José Mário Mesquita foi militante do CDS uma vida inteira — ainda o é — mas esta quinta-feira esteve à porta de um restaurante em Macedo de Cavaleiros para apertar a mão a André Ventura e para lhe agradecer a “tenacidade de compreender” Portugal e por ter “orgulho por haver alguém que deu um murro na mesa”. Ficou do lado de fora do comício que o Chega tem no distrito de Bragança, mas ainda ouviu o presidente do Chega a dar-lhe a garantia de que “a porta está sempre aberta” e de que o cartão de militante do CDS pode ser substituído por um do Chega.
Médico no SNS há 44 anos, recorda que, na altura em que chegou a Bragança, “não havia ninguém” e veio ajudar a “repovoar Portugal”. Porém, aos 70 anos, duvida se fez na política o mais certo: “Só vim [cumprimentar Ventura] porque sempre fui militante do CDS, ainda tenho o cartão, mas se aos 70 anos não tenho capacidade para defender os meus interesses e os da minha gente, o que é que andei a fazer durante tantos anos?”
Fez questão de se aproximar de André Ventura porque “finalmente alguém faz algo diferente, dá um murro na mesa e consegue denunciar a realidade deste país”. Mesquita reconhece-lhe mérito e mais do que isso quer ser visto como um “exemplo” ao garantir que “não [se] importa que as pessoas que pensavam que o senhor doutor Mesquita pertence ao CDS e defenderá o CDS até morrer tenham outra razão, outra versão dos factos e [que] possa defender outra coisa”.
“O que nós dizemos ao ouvido uns dos outros para não falar alto porque é politicamente incorreto dizer isso, André Ventura é capaz de o dizer em frente a uma câmara de televisão”, insiste, sublinhando que “está a acordar alguns espíritos que adormeceram“. O ainda CDS considera que “a abstenção era demasiado severa por alguma razão” e que “as pessoas não encontravam nos partidos as razões verdadeiras para poderem estar aqui de pé”.
Além da aproximação ao Chega, José Mesquita acredita que o CDS “deixou seguramente [de defender] aquilo que é a verdadeira democracia-cristã”, aquela que aprendeu com o 25 de Abril, altura em que se tornou militante e que, diz, “não se reflete” naquilo que o CDS defende nos dias de hoje.
“Hoje defendem-se tachos, tachinhos e tachões que é o que Nuno Melo e outros como ele vieram defender neste momento”, argumenta, admitindo não ver na AD uma solução por “não tenho esperança no PSD, nem confiança nos que são hoje os dirigentes do partido que defendi”.
Aquele que se descreve como uma das “pessoas vivas do CDS de Bragança” que “mais votos” deu à região, foi líder da concelhia de Mirandela, foi candidato à câmara e “não ganhou por 110 votos numa altura e que o PSD era o eterno senhor do distrito”. Agora, depois de ser eleito deputado municipal, pediu a demissão e faz questão de mostrar que vê em André Ventura a solução.