Treze eurodeputados votaram contra um resolução apresentada no Parlamento Europeu sobre a invasão da Rússia à Ucrânia e há dois nomes que se destacam: João Pimenta Lopes e Sandra Pereira, do Partido Comunista Português (PCP). O documento em causa condena “veementemente a agressão militar ilegal, não provocada e injustificada da Federação Russa contra a invasão da Ucrânia”, bem como “o envolvimento da Bielorrússia nesta agressão”.

Depois de a posição tomada pelos comunistas portugueses ter sido tornada pública, o partido divulgou um comunicado a justificar a posição, sublinhando que “são urgentes iniciativas e medidas que abram caminho à negociação e à paz” e não, como acusam a resolução de fazer, para “dar força à escalada de confrontação, incrementar a guerra e dificultar o cessar-fogo”.

Na visão dos comunistas portugueses, a resolução em causa é “profundamente negativa” por “impor uma visão unilateral“, por “ignorar os atropelos aos princípios do direito internacional” e “as sucessivas decisões e provocações dos EUA, NATO e UE que levaram ao conflito na Ucrânia e precederam a intervenção militar da Rússia neste país”.

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No mesmo sentido, o PCP reitera que a resolução em causa “ignora o papel que EUA, NATO e UE tiveram no golpe de estado de 2014 na Ucrânia, recorrendo a forças fascistas, que levou a profundas fraturas, perseguições e violência na Ucrânia e que se traduziu em 15 mil mortos neste país nos últimos sete anos”, sendo este um argumento usado pelo PCP durante as últimas semanas.

Mais do que isso, o partido liderado por Jerónimo de Sousa realça que o documento aprovado no Parlamento Europeu leva a um “colossal processo de aumento de despesas militares, ao reforço e alargamento da NATO e à militarização da UE, que está na origem do agravamento da situação na Europa e no mundo”.

Os comunistas realçam a posição “de sempre contra a guerra e a favor da paz” — na qual têm insistido nas várias comunicações sobre o tema — e consideram que este tipo de posicionamento por parte da UE não contribuiu para uma “urgente e necessária solução política” e “pugna pelo corte de todas as pontes e pela imposição de mais sanções que atingem os povos da Europa e são pretexto para colocar em causa direitos e o agravamento das condições de vida”.

“[A resolução] não só ignora toda a problemática da segurança e do desarmamento na Europa, como se propõe mesmo agravá-la”, sublinha o PCP, frisando que “é premente voltar ao caminho de respeito dos princípios da Carta das Nações Unidas e da Ata Final da Conferência de Helsínquia, de paz e cooperação entre os povos”.

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