António Costa Silva, ministro da Economia, e João Nuno Mendes, secretário de Estado das Finanças, deram uma conferência de imprensa na quarta-feira para anunciar a escolha do fundo alemão Mutares para as negociações finais para ficar com a Efacec. Os pormenores não ficaram conhecidos.

Este sábado, segundo os excertos da entrevista a Pedro Cilínio, secretário de Estado da Economia, divulgados pelo Jornal de Negócios e Antena 1, este governante assume que a recuperação da Efacec pela Mutares deve levar três a cinco anos. E será nessa altura que o Estado conseguirá recuperar o dinheiro injetado na empresa industrial.

“Se a Mutares vender a Efacec antes desse prazo é porque a recuperação correu melhor do que aquilo que estávamos à espera. Aquilo que corresponde ao período de venda tem a ver com o período em que há uma expectativa de que a empresa passe a ter indicadores de rentabilidade económica positivos que são esses que permitem que a venda da Efacec seja feita por um valor interessante. Vender a Efacec com rentabilidade negativa significaria que o mercado não iria pagar o valor potencial que a Efacec tem. Esta partilha de risco é importante, porque se o processo correr bem tanto a Mutares como o Estado ganham, uma vez que recuperam os valores que introduziram com rentabilidade”, diz o secretário de Estado. António Costa Silva tinha dito na conferência de imprensa que não havia prazo para a Mutares sair da Efacec e que estava a ser construído um modelo de compensação ao Estado “inovador” e que tinha a ver com a partilha de valor perante a recuperação da empresa.

O secretário de Estado revela este dado novo, ainda que diga que “não conheço em detalhe as cláusulas”. Não revelou, também, o montante da venda nem a injeção necessária da empresa, por estarem ainda a ser ultimado o contrato final, que ainda está dependente, como disse Costa Silva, de algumas condições. Mas Pedro Cilínio garante que a proposta da Mutares era a que garantia maior rentabilidade.

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Face às poucas respostas dadas pelo Governo sobre o modelo de venda da Efacec, o PSD já chamou de urgência ao Parlamento o Executivo. O debate de urgência realiza-se na quarta-feira, 14 de junho. Pedro Cilínio justifica a divulgação feita — sem o contrato fechado — com a pretensão de “evitar que essa informação pudesse aparecer na imprensa e criar ruído no processo negocial”, dizendo ainda que se não o tivessem feito “estaríamos a ser acusados de não estar a divulgar”.

O Governo divulgou na quarta-feira, 7 de junho, ter escolhido a Mutares para a Efacec, mas o Eco e o Negócios já tinham divulgado a informação uma semana antes.

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Pedro Cilínio garante também que a escolha da Mutares deve-se ao facto de ter sido a proposta “mais competitiva e aquela que traduzia maior potencial de recuperar do investimento do Estado”. E era a proposta que garantia que a empresa não seria partida e que vai manter a capacidade de engenharia. A Mutares comprometeu-se a dar continuidade aos dois projetos em que a Efacec está envolvida no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), garantiu o secretário de Estado.

Bruxelas está a analisar o dossier. E essa é uma das condições que falta cumprir, além da negociação com credores.

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