Uma cirurgia, nove ciclos de imunoterapia e congelamento dos óvulos. Megan Royle esteve dois anos a lutar contra o cancro da pele. Tudo para, no fim, descobrir que nunca o tinha tido.

A cidadã britânica de East Yorkshire, Inglaterra, tinha apenas 29 anos quando se apercebeu de um sinal estranho no seu braço, que começou a aumentar substancialmente de tamanho e a dar comichão. Decidiu, então, consultar um dermatologista, no hospital de Chelsea and Westminster Hospital, que lhe fez uma biopsia.

Em 2019, recebeu a pior notícia que podia ouvir: tinha sido diagnosticada com um melanoma, um tipo de cancro da pele. Acabou por ser encaminhada para o Royal Marsden Hospital, onde ouviu uma segunda opinião, que acabou por confirmar a primeira.

Megan Royle, uma maquilhadora de teatro, aceitou começar logo com os tratamentos para se curar. Primeiramente, foi submetida a uma cirurgia, tendo removido o alegado tumor e os tecidos evolventes, que mediam aproximadamente dois centímetros, segundo a Sky News. Depois, preparou-se para iniciar os tratamentos de imunoterapia, mas, antes, aconselharam-na a congelar os óvulos, pois podiam ser afetados durante os procedimentos. E ela seguiu a recomendação.

Braço de Meghan após a cirurgia

Fez nove ciclos de imunoterapia, para, em maio de 2021, poder gritar que estava livre do cancro. O que não sabia é que sempre tinha estado.

A revelação, no entanto, foi feita poucos meses depois, após ter-se mudado para o norte de Inglaterra, à procura de melhores condições de carreira, que foi extremamente afetada pelo confinamento da Covid-19.

Numa ida ao hospital, para perceber se estava tudo bem e se o tumor não tinha voltado, um médico olhou com atenção para os seus registos e exames. E Megan não conseguiu conter o “completo choque” quando este lhe disse que tinha sido mal diagnosticada pelos outros dois estabelecimentos de saúde.

“Quando os médicos me pediram para sentar e me disseram, demorei algum tempo a processar”, revelou à Sky News. “Seria de esperar que a primeira emoção fosse de alívio — e foi, em parte —, mas diria que os maiores sentimentos foram de frustração e de raiva“, confessou.

Megan acrescentou ainda que “há algum tempo que não se sentia num lugar feliz” e que, na altura em que lhe foi recomendado o congelamento dos óvulos, “não hesitou em fazê-lo” porque ter filhos era algo que tinha pensado para o futuro.

A raiva que a maquilhadora sentia dentro de si levou-a a consultar a empresa Hudgell Solicitors, especializada em casos de negligência médica. E, mais de três anos depois de ter sido mal diagnosticada, conseguiu chegar a um acordo com os dois hospitais do sistema nacional de saúde britânico (NHS, na sigla inglesa) e receber uma indemnização.

“A Megan foi erradamente diagnosticada com cancro da pele, algo que obviamente teve um impacto psicológico significativo nela, dada a sua tenra idade”, apontou o advogado, Matthew Gascoyne.

Meghan Royle no hospital

“Queremos deixar as nossas sinceras desculpas a Megan Royle, pela angústia causada pela sua experiência na nossa instituição e ficamos agradados por ter sido feito um acordo”, disse o porta-voz do The Royal Marsden.

“Lamentamos profundamente o stress causado à Sra Royle e pedimos desculpa pelo erro. Sabemos que nenhum acordo vai apagar o impacto que isto teve, mas estamos satisfeitos com a resolução”, declarou o porta-voz do North West London Pathology.