Imagens divulgadas nas redes sociais este sábado dão conta de um incêndio de grandes proporções na prisão de Evin, na capital iraniana de Teerão. Os relatos de jornalistas e ativistas próximos do local dão conta de que terão sido ouvidos tiros e alarmes a soar.
Pelo menos quatro pessoas morreram e de acordo com uma fonte do Centro dos meios de comunicação social do poder judiciário iraniano, citada pela agência de notícias semi-oficial iraniana Tasnim, as vítimas tinham sido condenadas por roubo. Foram resgatados pelo menos 70 presos e identificados 61 feridos dos quais 51 já receberam alta e outros permanecem internados.
A grande maioria dos presos que receberam cuidados de saúde sofreu intoxicação por inalação de fumos.
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A informação sobre o incêndio foi inicialmente divulgada pelo site de ativistas 1500tasvir, que publicou vídeos a mostrar as chamadas. A agência Reuters confirmou entretanto a situação junto de uma fonte próxima do local, que garantiu que vários familiares dos prisioneiros estão à porta do estabelecimento. “Consigo ver fogo e fumo, muitos agentes das forças especiais. Também estão aqui ambulâncias”, disse a testemunha.
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As autoridades iranianas não reagiram oficialmente às notícias. Os media estatais apressaram-se a garantir que a situação já está controlada e que se devia a fogo posto colocado por “elementos criminosos”, diz a BBC.
Porém, o jornalista do Independent Borzou Daragahi está no local e continua a dar conta através da rede social Twitter de que a situação ainda não está controlada. De acordo com o jornalista, os últimos agentes policiais e ambulâncias a chegar ao local foram recebidos com gritos irados dos residentes naquela zona.
As security forces and rescue workers arrive at Evin, they are greeted by neighbors shouting hatred at them pic.twitter.com/PTrnx7D5Eg
— Borzou Daragahi ???????? (@borzou) October 15, 2022
A prisão de Evin é conhecida por ser o principal edifício onde estão detidos prisioneiros por suspeitas de crimes políticos. Organizações como a Human Rights Watch denunciaram ao longo dos anos várias violações de direitos humanos nesta prisão, como ameaças de tortura, interrogatórios longos e falta de cuidados médicos para os detidos, lembra a Reuters.
O Irão enfrenta há mais de um mês uma vaga de protestos, depois da morte da jovem de 22 anos Mahsa Amini sob custódia policial. Amini foi detida por alegadamente não estar a usar corretamente o véu islâmico.