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Zara pede desculpa por "mal-entendido" causado por nova campanha, acusada de recriar cenário de guerra em Gaza

Este artigo tem mais de 2 anos

A marca espanhola lamentou o "mal-entendido" e justificou que a campanha foi desenhada em julho e fotografada em setembro, com o "único objetivo de mostrar peças de vestuário feitas à mão".

Imagem da campanha da ZARA retirada do Instagram, antes de ter sido apagada pela empresa
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▲Imagem da campanha da ZARA retirada do Instagram, antes de ter sido apagada pela empresa

▲Imagem da campanha da ZARA retirada do Instagram, antes de ter sido apagada pela empresa

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Paredes destruídas, caixas de cartão rasgadas, pedras partidas, manequins com membros a menos e pó espalhado por toda a parte. A nova campanha da Zara representava um autêntico cenário de guerra, para mostrar uma peça alegadamente inspirada na “alfaiataria masculina dos séculos passados”. E não demorou muito para que os cidadãos pró-Palestina a comparassem com a que está a acontecer no Médio Oriente e exigissem um “boicote”.

Após a hashtag “BoycottZara” ter ficado viral nas redes sociais e de a marca espanhola, a mais conhecida do grupo Inditex, ter sido “obrigada” a retirar a campanhaTheJacket, divulgada a 7 de dezembro, do seu website, esta veio lamentar “o mal-entendido” que levou os utilizadores a pensar que estava a tentar recriar Gaza.

“Depois de ouvir os comentários sobre a última campanha da Zara Atelier, gostaríamos de partilhar o seguinte com os nossos clientes”, começou por escrever, numa publicação no Instagram. “A campanha, que foi concebida em julho e fotografada em setembro, apresenta uma série de imagens de esculturas inacabadas no estúdio de um escultor e foi criada com o único objetivo de mostrar peças de vestuário feitas à mão num contexto artístico”.

“Infelizmente, alguns clientes sentiram-se ofendidos com estas imagens, que foram agora retiradas, e viram nelas algo muito diferente do que se pretendia quando foram criadas”, continuou a marca fundada em 1975 e sediada em Arteixo, na Corunha. “A Zara lamenta este mal-entendido e reafirma o seu profundo respeito por todos”, terminou.

Apesar da justificação, os utilizadores disseram continuar sem perceber como é que “só agora é que a marca se apercebeu” do conteúdo “desumano” que criou, como expressam nos comentários da publicação.

Em causa está não só o cenário em que a modelo Kristen McMenamy foi fotografada, por Tim Walker, como a escolha das próprias poses. Numa delas, aparece a agarrar num manequim enrolado num lençol branco, que remeteu as pessoas para uma fotografia de uma mãe a abraçar um corpo, que aparentava ser do filho morto.

“Será que a Zara vai enfrentar quaisquer consequências da sua campanha nojenta no que diz respeito aos seus franchisings no Médio Oriente? Eles ganham muito dinheiro connosco. E certamente que isto não é uma coincidência”, questionou Lubna Hamdan, a fundadora da revista Frankly, sediada no Dubai, numa publicação no X, antigo Twitter.

Esta não é a primeira vez que a marca se envolve numa polémica, no que diz respeito a comentários sobre a Palestina. Desta vez, foi por alegadamente ter desenhado um cenário que remete aos acontecimentos que tiveram início a 7 de outubro, quando o Hamas atacou Israel e fez 240 reféns. Já em 2021, foi quando a designer Vanessa Perilman insultou o modelo palestiniano Qaher Harhash, após este ter manifestado publicamente o seu apoio a Gaza.

“Se o vosso povo fosse educado, talvez não rebentasse com os hospitais e escolas que Israel ajudou a pagar em Gaza”, disse, de acordo com as capturas de ecrã das mensagens enviadas ao modelo, que foram publicadas pelo próprio.

As pessoas da minha indústria sabem a verdade sobre Israel e a Palestina e NUNCA deixarei de defender Israel. Os israelitas não ensinam as crianças a odiar nem atiram pedras aos soldados, como a vossa gente faz”, atacou, citado pelo The Cut.

Após ter visto as suas palavras serem alvo de ódio na internet, a designer pediu desculpas ao modelo, tendo dito: “Lamento imenso. Espero sinceramente que me possas perdoar.”

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