Antes de a invasão da Ucrânia por parte da Rússia ter começado, no final de fevereiro, a novela que envolveu Novak Djokovic no Open da Austrália era provavelmente a maior história de 2022. O tenista sérvio manteve-se longe dos holofotes durante algum tempo, voltou a falar para reiterar que não pretende vacinar-se contra a Covid-19, regressou à competição e até apoiou financeiramente um atleta ucraniano que está a combater. Agora, Djokovic causou novamente alguma polémica.

Esta quarta-feira, à margem do Open da Sérvia que está a decorrer em Belgrado, o tenista mostrou-se contra a decisão da organização de Wimbledon de banir os russos e bielorrussos do Grand Slam britânico. “Vou sempre condenar a guerra. Como menino da guerra, sei os traumas que ela deixa e que o povo é quem mais sofre. Nos Balcãs, tivemos muitas guerras na história recente. Ainda assim, não posso apoiar a decisão de Wimbledon. Os jogadores não têm culpa”, defendeu Djokovic após a partida em que garantiu o apuramento para a segunda ronda do ATP 250 sérvio.

Oficial. Tenistas russos e bielorrussos impedidos de jogar em Wimbledon

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

De recordar que, também esta quarta-feira, o All England Club anunciou então que não vai permitir a participação de tenistas russos e bielorrussos em Wimbledon, que tem início agendado para o próximo dia 27 de junho. “Nas circunstâncias de uma agressão militar tão injustificada e sem precedentes, seria inaceitável permitir que o regime russo tenha quaisquer benefícios a partir do envolvimento de jogadores russos ou bielorrussos em Wimbledon”, referiu o comunicado da organização do Grand Slam, que não deixa de ressalvar que a decisão poderá ser revista se a situação na Ucrânia se alterar até à data do início do torneio.

Com esta tomada de posição de Wimbledon, o primeiro Grand Slam a anunciar medidas tão drásticas, o torneio britânico fica desde já desprovido da participação de três pesos-pesados: Daniil Medvedev, russo que é atualmente o número 2 do ranking ATP, Andrey Rublev, russo que é número 8 mundial, e ainda Aryna Sabalenka, bielorrussa que está no quarto lugar do ranking WTA. Adicionalmente, também a experiente Victoria Azarenka, bielorrussa que já liderou a classificação feminina e já condenou publicamente a invasão da Ucrânia, fica de fora de Wimbledon.

“Peço desculpa, peço muita desculpa.” A competir sem a bandeira da Bielorrússia, Azarenka chorou compulsivamente a meio de um jogo