O Ministério da Agricultura afirmou esta quinta-feira que a psila africana dos citrinos se encontra “numa fase de grande controlo populacional”, com a luta biológica a apresentar resultados “muito positivos”, ainda que não se possa considerar a praga “como erradicada”.

“Embora com resultados muito positivos da luta biológica, não se pode considerar a praga como erradicada. Podemos confirmar que, de uma forma geral, a praga se encontra numa fase de grande controlo populacional e esperamos que, com os resultados de prospeção deste ano, possamos vir a considerar alguns locais como erradicados”, afirmou esta quinta-feira, em resposta à agência Lusa, o Ministério da Agricultura.

Considerado um organismo de quarentena na União Europeia, a psila africana dos citrinos, cientificamente designada de “Trioza erytreae”, está presente na ilha da Madeira desde 1994.

Em Portugal continental, o inseto foi detetado pela primeira vez no inverno de 2014/2015, em jardins particulares na área do Grande Porto, mais concretamente no concelho da Maia. Desde então, deslocou-se pelo litoral, tendo, em 2020, sido detetado a sul do rio Tejo e, em 2021, chegado ao Algarve.

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Desde 2019 que tem vindo a ser executado em Portugal um controlo biológico da psila africana dos citrinos recorrendo a um inseto parasitoide, a “Tamarixia dryi”, através de largadas que ocorrem “todas as semanas” entre a primavera e outono.

Investigadora diz que psila africana “está controlada” e “não é um problema” a Norte

As largadas são realizadas pelas Direções Regionais de Agricultura e Pescas (DRAP) nos territórios abrangidos pelas zonas demarcadas para a psila africana dos citrinos, sob a coordenação da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e em colaboração com o Instituto Superior de Agronomia, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve e Instituto Politécnico de Bragança.

“O plano de controlo biológico mostra resultados muito positivos com quebras muito significativas da população da praga, registando-se elevadas taxas de parasitismo, e em muitos locais as populações da praga reduziram muito significativamente”, adianta a tutela.

Com provável origem na Eritreia, país no nordeste africano, o inseto é vetor da “Candidatus liberibacter”, uma bactéria letal para os citrinos e agente causal da “Citrus greening”, considerada a doença “mais devastadora” dos citrinos.

À Lusa, o Ministério da Agricultura afirmou que, apesar da bactéria ainda não ter sido detetada em território português, nem na União Europeia, “a presença de um dos seus vetores [de como é exemplo a psila africana dos citrinos] é causa de grande preocupação”.

“Caso se venha a detetar uma planta positiva, a transmissão para plantas sãs pode ser facilmente concretizada através destes insetos vetores”, refere a tutela, adiantando que, além do programa de prospeção de insetos vetores, a DGAV coordena o programa nacional de prospeção para a bactéria.

Na quarta-feira, em declarações à Lusa, uma investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto adiantou que a psila africana dos citrinos “está controlada” pelo seu parasita e já “não é um problema” na região Norte.

“Aquilo que poderia ser um problema ficou resolvido. Neste momento, a psila africana dos citrinos não é um problema porque está controlada”, afirmou Ana Aguiar, acrescentando que o inseto e o seu parasitoide estão “num equilíbrio dinâmico e sempre a níveis baixos”.

“Hoje em dia é difícil encontrar a psila porque está controlada pelo parasitoide. Mas existe, e é bom que exista a quantidade suficiente [do inseto] para manter o parasitoide vivo”, esclareceu a investigadora no centro GreenUPorto.

Ana Aguiar destacou, ainda, que neste momento importa “não aplicar inseticidas” nos citrinos, isto porque “matam o parasitoide”, pondo em causa todo o trabalho desenvolvido pelas autoridades no controlo da praga.

Apesar de este inseto afetar visivelmente os citrinos, não afeta os seus frutos, que podem ser comercializados, ao contrário da planta em si, que nas zonas demarcadas e zonas tampão obedece a critérios estabelecidos pela DGAV.