Depois de em 2017 ter sido notícia que Portugal tinha contratado serviços para o combate a incêndios a cartel espanhol que estava a ser investigado por manipulação de mercado, o Expresso avança esta sexta-feira que em 2020 um concurso lançado pela Força Aérea acabou por ser arrecadado por 43 milhões de euros pela mesma empresa.
Com 32 suspeitos acusados no caso do ‘Cartel del Fuego’, a empresa terá mantido em Portugal o mesmo registo de operação que em Espanha. As empresas Agro-Montiar e a CCB Serviços Aéreos — que estão envolvidas na rede espanhola — participaram ambas no concurso lançado em 2020, num valor que ultrapassa os 43,3 milhões de euros para o aluguer de quatro aviões anfíbios de combate a fogos.
A Agro-Montiar ganhou o concurso, mas alugou dois dos quatro aviões à Martínez Ridao, uma companhia de aviação espanhola dona da CCB Serviços Aéreos que foi a preterida no concurso.
No Chile, em janeiro deste ano a empresa Martínez Ridao Aviacion foi condenada ao pagamento de cinco milhões de euros precisamente pelo mesmo tipo de práticas. O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) português também investigou nos últimos três anos as ligações destas empresas, sobretudo no que diz respeito ao dois contratos com a Avialsa num valor que não chega aos quatro milhões de euros, mas o processo foi arquivado em julho de 2021 dado que não foram recolhidos “elementos probatórios” suficientes para indiciar “a prática de qualquer crime”, segundo o despacho de arquivamento citado pelo semanário.
Ao Expresso a Força Aérea disse ter conhecimento que o cartel espanhol foi “investigado em Portugal”, mas acrescenta que “como o Ministério Público arquivou essa investigação” a Força Aérea diz-se “confiante” e “acredita que as autoridades competentes avaliaram devidamente as ramificações empresariais”. “Na presente data não estão identificados quaisquer factos suscetíveis de participação criminal”, acrescenta ainda.