Um, dois, três, 50, 100, 300 jogos. Dificilmente alguém poderia antever no verão de 2017 um reinado tão longo de Sérgio Conceição no comando do FC Porto, não só pelo contexto em que agarrou a equipa azul e branca sem ganhar qualquer título há quatro anos mas também pelos próprios períodos de vigência de todos os treinadores nas quatro décadas de Pinto da Costa na liderança dos dragões. No entanto, aconteceu e logo com um triunfo frente ao Arouca que permitiu a sexta presença consecutiva nos quartos da Taça de Portugal. E com Otávio também a ser protagonista, naquele que é o exemplo paradigmático de toda esta era.

Toni Martínez ouviu o mandamento de Taremi: diz-me onde queres, dir-te-ei como marcas (a crónica do FC Porto-Arouca)

O médio que esteve cedido ao V. Guimarães antes de afirmar-se de vez no Dragão era um jogador de grande potencial mas com dois problemas: lesões e irregularidade de exibições; hoje, cinco anos e meio depois, é um dos principais pilares da equipa, um dos elementos de maior cotação no plantel, chegou a internacional por Portugal e fez sempre mais de 42 encontros por época nas últimas quatro temporadas. De forma natural, até por ser o único que esteve sempre no plantel desde 2017, leva um total de 227 encontros com o atual técnico. Outra curiosidade: o melhor marcador nesta era é Marega, um dos jogadores que no primeiro ano foram “repescados” após empréstimo e que passou de patinho feio a cisne com Sérgio Conceição (71 golos).

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Mas o triunfo com o Arouca teve ainda outro dado histórico a reforçar o peso do treinador no FC Porto: entre os oito títulos conquistados (três Campeonatos, duas Taças de Portugal e três Supertaças, a última em agosto de 2022) e um enorme rol de registos como a maior pontuação de sempre numa edição da Primeira Liga ou as duas presenças nos quartos da Champions, Sérgio passou a ser o técnico com mais vitórias pelos azuis e brancos, superando as 215 de José Maria Pedroto. “Tenho um grandíssimo respeito pelo senhor Pedroto, que é a minha inspiração e a minha grande referência. É uma referência do clube e uma referência no país. Foi um visionário, que estava muito à frente dos outros”, comentara antes de igualar essa marca.

“Foi um jogo diferente, com o Arouca a ter uma postura um pouco diferente porque era um jogo a eliminar e defendeu-se um bocadinho mais num espaço diferente, o que nos dificultou um pouco a vida na primeira parte apesar de termos feito um golo e criado mais uma ou outra situação para ampliar. Foi um jogo sempre controlado, retificámos algumas situações ao intervalo que eram importantes, com uma circulação mais rápida, a descobrir espaços diferentes e foi muito melhor a todos os níveis, numa vitória justa que será mais uma importante se conseguirmos chegar à final e conquistarmos este título”, começou por referir Sérgio Conceição na zona de entrevistas rápidas da SportTV após a goleada por 4-0 ao Arouca.

“Dar a titularidade ao Toni Martínez? Eu não dou nada a ninguém, eles é que vão buscar… Se fez por isso? Deve ser sempre assim, depois pode ou não fazer golo mas a dedicação e a ambição, a forma determinada como entrou no jogo e como normalmente quem sai do banco vai para o jogo é o normal. O que não é normal é não ter essas características quando entram, isso é que me deixa extremamente aziado. Não foi pelos golos, pela situação dos golos, mas num ou noutro lance em que se via essa grande vontade de estar no jogo e de ajudar na equipa. Isso para mim é o fundamental”, prosseguiu, antes de falar sobre o reencontro com Jorge Costa nos quartos da Taça de Portugal: “Jogo especial vai ser defrontar o Ac. Viseu, que está a fazer uma época fantástica a partir do momento em que entrou o Jorge Costa. É uma equipa muito competente, já vi um ou outro jogo, apesar da qualidade do relvado. Vamos ter uma vida complicada”.

“300 jogos e mais vitórias do que Pedroto? Tenho que agradecer ao nosso líder, ao nosso presidente, porque nem sempre foi um trajeto fácil. Tivemos momentos difíceis, onde só a confiança e experiência dele é que fez com que esteja aqui feliz com esses números. Se me fala nas vitórias, acho que podíamos ter mais uma ou outra; se me fala nos 300 jogos, tenho que agradecer a todos os jogadores que estiveram comigo estes cinco anos e meio, a todos os departamentos que trabalham connosco diariamente, a todas as pessoas que fazem parte da estrutura. Tem sido uma caminhada de sucesso, não na totalidade porque esperava ter mais um ou outro título e mais uma ou outra vitória que davam esses títulos mas estamos satisfeitos. São números, aquilo que olho são os nossos objetivos. Estamos em todas as competições internas, porque estamos habituados a discutir títulos até ao final, e que no final possamos estar felizes”, concluiu o técnico que passou também a ser o sexto com 300 ou mais jogos no mesmo clube (único de forma consecutiva).

Época 1: 2017/18

  • 52 jogos (34 no Campeonato, oito na Champions, seis na Taça de Portugal e quatro na Taça da Liga)
  • 38 vitórias (28 no Campeonato, três na Champions, cinco na Taça de Portugal e duas na Taça da Liga) – percentagem de triunfos de 73,1% no total e de 82,4% no Campeonato
  • 8 empates (quatro no Campeonato, dois na Champions e dois na Taça da Liga)
  • 6 derrotas (três na Champions dois no Campeonato e uma na Taça de Portugal)
  • 119 golos marcados (82 no Campeonato, 16 na Taça de Portugal, 15 na Champions e seis na Taça da Liga)
  • 39 golos sofridos (18 no Campeonato, 15 na Champions, quatro na Taça de Portugal e dois na Taça da Liga)
  • Resumo: 1.º lugar no Campeonato, meias da Taça de Portugal, meias da Taça da Liga e oitavos da Champions
  • Tops: Brahimi (49 jogos), Aboubakar (26 golos) e Alex Telles (4.022 minutos)
  • Onze tipo mais vezes utilizado: Casillas; Ricardo Pereira, Felipe, Marcano, Alex Telles; Danilo, Herrera; Corona, Brahimi; Aboubakar e Marega

Dr. Sérgio e Mr. Conceição. A fórmula que acabou com o jejum do FC Porto

Época 2: 2018/19

  • 57 jogos (34 no Campeonato, dez na Champions, sete na Taça de Portugal, cinco na Taça da Liga e um na Supertaça)
  • 42 vitórias (27 no Campeonato, seis na Champions, cinco na Taça de Portugal, três na Taça da Liga e uma na Supertaça) – percentagem de triunfos de 73,7% no total e de 79,4% no Campeonato
  • 9 empates (quatro no Campeonato, dois na Taça de Portugal, dois na Taça da Liga e um na Champions)
  • 6 derrotas (três no Campeonato e três na Champions)
  • 128 golos marcados (74 no Campeonato, 20 na Champions, 20 na Taça de Portugal, 11 na Taça da Liga e três na Supertaça)
  • 49 golos sofridos (20 no Campeonato, 15 na Champions, sete na Taça de Portugal, seis na Taça da Liga e um na Supertaça)
  • Resumo: 2.º lugar no Campeonato, final da Taça de Portugal, final da Taça da Liga, vitória na Supertaça e quartos da Champions
  • Tops: Felipe, Alex Telles, Corona e Felipe (53 jogos), Tiquinho Soares (22 golos) e Felipe (4.834 minutos)
  • Onze tipo mais vezes utilizado: Casillas; Corona, Felipe, Éder Militão; Alex Telles; Danilo, Herrera; Otávio, Brahimi; Tiquinho Soares e Marega

Dragões desequilibram balança, conquistam 21.ª Supertaça em 40 edições e entram com o pé direito na nova época

Época 3: 2019/20

  • 56 jogos (34 no Campeonato, oito na Liga Europa, sete na Taça de Portugal, cinco na Taça da Liga e dois na qualificação da Champions)
  • 40 vitórias (26 no Campeonato, seis na Taça de Portugal, quatro na Taça da Liga, três na Liga Europa e uma na qualificação da Champions) – percentagem de triunfos de 71,4% no total e de 76,5% no Campeonato
  • 6 empates (quatro no Campeonato, um na Liga Europa e um na Taça de Portugal)
  • 10 derrotas (quatro no Campeonato, quatro na Liga Europa, uma na Taça da Liga e uma na qualificação da Champions)
  • 115 golos marcados (74 no Campeonato, 18 na Taça de Portugal, dez na Liga Europa, dez na Taça da Liga e três na qualificação da Champions)
  • 46 golos sofridos (22 no Campeonato, 14 na Liga Europa, quatro na Taça da Liga, três na Taça de Portugal e três na qualificação da Champions)
  • Resumo: 1.º lugar no Campeonato, vencedor da Taça de Portugal, final da Taça da Liga, fora da fase de grupos da Champions e 16 avos da Liga Europa
  • Tops: Corona (51 jogos), Tiquinho Soares (19 golos) e Corona (4.152 minutos)
  • Onze tipo mais vezes utilizado: Marchesín; Wilson Manafá, Mbemba, Pepe, Alex Telles; Danilo, Uribe; Otávio, Luis Díaz; Corona e Marega

Sérgio foi como Pedroto, como Oliveira e como Mourinho. No final, disse que é como Pinto da Costa: “Somos competitivos, mesmo muito”

Época 4: 2020/21

  • 53 jogos (34 no Campeonato, dez na Champions, seis na Taça de Portugal, dois na Taça da Liga e um na Supertaça)
  • 36 vitórias (24 no Campeonato, seis na Champions, quatro na Taça de Portugal, uma na Taça da Liga e uma na Supertaça) – percentagem de triunfos de 67,9% no total e de 70,6% no Campeonato
  • 10 empates (oito no Campeonato, um na Champions e um na Taça de Portugal)
  • 7 derrotas (três na Champions, duas no Campeonato, uma na Taça de Portugal e uma na Taça da Liga)
  • 107 golos marcados (74 no Campeonato, 15 na Champions, 13 na Taça de Portugal, três na Taça da Liga e dois na Supertaça)
  • 48 golos sofridos (29 no Campeonato, nove na Champions, sete na Taça de Portugal e três na Taça da liga)
  • Resumo: 2.º lugar no Campeonato, meias da Taça de Portugal, meias da Taça da Liga, vencedor da Supertaça e quartos da Champions
  • Tops: Wilson Manafá, Sérgio Oliveira, Corona e Taremi (48 jogos), Taremi (23 golos) e Wilson Manafá (3.980 minutos)
  • Onze tipo mais vezes utilizado: Marchesín; Wilson Manafá, Mbemba, Pepe, Zaidu; Uribe, Sérgio Oliveira; Otávio, Corona; Marega e Taremi

É por causa dos Pepes que ganham mais (a crónica do FC Porto-Benfica)

Época 5: 2021/22

  • 53 jogos (34 no Campeonato, sete na Taça de Portugal, seis na Champions, quatro na Liga Europa e dois na Taça da Liga)
  • 39 vitórias (29 no Campeonato, sete na Taça de Portugal, uma na Champions, uma na Liga Europa e uma na Taça da Liga)
  • 8 empates (quatro no Campeonato, duas na Champions e duas na Liga Europa)
  • 6 derrotas (três na Champions, uma no Campeonato, uma na Liga Europa e uma na Taça da Liga)
  • 119 golos marcados (86 no Campeonato, 22 na Taça de Portugal, cinco na Liga Europa, quatro na Champions e dois na Taça da Liga)
  • 45 golos sofridos (22 no Campeonato, 11 na Champions, cinco na Liga Europa, quatro na Taça de Portugal e três na Taça da Liga)
  • Resumo: 1.º lugar no Campeonato, vencedor na Taça de Portugal, fase de grupos da Taça da Liga, fase de grupos da Champions e oitavos da Liga Europa
  • Tops: Otávio (49 jogos), Taremi (26 golos) e Mbemba (4.226 minutos)
  • Onze tipo mais vezes utilizado: Diogo Costa; João Mário, Mbemba, Pepe, Zaidu; Uribe, Vitinha; Otávio, Luis Díaz; Taremi e Evanilson

Recorde de pontos, melhor ataque em 23 anos, melhor defesa da Liga, mais vitórias: os números da grande época do FC Porto

Época 6: 2022/23 *

  • 29 jogos (15 no Campeonato, seis na Champions, quatro na Taça da Liga, três na Taça de Portugal e um na Supertaça)
  • 21 vitórias (dez no Campeonato, quatro na Champions, três na Taça de Portugal, três na Taça da Liga e uma na Supertaça)
  • 4 empates (três no Campeonato e um na Taça da Liga)
  • 4 derrotas (duas no Campeonato e duas na Champions)
  • 74 golos marcados (36 no Campeonato, 12 na Champions, 13 na Taça de Portugal, dez na Taça da Liga e três na Supertaça)
  • 19 golos sofridos (dez no Campeonato, sete na Champions e dois na Taça da Liga)

* época ainda a decorrer, com o FC Porto envolvido em todas as provas depois de já ter ganho a Supertaça