Desta vez não houve David que batesse o Golias e o campeão nacional FC Porto venceu mesmo o Desp. Aves, detentor da Taça de Portugal, por 3-1 no Municipal de Aveiro, conquistando assim a 21.ª Supertaça do seu palmarés – primeira desde 2013 – e desequilibrando mais a balança de poder na competição, que cumpriu este sábado a 40.ª edição, mais de metade das vezes conquistada pelos dragões e 30.ª com a presença azul e branca. Desta feita a vitória veio dos pés de Brahimi, Maxi Pereira e Corona, que marcaram os golos do triunfo azul e branco. Falcão abriu o marcador, mas os estreantes não foram capaz de repetir a façanha conseguida no Jamor, onde bateram o Sporting por 2-1, e viram mesmo a equipa mais forte levantar o troféu.

Ainda antes do jogo começar, já havia motivos de interesse. Não, não falamos do concerto de David Carreira, mas sim do anúncio do onze oficial do FC Porto, com uma confirmação e uma meia surpresa: a titularidade do central David Leite e do avançado André Pereira. O jovem central foi aposta na apresentação frente ao Newcastle e já se previa que assumisse o eixo da defesa numa parceria com o brasileiro Filipe que lhe valia a estreia oficial pelo FC Porto, enquanto o avançado que esteve emprestado ao V. Setúbal na temporada passada surge no lugar de Marega (que, ao que tudo indica, poderá estar de saída do Dragão), superando a concorrência de Tiquinho Soares, no banco de suplentes. Aliás, ainda antes do apito inicial, a habitual roda feita pela equipa do FC Porto no início e no final dos encontros teve como foco central o avançado de 23 anos, numa clara transmissão de confiança por parte da equipa campeã nacional.

Do outro lado, o Desp. Aves chegava a esta Supertaça depois de uma manutenção inédita na Primeira Liga – nunca os avenses tinham conseguido ficar duas vezes consecutivas no primeiro escalão – e aliava a isso um triunfo histórico sobre o Sporting na final da Taça de Portugal por 2-1 que valeu ao conjunto de José Mota um lugar na partida de Aveiro. Alexandre Guedes, marcador dos dois golos do Aves no Jamor, rumou a Guimarães e Derley surgia no seu lugar na frente de ataque, numa equipa que procurava entrar nesta temporada da mesma forma que acabou a anterior: com a conquista de um troféu.

Falcão inaugurou o marcador aos 14′ com um bom remate à entrada da área, depois de Luís Godinho ter intervenção inadvertida (Global Imagens)

O apito inicial de Luís Godinho trouxe um FC Porto mais agressivo, a impor um ritmo elevado nos primeiros minutos. Logo aos 4′, André Pereira progrediu bem na esquerda do ataque e serviu Aboubakar à entrada da área, com o camaronês a atirar para grande defesa do estreante Quentin Beunardeau, chegado do francês Metz. Só dava azul e branco, mas foi o Desp. Aves quem inaugurou o marcador, com o árbitro Luís Godinho à mistura: cruzamento do lado direito, corte de Diogo Leite para a entrada da área, com a bola a bater no juiz da partida e a enganar Vítor Gomes, mas a ficar à mercê de Falcão, que encheu o pé e bateu Casillas.

Os dragões protestaram uma alegada falta de Amilton sobre Brahimi no início da jogada, mas Luís Godinho validou o golo e o Desp. Aves estava na frente, aos 14 minutos. O sonho do Jamor parecia prolongar-se no Municipal de Aveiro, mas havia muito jogo pela frente. Os dragões mostravam dificuldades em organizar manobras ofensivas, com muitos passes falhados e bolas perdidas, o que permitia ao Aves jogar no meio campo adversário. Sérgio Conceição gritava para o interior do campo e parecia fazer efeito: colado à linha lateral, Brahimi recebeu a bola, fletiu para o meio e, numa tabela perfeita com Aboubakar, ficou na cara do guardião avense e finalizou com classe para o golo do empate. Tudo empatado aos 25 minutos e os dragões a chegarem ao golo numa altura onde pareciam menos esclarecidos.

Brahimi empatou aos 25′, depois de uma boa combinação com Aboubakar, e levou o marcador com 1-1 para o intervalo (Global Imagens)

O jogo estava bom, mexido e com espaço suficiente nas defesas para que oportunidades surgissem. Aos 30′, Derley obrigou Casillas a uma boa defesa para evitar que o Desp. Aves regressasse à dianteira do marcado, com um cabeceamento que desviou quase na perfeição um bom cruzamento de Rodrigo Soares. Um dos grandes responsáveis por esses rasgos e aberturas no jogo era o argelino marcador do golo azul e branco. Brahimi estava a ser um dos melhores em campo, até ao minuto 38, quando teve de sair devido a lesão. Para o seu lugar entrou Corona, com Brahimi a deixar o campo de dedo apontado a Amilton, numa indicação de que teria sido o brasileiro a lesioná-lo, num falta minutos antes.

Contratempo para o FC Porto, que voltava a tentar instalar-se no meio campo do Desp. Aves, mas esticava demasiado a manta, deixando espaço aberto nas costas da defesa e Nildo quase aproveitou com um bom remate cruzado, mas ao lado do alvo. O conjunto de José Mota estava solta em jogo, não se limitando a defender, ajudando ao espetáculo da partida. Aos 42′, seria a vez de Vítor Gomes ficar perto do 2-1, mas Diogo Leite recuperou muito bem posição e esticou-se para desviar o remate do médio avense. Dois minutos depois, foram os dragões a cheirar a vantagem, com Corona a trabalhar bem na direita antes de cruzar para o desvio do jovem central, mas a bola terminou nas mão de Beunardeau, depois de embater num defensor. Ao intervalo, o empate a uma bola mantinha-se, mas adivinhavam-se mais golos no segundo tempo.

O segundo tempo inicou-se como o primeiro, com o FC Porto a ter mais bola e mais iniciativas ofensivas, ainda que sem grande perigo para a baliza adversária. Até ao minuto 55′, em que Otávio ganha uma bola no interior da área e atira forte para Beunardeau encaixar. Os avenses procuravam a primeira vitória da história sobre os dragões e tentava sair em transições rápidas, mas a defensiva portista ia controlando as investidas. Pelo meio, Sérgio Oliveira via cartão amarelo, Herrera abria o sobrolho e tinha de ser assistido fora das quatro linhas, enquanto Sérgio Conceição recebia ordem de expulsão, depois de uma discussão calorosa com o árbitro da partida relativa ao lance entre o mexicano e Jorge Felipe, de onde o capitão portista saiu mal tratado.

Recomeçada a partida, Braga tentou aproveitar uma possível desconcentração azul e branca com um chapéu a Casillas que saiu com a aba demasiado larga e perdeu-se pela linha de fundo. Mas os campeões nacionais não se deixaram ir abaixo e rapidamente passaram para a frente do marcador: aos 66′, grande combinação entre Maxi Pereira, Sérgio Oliveira e Otávio, com o médio brasileiro a servir o lateral uruguaio, que atirou forte e pelo meio das pernas do guardião francês, com pouco ângulo. Estava feito o 2-1, por um dos dois jogadores em campo que já tinham conquistado uma Supertaça (o outro é Derley, avançado do Aves, ambos ao serviço do Benfica).

Por esta altura, o FC Porto posicionava-se com três elementos no meio campo e três na frente, enquanto o Desp. Aves colocava dois avançados à frente da linha de quatro médios. Soares entrava para o lugar de Aboubakar, dando frescura ao ataque azul e branco, já depois de Michel Douglas e Óliver Torres terem entrado para o lugar de Braga e André Pereira, respetivamente. Aos 76′, foi Otávio quem apareceu na área avense para cabecear por cima do alvo e ia sendo o FC Porto quem estava mais perto de marcar. E a ameaça transformou-se em golo: Corona recebeu a bola de Óliver à entrada da área e atirou forte e colocado para o terceiro golo dos dragões, sentenciando praticamente a partida. 

Ainda se jogaram seis minutos de compensação, mas os campeões nacionais não quebraram e mantiveram a vantagem até final, entrando com o pé direito na temporada 2018/19, levantando o primeiro troféu da época. Foi mais um para um clube que parece talhado para vencer Supertaças, tendo mais do que todos os outros clubes portugueses juntos. Este sábado foi a 21.ª. E a festa em Aveiro foi azul e branca.

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