A advogada russa Elena Ponomareva foi esta quinta-feira atacada com um líquido verde enquanto estava na paragem de autocarro, segundo noticia o jornal El Mundo. Um mês antes, a 4 de julho, uma jornalista russa Elena Milashina tinha também sido atingida com zelyonka, o famoso “líquido verde” que é vendido nas farmácias e drogarias russas. Em comum, como outras vítimas deste ataque, afrontarem (ou criticarem) ao regime de Vladimir Putin.

O novo ataque engrossou a lista de advogados, jornalistas e opositores do regime russo que já foram atacados pelo “líquido verde brilhante”. A zelyonka é uma substância antisséptica que apresenta um perigo muito elevado de possível perda de visão, sendo também muito difícil removê-la da pele. Aliás, a eliminação total da substância pode levar até uma semana e exige uma substância específica para a remoção ter êxito.

Elena Ponomareva já tinha sido anteriormente ameaçada com fotografias dos seus familiares e foi derramada tinta no seu carro, segundo noticia o jornal El Mundo. A advogada russa desconfia que o ataque possa estar relacionado com o caso do juiz Sergei Kotov, que foi detido por ter aceite ser subornado.

Os dois suspeitos do ataque a Ponomareva foram detidos, ambos residentes em São Petersburgo, segundo relatos confirmados pela polícia de Moscovo ao El Mundo.

O caso de Ponomareva com o rosto e os braços tingidos de verde veio relembrar o que aconteceu no dia 4 de junho, quando a jornalista russa Elena Milachina do jornal Navaya Gazeta foi hospitalizada depois de ter sido violentamente espancada com pontapés, incluindo na cara, e ameaçada de morte com uma arma apontada à cabeça, inclusive ficou com os dedos partidos e os agressores raparam-lhe o cabelo.

▲ Elena Milachina ficou com os dedos partidos e os agressores raparam-lhe o cabelo

Alexei Navalny, uma das principais vozes da oposição a Vladimir Putin e que atualmente se encontra preso, também foi vítima de ataques com o “líquido verde”. Em abril de 2017, Navalny foi pulverizado com zelyonka, a substância que lhe provocou uma queimadura química no olho e que o levou à sala de operações, segundo a BBC. Na altura a fotografia do opositor político com a cara pintada de verde espalhou-se rapidamente pelas redes sociais e foi utilizada simbolicamente como forma de oposição ao regime russo.

▲ Alexei Navanly também foi uma das vítimas do "líquido verde"

Já antes, Navalny tinha sofrido um ataque desta natureza. A 19 de março desse ano, Alexei Navalny também tinha sido pulverizado com esta mistura de corante e antisséptico à saída da sede de campanha em Barnaul, na Sibéria.

Outra das vítimas foi o ex-primeiro ministro russo, MikhailKasyanov, que ficou pintado de verde durante uma manifestação para assinalar o assassinato do ativista da oposição russa Boris Nemtsov, que foi morto a tiros no centro de Moscovo na noite de 27 de fevereiro de 2015. Em outubro, o Tribunal Militar de Moscovo abriu o julgamento dos cinco chechenos acusados ​​de atirar em Nemtsov, o político mais importante assassinado desde que Putin chegou ao poder em 1999.

▲ O ex primeiro-ministro Mikhail Kasyanov atacado durante a manifestação de para assinalar o assassinato do ativista da oposição russa Boris Nemtsov

TATYANA MAKEYEVA