Wyoming é um dos estados norte-americanos onde mais se sentiu a cultura dos cowboys que, para protegerem as suas famílias e o seu gado, lutaram muitas vezes contra os índios que habitavam a região antes dos colonos. Ainda hoje, neste que é um dos estados com menor densidade de habitantes, existe uma reserva de índios Shoshone e Arapaho. Mas se as batalhas contra os índios parecem ter favorecido os cowboys no século XIX, os seus descendentes anunciaram agora mais uma luta de que será difícil saírem vencedores: contra os carros eléctricos, cuja comercialização as autoridades locais pretendem banir a partir de 2035.

Para espanto geral do Governo Federal norte-americano, o estado de Wyoming anunciou não querer investir numa rede de postos de carga para veículos a bateria e muito menos promover a aquisição deste tipo de veículos, ou até mesmo substituir a frota de veículos do Estado por unidades movidas por motores eléctricos. E a razão prende-se com a defesa da indústria da extracção e refinação de crude, importante para uma região que é a 8.ª na capacidade de produção, entre os 52 estados.

Curiosamente Wyoming, que possui uma área quase três maior do que Portugal e uma população 17 vezes inferior, é igualmente o 3.º estado americano que mais depende da natureza para atrair milhões de turistas anualmente, a maioria para visitar parques naturais deslumbrantes como Yellowstone. E, tradicionalmente, são as regiões mais próximas da natureza que se batem pela defesa do ambiente.

Contudo, os cowboys deverão ter pela frente alguns entraves difíceis de ultrapassar, um dos quais se prende com a ausência de indústria (para além da petrolífera), o que significa que os habitantes locais apenas poderão adquirir veículos com motores a combustão caso algum construtor os produza. E a moda actual é os fabricantes anunciarem a descontinuação da produção de veículos com motores a combustão, não apenas por quererem proteger o ambiente, mas por estarem convencidos que os eléctricos asseguram ganhos superiores. Veja-se o que acontece na Europa, onde muitas marcas anunciaram o fim da produção de motores a gasolina, gasóleo e gás entre 2025 e 2030, muito antes do limite do prazo que foi fixado por Bruxelas em 2035. E nos EUA a situação não deverá ser muito distinta.