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Depois de Rui Rio ter criticado a diferença de preços praticados pela TAP em voos de Madrid e Lisboa com o mesmo destino (EUA), a companhia aérea veio justificar com a “lei da oferta e da procura”. Segundo a TAP, como os viajantes tendem a preferir voos diretos, sem escalas, e há uma “forte concorrência na oferta de voos” a partir de Espanha, a transportadora tem de conseguir “atrair” passageiros que queiram voar entre Madrid e os EUA (para usar o exemplo de Rio). E isso, garante, é uma política de preços “comum para a maioria das companhias aéreas”.

No debate de quinta-feira frente a António Costa, Rui Rio mostrou um papel onde, assegurou, estavam dois voos da companhia aérea com preços muito díspares: aquele que partia de Madrid para São Francisco (EUA) com escala em Lisboa ficava “a um espanhol” a 190 euros, enquanto o mesmo voo que partia de Lisboa ficava “ao português” a 697 euros. Ou seja, uma diferença de mais de 500 euros. “Mesmo o aeroporto de Lisboa [a TAP] serve de forma absolutamente indecente. (…) É companhia de bandeira, mas é companhia de bandeira espanhola ou de outro país qualquer. Quem paga somos nós. Isto é revoltante”, criticou.

Duas simulações feitas pelo Observador confirmaram que ficaria mais barato partir de Madrid para São Francisco com escala em Lisboa do que sair diretamente da capital portuguesa. A diferença de preços detetada não foi, porém, tão significativa quanto a de Rio (num caso foi de cerca de 142 euros e noutro de 262 euros).

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Numa declaração publicada pelo jornal Eco, e enviada também ao Observador, a TAP diz que os preços são “determinados pela lei da oferta e da procura”. Como, segundo a transportadora, os consumidores tendem a preferir voos diretos, sem escalas, a TAP tem de conseguir “atrair” passageiros que queiram voar entre Madrid ou Barcelona e um destino nos EUA (o exemplo dado por Rio, mas “válido para quase todos os casos”). Como? Com um preço “competitivo com a oferta de companhias aéreas que operam voos diretos na mesma rota, ou com uma escala em qualquer outro hub”.

“Há uma forte concorrência na oferta de voos de Madrid ou Barcelona para qualquer aeroporto dos EUA, para seguir os exemplos dados. (…) É uma questão de análise de mercado e gestão de receitas, e é uma política de preços comum para a maioria das companhias aéreas, algo que qualquer pessoa pode facilmente verificar com algumas simulações”, indica.

Uma simulação do Observador com a holandesa KLM confirma o argumento da TAP. Um voo que saia de Lisboa para São Francisco na segunda-feira dia 7 de fevereiro, mas que tem escala em Amesterdão, fica a um passageiro de Portugal 660 euros. O mesmo voo direto de Amesterdão para São Francisco já fica a 1.380 euros, mais do dobro.

Voo direto Amesterdão – São Francisco

Voo de Lisboa para São Francisco com escala em Amesterdão

“Os voos diretos entre dois destinos têm sempre uma procura mais elevada do que os voos com escalas. A lei da oferta e da procura funciona, pelo que são normalmente mais caros do que os voos com escalas, um produto mais demorado, menos confortável e pior, desse ponto de vista”, acrescenta a TAP.

O líder do PSD já reagiu, entretanto, à resposta da TAP. Em declarações registadas pela Lusa, Rio diz que a lei da oferta e da procura “não leva o Estado português a pingar anos, anos e anos para a TAP”.

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