Um relatório, tornado público esta terça-feira pelo procurador-geral do estado do Illinois (nos EUA), revela que quase dois mil menores foram abusados sexualmente por pessoas ligadas à Igreja Católica. Trata-se de um número quatro vezes superior àquele que tinha sido avançado quando as investigações aos abusos começaram, neste estado, antes de 2018, escreve o New York Times.
Os abusos, que terão sido perpetrados desde 1950 nas seis dioceses do estado, foram cometidos por 451 pessoas ligados à Igreja Católica, nomeadamente padres, avança o relatório. Tal como o número de vítimas, o de abusadores também foi revisto em alta, tendo sido acrescentados mais 149 à lista inicial, maioritariamente membros de irmandades religiosas.
No relatório, com quase 700 páginas, conta-se o caso de Thomas Francis Kelly, um padre que abusou de mais de 15 menores, com idades entre 11 e 17 anos, em várias paróquias nas décadas de 1960 e 1970. As práticas deste padre chegaram ao conhecimento das autoridades através do testemunho de um homem que, quando tinha 11 anos, foi convidado por Thomas Francis Kelly para ver filmes filmes em drive-ins (dentro de um carro) e também para passar a noite na escola, onde o padre lhe fez sexo oral. Também outras duas vítimas do padre Kelly partilharam experiências semelhantes com os investigadores.
O relatório, que é agora apresentado pelo procurador-geral do Illinois Kwame Raoul, foi iniciado ainda por Lisa Madigan, sua antecessora no cargo. Madigan identificou, no início de investigação, uma diferença significativa entre o número de membros da Igreja Católica que haviam sido denunciados (e cuja suspeita era considerada credível) e o número, muito menor, divulgado pela igreja.
Ainda antes da divulgação deste relatório, o Cardeal Blase J. Cupich, arcebispo de Chicago (a maior cidade do estado), tinha dito que a Igreja Católica do Illinois “tem estado na vanguarda a lidar com o abuso sexual de menores”.
Ainda assim, o documento reconhece que muitas das vítimas não poderão avançar com processos criminais e ações civis contra os abusadores porque muitos já morreram ou porque já foram ultrapassados os prazos legais para iniciar uma acusação. Em relação a este último ponto, o Illinois, e ao contrário de estados como a Califórnia ou Nova Iorque, não aprovou nenhuma legislação que permita estender a janela temporal que permite a apresentação de queixa por crimes cometidos, em muitos casos, há mais de 50 anos.