A conquista do Euro 2020, à boleia da parceria fraternal entre Roberto Mancini e Gianluca Vialli, deixou-nos a acreditar que a melhor versão do futebol italiano tinha regressado. O falhanço no apuramento para o Mundial do Qatar, com uma queda do precipício no playoff decisivo com a Macedónia do Norte, deixou-nos a acreditar que tudo poderia ter sido conjuntural. A temporada que está agora a chegar ao fim, porém, deixa-nos a acreditar que existiu mesmo um clique.

Na Liga Conferência, a Fiorentina pode chegar à final. Na Liga Europa, Roma e Juventus podem chegar à final. Na Liga dos Campeões, AC Milan e Inter Milão podiam chegar à final. Em resumo? Itália corre o extraordinário risco de ter um representante em cada uma das três finais europeias, podendo mesmo ter um jogo totalmente transalpino na Liga Europa e sabendo desde logo que um finalista da Liga dos Campeões estava já garantido.

Sem Leão, o AC Milan foi presa fácil: Inter marca dois golos em três minutos e adianta-se na meia-final da Liga dos Campeões

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Finalista esse que ficava definido esta quarta-feira, com a segunda mão da meia-final entre AC Milan e Inter Milão. Os dois rivais do norte de Itália reencontravam-se uma semana depois de o Inter ter vencido o AC Milan com dois golos sem resposta — ou seja, reencontravam-se para um jogo de resiliência para uns e um jogo de sobrevivência para outros. E ambos os treinadores, Stefano Pioli de um lado e Simone Inzaghi do outro, tinham noção disso mesmo.

Desprovido de Rafael Leão na primeira mão, já que o avançado português estava lesionado, o técnico do AC Milan não dava garantias mas garantia que o jogador estava a sentir-se melhor. “O Rafael Leão está melhor, definitivamente. Tanto ele como o Krunic e o Junior Messias devem ser convocados. Se tudo correr bem vão a jogo. Começámos em desvantagem, mas sabemos que temos qualidades para dar a volta à situação. Quem pratica desporto a um certo nível sabe que os jogos só acabam quando acabam mesmo e que é possível fazer proezas. O Inter é uma equipa forte, se nos apresentarmos a um nível elevado vamos dar luta. Temos de aumentar a qualidade. O jogo é longo, temos de começar bem, mantermo-nos dentro do jogo e estar preparados para explorar os erros deles, porque cometem alguns. O Inter vai sofrer algum golo”, explicou o treinador dos rossoneri, que no fim de semana perderam em casa do Spezia para a Serie A.

Do outro lado, Inzaghi sublinhava a importância do espírito de equipa. “Precisamos de ter a cabeça fria e o coração quente. Temos de permanecer juntos. Sei que sou repetitivo, mas não existe outra maneira. Todos sabemos a importância deste jogo e vamos enfrentá-lo todos juntos. Sabemos que temos uma vantagem merecida, mas também sabemos que ainda faltam 90 minutos mais os descontos e que temos de enfrentar isso em conjunto. Temos de ser compactos e cobrir cada área do campo, assim como aconteceu na primeira mão. Temos de jogar o nosso jogo, sem pensar no resultado da primeira mão. Tentar jogar o nosso jogo desde o início e ter noção de que estamos a defrontar uma equipa de qualidade, não é por acaso que foram campeões na época passada e que estão na meia-final da Liga dos Campeões”, atirou o treinador do Inter, que no fim de semana goleou o Sassuolo em casa.

Ora, neste contexto, Rafael Leão voltava mesmo à titularidade e apoiava Giroud em conjunto com Brahim Díaz e o também recuperado Junior Messias. Do outro lado, Barella, Çalhanoglu e Mkhitaryan surgiam no meio-campo, com Dumfries e Dimarco a serem os responsáveis pelas alas e Lautaro e Dzeko a ocuparem o setor ofensivo. O marcador só agitou já nos minutos finais, com Lautaro a engrossar a vantagem do Inter Milão com um pontapé cruzado com assistência do já lançado Lukaku (74′), e não existiram grandes questões sobre que equipa italiana estaria na final.

No fim, o Inter Milão voltou a vencer o AC Milan e carimbou a presença na final da Liga dos Campeões 13 anos depois, ficando agora à espera de saber se será Manchester City ou Real Madrid o adversário no jogo decisivo de Istambul. E Lautaro, naturalmente, foi o provável herói de uma equipa de Simone Inzaghi que excedeu as expectativas de praticamente todos.