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Paredes destruídas, caixas de cartão rasgadas, pedras partidas, manequins com membros a menos e pó espalhado por toda a parte. A nova campanha da Zara representava um autêntico cenário de guerra, para mostrar uma peça alegadamente inspirada na “alfaiataria masculina dos séculos passados”. E não demorou muito para que os cidadãos pró-Palestina a comparassem com a que está a acontecer no Médio Oriente e exigissem um “boicote”.
Após a hashtag “BoycottZara” ter ficado viral nas redes sociais e de a marca espanhola, a mais conhecida do grupo Inditex, ter sido “obrigada” a retirar a campanhaTheJacket, divulgada a 7 de dezembro, do seu website, esta veio lamentar “o mal-entendido” que levou os utilizadores a pensar que estava a tentar recriar Gaza.
Zara is getting the Starbucks treatment ???? pic.twitter.com/cM2gDW65Kr
— missfalasteenia (@missfalsteenia) December 11, 2023
“Depois de ouvir os comentários sobre a última campanha da Zara Atelier, gostaríamos de partilhar o seguinte com os nossos clientes”, começou por escrever, numa publicação no Instagram. “A campanha, que foi concebida em julho e fotografada em setembro, apresenta uma série de imagens de esculturas inacabadas no estúdio de um escultor e foi criada com o único objetivo de mostrar peças de vestuário feitas à mão num contexto artístico”.
“Infelizmente, alguns clientes sentiram-se ofendidos com estas imagens, que foram agora retiradas, e viram nelas algo muito diferente do que se pretendia quando foram criadas”, continuou a marca fundada em 1975 e sediada em Arteixo, na Corunha. “A Zara lamenta este mal-entendido e reafirma o seu profundo respeito por todos”, terminou.
Apesar da justificação, os utilizadores disseram continuar sem perceber como é que “só agora é que a marca se apercebeu” do conteúdo “desumano” que criou, como expressam nos comentários da publicação.
Em causa está não só o cenário em que a modelo Kristen McMenamy foi fotografada, por Tim Walker, como a escolha das próprias poses. Numa delas, aparece a agarrar num manequim enrolado num lençol branco, que remeteu as pessoas para uma fotografia de uma mãe a abraçar um corpo, que aparentava ser do filho morto.
I don’t believe anyone in branding or marketing saw the wrapped statue in that Zara photo shoot and didn’t think of this. But even if it was a mistake – you’re not aware enough of current affairs to be working in marketing you approved it through ignorance. This image is searing pic.twitter.com/jYlNBCJUjg
— Seána (@GrantSana) December 11, 2023
“Será que a Zara vai enfrentar quaisquer consequências da sua campanha nojenta no que diz respeito aos seus franchisings no Médio Oriente? Eles ganham muito dinheiro connosco. E certamente que isto não é uma coincidência”, questionou Lubna Hamdan, a fundadora da revista Frankly, sediada no Dubai, numa publicação no X, antigo Twitter.
Will Zara face any consequences of its disgusting campaign when it comes to its franchises in the Middle East? They make a lot of ???? from us. And surely this is no coincidence. pic.twitter.com/tJYjEMA5wJ
— Lubna Hamdan (@LubnaHamdan0) December 11, 2023
Esta não é a primeira vez que a marca se envolve numa polémica, no que diz respeito a comentários sobre a Palestina. Desta vez, foi por alegadamente ter desenhado um cenário que remete aos acontecimentos que tiveram início a 7 de outubro, quando o Hamas atacou Israel e fez 240 reféns. Já em 2021, foi quando a designer Vanessa Perilman insultou o modelo palestiniano Qaher Harhash, após este ter manifestado publicamente o seu apoio a Gaza.
“Se o vosso povo fosse educado, talvez não rebentasse com os hospitais e escolas que Israel ajudou a pagar em Gaza”, disse, de acordo com as capturas de ecrã das mensagens enviadas ao modelo, que foram publicadas pelo próprio.
As pessoas da minha indústria sabem a verdade sobre Israel e a Palestina e NUNCA deixarei de defender Israel. Os israelitas não ensinam as crianças a odiar nem atiram pedras aos soldados, como a vossa gente faz”, atacou, citado pelo The Cut.
Após ter visto as suas palavras serem alvo de ódio na internet, a designer pediu desculpas ao modelo, tendo dito: “Lamento imenso. Espero sinceramente que me possas perdoar.”