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Esta é a tarde política da Rádio Observador, jornal das seis com o Luís Soares, num dia particularmente intenso do ponto de vista político. Já estamos a encaminhar-nos para o final do debate da moção de censura do Chega ao governo, que fica marcado pelo anúncio do primeiro-ministro da atribuição de um suplemento extraordinário para pensionistas e um alívio fiscal no IRS.

O anúncio foi feito por Luís Montenegro na intervenção de abertura do debate no Parlamento, debate da moção de censura do Chega ao governo, um debate que ainda decorre a esta hora e, Miguel Viterbo Dias, que acontece perante críticas e acusações, sem esquecer, claro está, também o que aqui nos trouxe o caso Luís Neves.

Sim, o caso que Luís Montenegro procurou ultrapassar com dois anúncios, um destinado aos pensionistas, outro para todos. A repetição de uma estratégia que Luís Montenegro já usou no passado e que sacou da cartola neste arranque de debate.

Atribuir um suplemento extraordinário aos pensionistas de forma progressiva até € 1.611,13, que representa um valor de cerca de € 400 milhões que será pago conjuntamente com a pensão de dezembro. A segunda, uma redução do IRS até ao sexto escalão no valor de € 400 milhões.

Os anúncios de Luís Montenegro, o bónus para os pensionistas mais para o fim do ano, no que toca ao IRS também com impactos a partir de novembro, com a descida das tabelas de retenção na fonte, que na prática permite o pagamento com retroativos desta descida do IRS e com impacto já também no pagamento do subsídio de Natal. Dois anúncios de Luís Montenegro para combater uma moção de censura que, nas últimas horas, teve apenas no Chega a colocar questões sobre Luís Neves, os restantes partidos optarem também por aproveitar este tempo para fazer quase um debate quinzenal, com Luís Montenegro a meio caminho deste debate a explicar porque é que confia em Luís Neves para ocupar este cargo, apesar de todas as polémicas.

O atual ministro da Administração Interna é um excelente ministro da Administração Interna e Portugal precisa dele. E é por isso que os senhores deputados não falam das políticas de combate à criminalidade. Os senhores deputados não falam da forma como o dispositivo está a agir face às ameaças e aos riscos de incêndios florestais. É por isso que os senhores deputados não falam da resolução dos constrangimentos no controle de fronteiras nos aeroportos.

Aqui a lista de predicados de Luís Neves pela voz de Luís Montenegro. Isto depois de André Ventura ter até evocado Deus para pedir ao ministro que deixe o lugar e ter perguntado, o líder do Chega, como é que Luís Neves ainda conseguia estar sentado aqui nesta bancada do governo.

Como é que está aí sentado? Como é que depois de tudo isto, deixe-me olhar-lhe diretamente para lhe perguntar como é que ainda tem a falta de vergonha de estar sentado na bancada do governo. Como, senhor ministro Luís Neves?

A pergunta de André Ventura, que mereceu esta resposta de Luís Montenegro horas depois, com o PS a vestir aqui também o fato da responsabilidade por parte de José Luís Carneiro, que questiona apenas ou pede apenas ao primeiro-ministro para fazer uma reflexão sobre como é que os casos à volta do ministro podem não fragilizar todo o governo.

Os factos conhecidos hoje diminuíram a sua autoridade política e o senhor tem de responder para evitar que contamine outros setores do Estado que merecem a confiança dos cidadãos. Senhor primeiro-ministro, o que é que vai fazer para quebrar com esta situação institucional, que é uma situação que está a criar uma fragilidade na confiança dos cidadãos?

O pedido de reflexão de José Luís Carneiro, que vincou que o PS nunca pediu a demissão de ministros e elencou o nome da ministra da Saúde, do ministro da Educação e da ministra do Trabalho, como alguns dos que tiveram problemas, mas que o PS nunca pediu a demissão, bem como o do ministro da Administração Interna, que reafirmou que os socialistas também não pediam a cabeça do ministro. Estamos na reta final do debate. Estamos a cerca de oito, nove minutos da fase de encerramento, em que o governo terá novamente a oportunidade para intervir e também o líder do Chega, André Ventura.

E havemos de voltar aí, Miguel Viterbo Dias, ao Parlamento para acompanhar precisamente essa sessão de encerramento do debate da moção de censura.

Antes deste debate, ainda durante o período da manhã, o ministro da Administração Interna foi ouvido em sede de comissão parlamentar durante cerca de quatro horas e voltou a recusar a ideia de se demitir.

Insiste que só sai do governo se o primeiro-ministro assim quiser. Luís Neves foi ouvido na Comissão de Assuntos Constitucionais durante mais de quatro horas, prestou novos esclarecimentos sobre as várias polémicas em que está envolvido, assume que cometeu erros, mas garante que o Estado não foi lesado por nenhum deles. Já do Chega, Luís Neves voltou a ouvir pedidos de demissão e do PS ouviu apelos para a intervenção do primeiro-ministro Vasco Maldonado Correia.

Luís Neves vai ao Parlamento decidido a dar provas do trabalho cumprido no governo e só por uma vez, na primeira intervenção, se referiu às polémicas em que está envolvido para admitir erros em algumas decisões, mas para garantir:

Nenhuma dessas decisões foi tomada para lesar o Estado ou prejudicar o interesse público.

Para Pedro Pinto, do Chega, esse mea-culpa não é suficiente. Deixa, por isso, uma pergunta logo respondida pelo ministro.

A pergunta que eu lhe faço é muito simples: quando é que se vai embora? Já combinou com o senhor primeiro-ministro Luís Montenegro qual é o prazo para continuar a ser ministro da Administração Interna?

Quando é que vou embora? Quando o governo terminar ou quando o senhor primeiro-ministro entender.

Pedro Pinto quis saber se o ministro iria sair pelo próprio pé e Luís Neves não deixa dúvidas.

Não, claro que não.

Pelo PS, Isabel Moreira avisa que o problema já vai além do nome de Luís Neves.

O problema já não é apenas saber se o senhor ministro considera que mantém condições, é saber se o senhor primeiro-ministro considera que o governo pode continuar indefinidamente neste estado de desgaste.

E alerta que também o PS precisa de mais explicações.

O governo não pode entregar a André Ventura a definição das condições políticas dos seus ministros, mas também não pode usar o comportamento do Chega como resposta suficiente às questões que permanecem por esclarecer.

Nesta longa audição, o ministro respondeu ainda às perguntas de Paulo Muacho, do Livre, que quis saber se houve ou não contrapartidas para a empresa Constrobarcelos para que recebesse o polémico atrelado de droga.

Não houve qualquer pagamento pelo depósito durante meses

E às perguntas da deputada Paula Santos, que não entende por que o Estado não tem instalações prontas para receber estes materiais.

Nós temos, de facto, isto é histórico, muitas dificuldades em encontrar depósitos, porque há cada vez mais material apreendido por todo lado.

E o liberal Rui Rocha quis esclarecer uma dúvida antiga.

Se o senhor ministro pertence ou pertenceu à maçonaria?

Não, nunca. Não pertenço. Pertenço ao Clube Académico do Fundão e ao Clube Recreativo do Feijó e ao Atlético Clube de Almada.

Para o final, Luís Neves guardou um último esclarecimento, em jeito de aviso para a bancada do Chega.

Nunca disse a expressão que me quiseram colocar na boca "vais pagá-las". Nunca disse isso. Eu vou dizer o que disse: "é que vão vá comigo".

Nota que Pedro Pinto só considera ainda mais grave. São novas explicações do ministro em mais um episódio da novela Luís Neves.

Vasconcelos Correia, que acompanhou esta longa audição de Luís Neves na Assembleia da República.

E ainda outras notícias a marcar esta terça-feira.

Os Estados Unidos não vão aderir às sanções britânicas aos colonatos israelitas. O Reino Unido decidiu proibir a importação de produtos. O secretário de Estado norte-americano, Mark Rubio, afirmou que o país não se vai juntar a estas sanções. No entanto, pede estabilidade na Cisjordânia, num momento que, diz Mark Rubio, é delicado para a região. O Reino Unido decidiu proibir a importação de produtos dos colonatos israelitas na Cisjordânia e Portugal está entre os 11 países que se juntam a estas novas restrições. O guarda-redes cabo-verdiano Vozinha está entre os nomeados para melhor guarda-redes da época passada, nos troféus atribuídos pela revista France Football. Já Nuno Mendes, Vitinha, João Neves e Bruno Fernandes estão entre os 30 nomeados para a Bola de Ouro. Lionel Messi e Dembélé são os nomes de maior destaque. A cerimónia da edição 70 da Bola de Ouro está marcada para dia 26 de outubro, em Londres.

Daqui a pouco regressamos ao Parlamento para a ronda de encerramento do debate da moção de censura e a consequente votação.