Tudo indica que, finalmente, o investimento de 5,3 mil milhões de euros que o Grupo Volkswagen fez na Rivian, então uma startup quase desconhecida, vai tornar-se útil. O gigante alemão e o jovem construtor californiano — que comercializa em volume apenas uma pick-up eléctrica, uma vez que iniciou há pouco as entregas a clientes de um SUV sobre a mesma base — anunciaram pretender criar uma joint-venture destinada ao desenvolvimento de software e de sistemas electrónicos, de que irão usufruir os próximos veículos eléctricos do conglomerado germânico, a começar pelo futuro Volkswagen Golf.
Em média, o grupo alemão vende mais de 9 milhões de veículos por ano, ao passo que a Rivian só começou a entregar a clientes no final de 2021 e espera atingir 50.000 unidades em 2024. Daí que não deixe de ser surpreendente que o maior construtor europeu e o segundo maior no mundo precise de recorrer a um jovem construtor para deixar de oferecer aos seus clientes um dos softwares menos eficientes do mercado .
A Rivian anunciou estar a desenvolver a próxima geração de software para modelos eléctricos, que deverá ser estreada pelo Rivian R2, o novo SUV do segmento D (4,7 m) que a marca tem em preparação, inferior ao actual R1 (5,1 m) do segmento E. No Grupo VW, o novo software surgirá em 2027 e nas marcas de mais prestígio, nomeadamente a Audi e a Porsche.
É provável que o modelo mais popular (e de maior volume de vendas) a recorrer a este novo software seja a 9.ª geração do Golf. Além de confirmar que os próximos modelos exigirão um software cada vez mais complexo, com os clientes a desejarem igualmente que seja mais versátil e funcional, o CEO da VW Thomas Schäfer avançou que será o Golf MK9 a estrear na marca o que apelida de “software-defined vehicle”.
Este novo tipo de software da Rivian permite que o veículo passe a realizar muitas das funções, que até aqui exigiam um hardware específico, apenas recorrendo a instruções de software. Com a vantagem de o software ser operado de forma independente e poder ser actualizado (ou alterado) remotamente, o que lhe confere versatilidade, baixa custos e evita visitas desnecessárias à oficina.
De acordo com a Automotive News, Thomas Schäfer não só garantiu que o Golf MK9 será “100% eléctrico”, como será um “modelo para fabricar em grande volume em 2029”. A plataforma que lhe servirá de base é a nova SSP (de Scalable Systems Platform), mais sofisticada do que a actual MEB utilizada nesta classe de veículos, prometendo mais eficiência. Assim, o Golf MK9 deverá ocupar dentro de quatro anos o lugar do actual ID.3 (concebido sobre a MEB), com a garantia de que o Golf MK8 continuará em produção com versões híbridas e motores de combustão, enquanto tal for possível pela legislação europeia (até 2035), ou os clientes quiserem comprar.