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Foi uma noite de ataques de parte a parte entre Moscovo e Kiev. O Kremlin continuou a estratégia da última semana ao continuar a atacar depósitos de cereais em território ucraniano — desta vez os alvos incidiram em Odessa e no Rio Danúbio.
A Ucrânia acusou ainda a Rússia de um ataque à maior catedral ortodoxa de Odessa, património da UNESCO e que destruiu grande parte do edifício. Moscovo, por sua vez, negou o ataque, com o porta-voz do Kremlin a culpar os danos nos sistemas de defesa ucranianos.
Na capital russa, Moscovo disse ter “neutralizado” dois drones ucranianos, durante a noite em Moscovo, frustrando um “ato terrorista” da Ucrânia. O Ministério dos Negócios Estrangeiros já veio dizer que a Rússia se reserva o direito de “retaliar” por este ataque;
Volodymyr Zelensky diz que negociações para aderir à União Europeia vão começar “este ano”
Eis um resumo dos outros acontecimentos que marcam o 516.º dia da invasão:
O que se passou durante a noite?
- A Casa Branca voltou a afirmar que não apoia ataques ucranianos dentro do território russo, na sequência das denúncias do Kremlin sobre um alegado ataque ucraniano com drones. Fonte da Defesa ucraniana confirmou que as forças de Kiev foram as autoras do ataque;
- O governo norte-americano irá enviar mais 400 milhões de dólares (cerca de 361,5 milhões de euros) em ajuda militar extraordinária para a Ucrânia;
- Volodymyr Zelensky está convicto de que as negociações para a entrada da Ucrânia na União Europeia (UE) vão começar ainda este ano. “Este ano vamos começar as negociações para a adesão. A Ucrânia está totalmente preparada para tal — estamos a fazer tudo o que é necessário do nosso lado”, declarou o Presidente ucraniano no seu discurso noturno;
- O trânsito esteve cortado durante cerca de três horas na ponte de Kerch, que liga a península anexada da Crimeia ao território russo. Não foi oferecida qualquer razão para o bloqueio;
- Os Estados Unidos sancionaram três responsáveis do Mali que trabalharam “em estreita colaboração” com o grupo paramilitar russo Wagner;
O que se passou durante a tarde?
- Uma criança morreu e sete pessoas ficaram feridas na sequência de um ataque russo no leste da Ucrânia, revelou o governador ucraniano da região de Donetsk;
- O Kremlin acusou a Ucrânia pela morte de um jornalista russo em Zaporíjia, num ataque de artilharia onde, diz o Kremlin, terão sido usadas as polémicas bombas de fragmentação;
- O ex-Presidente da Rússia e atual vice-presidente do Conselho de Segurança do país Dimitri Medvedev aconselhou o Kremlin a escolher “alvos não convencionais” para os seus ataques, argumentando que a Rússia não deve limitar-se a atingir “armazéns, centrais de energia ou depósitos de petróleo”;
- A China rejeitou acusações de um conselheiro presidencial francês sobre prestar assistência militar não letal à Rússia, no mesmo dia em que uma investigação do site Politico revela compras russas de equipamento militar chinês;
- O Presidente ucraniano criticou o bloqueio à exportação de cereais ucranianos através da União Europeia (UE) e considerou que prolongar a proibição, que termina a 15 de setembro, é “inaceitável”;
- O Serviço Federal de Segurança (FSB) russo disse ter encontrado vestígios de explosivos num navio que viajava da Turquia para um porto na Rússia;
- Cerca de 30 navios pararam ao redor do porto de Izmail, um dos mais importantes portos ucranianos no rio Danúbio;
- Vladimir Putin e Alexander Lukashenko, rezaram pelos soldados russos mortos na guerra da Ucrânia, durante a sua visita a um mosteiro ortodoxo na região da Carélia, noroeste da Rússia;
- O governo russo decidiu aumentar a idade máxima para militares na reserva. A lei aumenta esse limite em cinco anos para algumas categorias militares, como soldados e sargentos;
- O ex-chefe militar da região de Odessa foi detido pelo Departamento de Investigação do Estado ucraniano, sob suspeita de “enriquecimento ilegal de centenas de milhões de hryvnias [moeda ucraniana] e incumprimento deliberado do dever”.
O que se passou durante a manhã?
- Um civil foi morto e outro ferido por bombardeamentos ucranianos na cidade de Kherson, de acordo com a agência estatal russa Tass;
- Moscovo acusou ainda Kiev de tentar lançar um ataque com pelo menos 17 drones em direção à Crimeia durante a noite;
- Um depósito de armas na Crimeia foi atingido por um drone ucraniano esta segunda-feira de manhã;
- A Ucrânia fez 57 tentativas para bombardear a região de Zaporíjia, afirmou o governador pró-russo da região;
- A Ucrânia vai compartilhar um relatório sobre o uso de munições de fragmentação com os EUA esta semana, de acordo com o ministro da Defesa, Oleksii Reznikov;
- O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, prometeu aos países africanos que vai continuar a fornecer cereais apesar das sanções impostas a Moscovo;
- Todas as escolas na Rússia vão ensinar crianças a operar drones de combate, afirma o mais recente boletim do ministério da Defesa do Reino Unido.