O primeiro-ministro português criticou todos os responsáveis, incluindo o Presidente norte-americano, Donald Trump, pelo prejuízo “absurdo” que a economia global e nacional está a sofrer devido à escalada do preço dos combustíveis penalizada pelo conflito no Médio Oriente

Luís Montenegro cumpre, esta quarta-feira, em Nova Iorque o segundo de três dias de uma visita oficial aos Estados Unidos para participar na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), e começou a agenda com um encontro de cerca de meia hora com o secretário-geral da organização, o português António Guterres.

No final, foi questionado pela comunicação social sobre qual o alinhamento político de Portugal com a administração norte-americana, começando por dizer que, “mais do que fazer umas apreciações e entrar em debates polémicos sobre o que se diz neste dia ou naquele”, Portugal deseja resultados positivos, como o acordo de segurança assinado entre EUA, Dinamarca e Gronelândia.

Questionado sobre quem visava quando referiu, na semana passada, que a via seguida no conflito no Médio Oriente era EUA e Irão “era um caminho estúpido”, Montenegro disse tratar-se de “uma crítica geral a todos, àqueles que não têm capacidade de superar este bloqueio ao desenvolvimento global”.

Instado a concretizar se essa crítica inclui o chefe de Estado norte-americano, Montenegro respondeu afirmativamente.

“Inclui todos, isto é um absurdo, nós estamos todos a ser prejudicados, estamos todos a ser penalizados, estamos todos a contribuir para que o ambiente, a atmosfera social e económica à volta do mundo seja mais pesado e que as dificuldades apareçam na vida das pessoas, na vida das empresas, na vida das instituições e das organizações também”, disse.

O primeiro-ministro deixou um apelo ao sentido de responsabilidade geral “que integra todos, não deixa ninguém de fora”.

“Aqui não há exceções, somos todos chamados, as partes envolvidas e as partes que podem ter uma intervenção, a dar o nosso contributo. O meu desejo é que se aproveitem todas as iniciativas que estão em curso de restabelecer um memorando de entendimento que possa servir os interesses das partes conflituantes”, disse, referindo-se quer ao conflito no Médio Oriente, mas também à guerra na Ucrânia.

Montenegro: Guterres é “a grande referência moral das nações”

O primeiro-ministro considerou ainda que o secretário-geral das Nações Unidas é, atualmente, “a grande referência moral das nações”, afirmando que, se a organização tem falhado nos seus objetivos, “não é por falta de esforço” de António Guterres.

No final, classificou o encontro de “muito interessante e importante” para fazer uma avaliação da fase final do mandato do secretário-geral António Guterres, que termina em dezembro dez anos à frente da ONU, quase coincidindo com o início de funções de Portugal como membro não permanente do Conselho de Segurança nos próximos dois anos, em janeiro.

“Quero aqui destacar que o secretário-geral das Nações Unidas, o engenheiro António Guterres, é mesmo hoje a grande referência moral das nações e da concertação das nações a nível mundial, pelo esforço que tem feito para garantir o cumprimento do direito internacional, da Carta das Nações Unidas, do direito humanitário”, afirmou, enaltecendo a sua preocupação também com “os grandes desafios da humanidade para o futuro”, como a transição climática, energética ou o desenvolvimento de todas as regiões.

Montenegro defendeu ser necessário sensibilizar os líderes políticos “para a necessidade de construírem pontes e se aproximarem, muitas vezes, de posicionamentos que são à partida divergentes”.

“E as Nações Unidas, infelizmente, nem sempre têm alcançado esse objetivo, mas não é por responsabilidade, nem por falta de esforço do secretário-geral. É mesmo por incapacidade de alguns dos seus membros, e em particular de membros permanentes do Conselho de Segurança, o que não deixa de ser, naturalmente, muito, muito preocupante”, considerou.

Questionado se Portugal já definiu que candidato vai apoiar na sucessão a António Guterres, Montenegro respondeu negativamente, dizendo concordar que deveria ser uma mulher. “Estamos, nesta fase, a fazer a apreciação desse processo. Há candidatos que estão pré-anunciados, há outros que deixaram de estar e se projetavam como possibilidades e, portanto, quando sentirmos que esse processo está estabilizado, tomaremos a nossa posição”, disse.

Questionado se irá votar para que haja uma mulher, pela primeira vez, à frente da ONU, respondeu: “Nós já manifestámos a nossa concordância de que isso possa acontecer”.

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