A Endesa é a vencedora do concurso para a atribuição do ponto de ligação à rede elétrica da central do Pego. Em nota enviada à imprensa esta sexta-feira, a empresa anunciou que, “através da sua filial Endesa Generación Portugal, venceu hoje o concurso de transição justa do Pego, em Portugal, com um projeto que combina a hibridização de fontes renováveis e o seu armazenamento naquela que será a maior bateria da Europa, com iniciativas de desenvolvimento social e económico”.

O investimento previsto no projeto ronda os 600 milhões de euros, “não estando sujeito a ajuda externa por se tratar de uma iniciativa economicamente sustentável”.

Concretamente, revela a empresa espanhola, “recebeu um direito de ligação à Rede Elétrica de Serviço Público (RESP) de 224 MVA para instalar 365 MWp de energia solar, 264 MW de energia eólica com armazenamento integrado de 168,6 MW e um eletrolisador de 500 kW para a produção de hidrogénio verde”.

O eletrolisador entrará em funcionamento “em simultâneo para aproveitar os excedentes que não podem ser geridos pelo sistema de armazenamento”.

O modelo, que a empresa classifica como “inovador”, é “possível graças à avançada legislação portuguesa em matéria de hibridização e armazenamento de energia elétrica, vai permitir a obtenção de quase 6.000 horas de produção, superior ao funcionamento de qualquer central térmica convencional”.

O resultado confirma aquela que foi a avaliação inicial do júri do concurso, que no início de fevereiro atribuiu à Endesa a melhor classificação entre as propostas apresentadas. No relatório preliminar do consurso, publicado no início de fevereiro pela Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG), a Endesa ultrapassou as propostas da Tejo Energia, da Greenvolt, que entretanto acabou afastada do procedimento, da Brookfield & Bondalti, da Voltalia e da EDP Renováveis.

Seguiu-se um período de audiência dos interessados, que terminou a 28 de fevereiro.

Na mesma nota enviada esta sexta-feira, a Endesa destaca que a combinação de tecnologias do seu projeto “permitirá otimizar a produção e obter um elevado fator de carga, colocando Portugal na vanguarda da Europa relativamente ao desenvolvimento e utilização destas energias”.

A empresa de origem espanhola destaca que além do projeto energético, “apresentou um plano no qual envolveu todos os agentes locais”. Concretamente, “elaborou um plano específico para o crescimento económico e social da região que inclui a criação de 75 postos de trabalho, 12.000 horas de formação e o apoio às PME para que integrem os seus projetos na região, criando novas oportunidades de crescimento e riqueza para a Região de Abrantes”.

O plano de formação, acrescenta a energética, “inclui cursos que vão desde a construção e instalação de centrais solares, à operação e manutenção de centrais renováveis”. O projeto também inclui atividades do setor primário. A empresa explica que as instalações vão integrar agricultura, pecuária ou apicultura entre os painéis.

Vão ser ainda dados cursos de “competências transversais”, em funções administrativas e ferramentas digitais. As iniciativas “destinam-se sobretudo aos habitantes da Região de Abrantes que se encontram em situação de desemprego. Os antigos trabalhadores da central terão prioridade no acesso às formações.

E Endesa ressalva ainda “o envolvimento das PME locais que vão desenvolver o seu modelo de negócio na região, com projetos específicos”. A empresa diz ter recebido cartas de interesse de 8 parceiros locais.

Citado na mesma nota, o Diretor Geral de Geração da Endesa, Rafael González, sublinha que o projeto “marcará um antes e um depois no setor”.

“A Endesa não só continua a apostar em Portugal, como sempre fez, mas estamos a fazê-lo com um projeto ao qual dedicámos muito esforço e afeto, trabalhando para desenvolver um modelo de desenvolvimento renovável inovador em que as comunidades locais tenham um papel importante”, destaca.

Juntamente com a Tejo Energia, a Endesa era responsável pela exploração da central a carvão do Pego, cuja atividade terminou em novembro do ano passado.

A reunião do júri que tomou a decisão final teve lugar a 22 de março. Após análise das pronúncias dos concorrentes, o júri manteve a decisão inicial. “Neste contexto, o Júri, encerrada a fase de Avaliação, propõe ao órgão competente para a atribuição de reserva de capacidade de injeção na Rede Elétrica de Serviço Público a adjudicação do objeto do presente procedimento concorrencial à Endesa – Endesa Generación Portugal, S.A., concorrente classificado em primeiro lugar”, lê-se na ata publicada pela DGEG.