Joaquim Miranda Sarmento, líder parlamentar do PSD, desvaloriza as sondagens e considera que se está a “sobrevalorizar estudos de opinião” e que “três meses de campanha vão mudar muita coisa”.
Em entrevista ao Observador, a partir do Congresso do PSD, em Almada, Miranda Sarmento apontou diretamente a Pedro Nuno Santos, o mais provável vencedor das eleições internas do PS, dizendo acredito que os portugueses vão penalizar o socialista.
“Como é que alguém que há menos de um ano se demitiu [de ministro das Infraestruturas] por uma trapalhada enorme pode ser primeiro-ministro?”, interrogou, alegando que Pedro Nuno Santos é visto como “alguém irresponsável” nos processos da TAP e do aeroporto, e como alguém que faltou à palavra no caso “da indemnização [de Alexandra Reis], que autorizou de forma leviana”.
O presidente do grupo parlamentar do PSD, questionado sobre uma situação de ingovernabilidade que pode resultar das próximas eleições legislativas, disse que era preciso perguntar ao “PS se está disposto a repetir geringonça com partidos de extrema-esquerda”. “Os portugueses tomarão uma decisão no dia 10 de março, se querem mudar de rumo e corrigir rota de empobrecimento e caos só há uma alternativa para governar Portugal”, afirma.
E questionado sobre os riscos de uma aproximação entre PSD e Iniciativa Liberal, que têm sido usada como arma de arremesso por Pedro Nuno Santos, Miranda Sarmento devolveu a provocação: “A rampa deslizante existe do lado de Pedro Nuno Santos, que se apresenta com vestes de social-democrata quando é um radical esquerdista e se puder vai fazer uma coligação com partidos de esquerda”.
Sobre o Orçamento do Estado retificativo que será apresentado pelo PSD caso Luís Montenegro chegue a chefe de Governo, Miranda Sarmento explica que serão feitos “ajustes” ao nível fiscal e das despesas públicas para começar a aplicar o programa eleitoral, mas sem concretizar mais.
Miranda Sarmento, questionado sobre a promessa de que o PSD não baixará pensões, recorda que esse corte foi negociado com o PS e garante: “Não estamos numa situação de emergência financeira como estivemos em 2011. Há uma absoluta garantia de que pensões não serão cortadas e cumpriremos promessa de aumento. Vamos ter de ter discussão sobre a [reforma da] Segurança Social sabendo que pensões atuais são intocáveis”.