O maior painel publicitário de Portugal terá estado a ser alimentado com eletricidade desviada da rede pública durante mais de seis meses, noticiou a CNN. A E-Redes terá mesmo interrompido o serviço por duas vezes, o que poderá configurar “reincidência da apropriação indevida de energia”. A empresa nega as acusações e garante que “já liquidou à E-Redes mais de 65.000€ de consumo de energia do Lisbon Gate”.

O painel em causa, o Lisbon Gate, que a concessionária DreamMedia publicita como “o maior painel publicitário digital de Portugal”, tem 25 metros de comprimento e oito de altura, num total de 200 metros quadrados de área de LED, e terá estado a funcionar durante seis meses sem custos para a empresa. De acordo com a CNN, seria alimentado por um ramal de rede aérea, apesar de terem sido instalados no local todos os equipamentos necessários para avançar com um contrato de fornecimento elétrico, desde logo um contador.

Perante uma denúncia, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) pediu uma fiscalização, tomou conhecimento da situação e pediu à rede de distribuição de energia elétrica, E-Redes, para que aferisse as condições de fornecimento da energia elétrica. Já a E-Redes esteve no local a 6 de agosto e confirmou que existia uma situação de apropriação, contudo não foi possível cortar logo o fornecimento porque os valores de correntes instantâneos eram consideravelmente elevados. Acabaram por conseguir fazê-lo a 23 de agosto. A distribuidora denunciou que “o fornecimento de energia já foi interrompido por duas vezes” e reportou uma “reincidência da apropriação indevida de energia”.

Em comunicado, a DreamMedia nega que se tenha apropriado da rede pública para alimentar o painel em causa. A empresa explica que “adquiriu, naquela localização, um painel publicitário licenciado, com mais de 30 anos de operação” e que, na altura da instalação, o painel “funcionava com potência elétrica”. “O painel atual encontra-se legalizado e com contrato ativo”, assegura a DreamMedia.

Mais do que isso, a empresa detetou uma “instabilidade na potência elétrica” e, segundo diz, “iniciou um processo junto da E-Redes para se proceder ao aumento da capacidade disponível”, apontando que o processo está em “curso há cerca de um ano”. “Por recomendação do fornecedor do painel, instalámos um gerador para evitar danos na infraestrutura enquanto aguardamos o desfecho do processo. Atualmente, o painel encontra-se em pleno funcionamento”, aponta.

O Observador questionou a DreamMedia com as declarações da E-Redes, que dão conta que se trata de uma “apropriação indevida de energia”, e, através de um comunicado, a empresa garante que “já liquidou à E-Redes mais de 65.000€ de consumo de energia do Lisbon Gate”.

“Previamente à aquisição do equipamento, a DreamMedia solicitou à E- Redes a confirmação da viabilidade de aumento de potência, tendo obtido parecer positivo a 18/11/2022. A DreamMedia rejeita assim qualquer tentativa de associar o seu nome a práticas irregulares”, alega ainda a empresa.

A DreamMedia garante ainda que os “atrasos e a instabilidade no fornecimento de energia ao painel resultam exclusivamente de falhas operacionais e morosidade por parte da E-Redes, que só reconheceu a validade das infraestruturas após uma disputa técnica que durou 9 meses e a empresa nunca foi notificada pela E-Redes para desligar o equipamento durante o processo”.

[Notícia atualizada com a resposta e comunicado da DreamMedia]