, reconstruiu uma identidade perdida no tempo e na falta de resultados desportivos. Os esquemas táticos poderiam diferir, as abordagens poderiam ser diferentes, mas aquilo que descreveu como ADN FC Porto tornou-se um bem precioso e inalienável na forma de encarar qualquer compromisso, de qualquer prova, contra qualquer adversário. Esta semana, na final que tinha em casa com o Atl. Madrid para decidir a continuidade na Champions, acabou por ser traído pelo bom que conseguiu e, na fase em que a cabeça tinha de estar fria mantendo o coração quente, viu a cabeça quente tornar o coração frio. E, ao contrário do que acontecera em três das últimas quatro épocas, falhou os oitavos da competição.

FC Porto vence Sp. Braga com golo de Luis Díaz e volta a partilhar liderança da Liga com Sporting

“Sentimos mais dificuldades porque estávamos bem no jogo e ficámos sem um jogador que tinha entrado e era importante para a equipa. Agora, ele sabe, é o primeiro a saber, que teve uma atitude que não foi boa para o que queríamos, que era tentar fazer o golo do empate e tentar ganhar. Esse foi um dos fatores que ajudou a que não tivéssemos sucesso no final do jogo mas a culpa não é deste ou daquele jogador, a culpa é de todos. Há um jogador que tenho a certeza que joga amanhã [domingo], é o Wendell. Podem escrever que vai ser titular”, anunciara Sérgio Conceição antes da receção ao Sp. Braga, tentando relativizar a eliminação e consequente passagem ao playoff da Liga Europa focando atenções no Campeonato.

“O Sp. Braga tem equilibrado as contas com os ditos ‘grandes’ nos últimos anos, tem-se intrometido na luta para conquistar o Campeonato. Tem um treinador com muita qualidade e experiente, jogadores de alto nível, que jogariam nos chamados ‘grandes’. Cabe-nos manter o que temos feito no Campeonato. Acredito que a Champions não vai interferir em nada no Campeonato, são competições diferentes. Claro que é melhor estar na Liga dos Campeões mas vamos apanhar uma Liga Europa que tem equipas muito fortes e competentes. Não é por aí, a nível emocional, que se vai decidir nada”, salientara antes de focar aquele que tem sido um problema recente dos azuis e brancos: a falta de golos dos avançados da equipa.

“São momentos, são ciclos, são períodos que os jogadores passam. De certa forma, em três oportunidades o Taremi faz três golos, e às vezes em 13 não faz. Faz parte daquilo que é o nosso trabalho, que é tentar aqui dar todas as condições para que os jogadores possam evoluir ao máximo, que os avançados façam os golos, mas sejam participativos em outras tarefas. O FC Porto já teve, noutros anos, avançados que com meia oportunidade faziam um golo ou dois golos. Temos gente que precisa desta experiência de jogos de alto nível e de ter essa pressão de marcar em todas as ocasiões que lhes aparecem pela frente. Com certeza que no futuro serão melhores”, destacara, falando sobre Taremi, Evanilson e Toni Martínez.

Essa poderia ser uma das chaves da receção ao Sp. Braga, a equipa que mais problemas tem conseguido criar no Dragão nos últimos anos mas que chegava ao encontro também a recuperar de um empate frente ao Estrela Vermelha que impediu que a equipa conseguisse a qualificação direta para os oitavos da Liga Europa, a dez pontos do FC Porto em 13 jornadas (uma distância anormal no passado recente) e com uma fatura aberta e a pagar pelo desgaste físico do calendário com um plantel sem a profundidade necessária perante as lesões que foi tendo. “Os índices físicos estão péssimos, obviamente. Ainda é um espaço curto de recuperação e os jogadores estão cansados. Quem jogar vai fazer com que sejamos competitivos. Emocionalmente, não tenho motivo nenhum para não estar feliz”, salientara Carlos Carvalhal.

O técnico minhoto tinha razão e, muitas vezes, sobretudo no segundo tempo com o jogo a partir mais, foi visível muitas vezes que as decisões não eram as melhores também pelo desgaste. No entanto, não foi por aí que perdeu no Dragão nem foi por aí que o FC Porto somou a nona vitória consecutiva na Liga que permitiu o regresso à liderança partilhada com o Sporting, sobrando o mérito de Sérgio Conceição para mexer no sistema tático (de 4x4x2 para 4x3x3), dar tempo para Vitinha ir ganhando peso na equipa e encontrar o espaço para aparecer o melhor Uribe, não só em recuperações mas também na construção, no risco da meia distância e da própria projeção dos laterais graças à inteligência manifestada no jogo posicional sem bola que equilibrava a equipa. Depois, apareceu o suspeito do costume, Luís Díaz, a marcar um grande golo num chapéu a Matheus após assistência de Uribe que disfarçou mais um jogo de seca dos avançados.

Ficha de jogo

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FC Porto-Sp. Braga, 1-0

14.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: António Nobre (AF Leiria)

FC Porto: Diogo Costa; João Mário, Mbemba, Pepe (Fábio Cardoso, 29′), Wendell (Uribe, 46′); Uribe, Grujic (Sérgio Oliveira, 68′), Vitinha; Otávio (Corona, 89′), Luis Díaz e Evanilson (Taremi, 68′)

Suplentes não utilizados: Marchesín, Francisco Conceição, Toni Martínez e Fábio Vieira

Treinador: Sérgio Conceição

Sp. Braga: Matheus; Tormena, Paulo Oliveira (Guilherme, 46′), Bruno Rodrigues; Fabiano (Yan Couto, 46′), André Horta (Chiquinho, 68′), Al Musrati (Gorby, 68′), Francisco Moura; Piazón, Ricardo Horta e Abel Ruiz (Vitinha, 56′)

Suplentes não utilizados: Tiago Sá, Roger, Mario González e Iuri Medeiros

Treinador: Carlos Carvalhal

Golo: Luis Díaz (22′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a João Mário (19′), Paulo Oliveira (37′), Sérgio Conceição (45+2′), Fabiano (45+3′), Otávio (63′), Bruno Rodrigues (76′), Lucas Piazón (79′), Francisco Moura (85′) e Vitinha (85′)

O FC Porto teve uma entrada afirmativa no jogo, dominando por completo com bola e não deixando que o Sp. Braga saísse do seu meio-campo com uma boa reação à perda que conseguia condicionar o momento de construção dos minhotos. No entanto, e além de uma tentativa de Luis Díaz que saiu muito por cima da trave de Matheus (e que até nasceu de um corte incompleto da defesa contrária), foi preciso esperar quase um quarto de hora para se ver a primeira verdadeira oportunidade, num lance em que Vitinha conseguiu ganhar espaço nas entre linhas, acelerou com bola para deixar Al Musrati fora do lance e rematou rasteiro para grande defesa de Matheus para canto (13′). Do lado dos arsenalistas, só mesmo por uma vez a baliza de Diogo Costa esteve em perigo, com Francisco Moura a fazer um bom movimento partindo do meio para ganhar a profundidade, avançar para a área e rematar com estrondo ao poste (15′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do FC Porto-Sp. Braga em vídeo]

O Sp. Braga teve mérito na forma como conseguiu encontrar o espaço para lançar o jovem esquerdino mas desse lance sobravam também as primeira queixas de Pepe, que começava um longo diálogo com o banco dos azuis e brancos dando indicações de como estava em termos físicos. E o central, que primeiro parecia não aguentar, estava pronto para ser substituído por Fábio Cardoso, aguentou, aguentou, aguentou mais um pouco e viu ainda o primeiro golo portista: Uribe conseguiu receber com espaço para se virar e olhar o jogo de frente, fez um fantástico passe de rutura para Luis Díaz no espaço entre lateral e central e o ala colombiano, isolado na área, picou com muita classe por cima de Matheus (22′).

Os dragões passavam para a frente do marcador e ganhavam um balão extra de confiança num duelo entre equipas ainda a pagar a fatura dos encontros europeus a meio da semana, com Uribe a encher cada vez mais o campo pelo corredor central e a ficar muito perto do segundo golo num remate de fora da área que passou a rasar o poste (27′). Os minhotos não existiam no plano ofensivo e, já nos descontos, tremeram também na sequência de uma bola parada, com um desvio de cabeça de Grujic que ficou também perto de aumentar a vantagem (45+2′). A única má notícia foi mesmo a lesão de Pepe, que a certa altura não deu mais e foi substituído por Fábio Cardoso. E essa não seria a única alteração por motivos físicos.

O reatamento foi marcado pelas substituições nos dois conjuntos, com Sérgio Conceição a tirar o lesionado Wendell por Zaidu e Carlos Carvalhal a lançar Yan Couto e Guilherme para os lugares dos já “amarelados” Fabiano e Paulo Oliveira. No entanto, e de forma ainda mais constante do que no primeiro tempo, foi o FC Porto a entrar melhor, a conseguir asfixiar a saída de bola dos minhotos forçando também a muitas perdas de bola em zonas de risco, o que deu oportunidade a Luis Díaz de tentar por duas vezes a meia distância ao lado antes de um calcanhar de Evanilson na área que levou a bola às malhas laterais (50′). Um pouco depois, e em mais uma fotocópia de um lance que já tinha acontecido nos minutos iniciais, Vitinha ganhou espaço pelo corredor central, progrediu e arriscou o remate para defesa de Matheus (59′).

A partir daí, o jogo mudou. Não tanto pela perda de capacidade de controlo do jogo do FC Porto mas pela incapacidade em continuar a esticar até ao último terço para criar oportunidades. E foi nesse momento que, em minutos quase consecutivos, o Sp. Braga teve as duas grandes chances para sair com outro resultado do Dragão: Ricardo Horta, isolado na área após assistência de cabeça de Vitinha, rematou ao lado (71′) e, logo a seguir, o cabeceamento de Bruno Rodrigues na sequência de um canto passou muito perto do poste da baliza de Diogo Costa (72′). Sem que nada o indicasse, os azuis e brancos podiam ter consentido o empate mas os sustos voltaram a acordar a equipa, que acabou por cima e a ter também os momentos para fechar de vez o encontro como numa grande arrancada de Zaidu que, na área, atirou por cima (82′).

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