A área ardida em Portugal, até 15 de julho e em termos homólogos, é já a maior desde 2017, o ano que ficou pelos fogos de Pedrógão Grande (em junho, a que se juntaram os grandes incêndios em outubro). De acordo com dados do Instituto da Conservação da Natureza recolhidos esta sexta-feira, arderam desde o início do ano 38.591 hectares, um número que já é maior do que a totalidade da área ardida em todo o ano de 2021 (28.415 hectares).

Em comparação com os últimos cinco anos e retirando 2017 da equação (em que arderam 74.340 hectares), 2022 destaca-se no número de área ardida. Em 2018, por esta altura, tinham ardido 5.387 hectares, em 2019 10.184 hectares, em 2020 9.653 hectares e em 2021 12.123 hectares.

O número de ocorrências em 2022 (6.077) também é a maior nos últimos cinco anos (8.643), apesar de estar abaixo da média dos últimos 10 anos (7.051). A diferença é, ainda assim, substancial quando se compara com 2020 (3.182) e 2021 (4.263).

As altas temperaturas e o inverno seco ajudam a explicar estes números. “Quando não temos chuva recente, estamos sempre à mercê da atmosfera. Se tivermos episódios de dias muito quentes e secos, e sobretudo com vento, que é o grande fator de incêndios maiores, qualquer combinação meteorológica deste tipo vai trazer fogos graves”, explica, ao jornal Público, Paulo Fernandes, especialista em fogos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Ouvido pelo mesmo jornal, António Salgueiro, engenheiro florestal e especialista em fogos que trabalha com a Agência de Gestão Integrada de Fogos Rurais, também aponta o vento como fator determinante para o número de incêndios. “Com a mudança da direção do vento o fogo fica extremamente perigoso, porque evolui em todas as direções e propaga-se por projeções. Qualquer descuido dá origem a um incêndio e um incêndio que avança de forma muito rápida”, alerta.

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