O embaixador de Israel em Portugal, Oren Rosenblat, defende que “a situação em Gaza não é tão má como os portugueses veem na televisão portuguesa” e que os palestinianos “não estão com fome ou com sede”. As declarações foram feitas durante a primeira entrevista do diplomata que substituiu Dor Shapira no cargo em 2024. À TSF, justificou a posição de Israel quanto aos conflitos na Faixa de Gaza e no Líbano, assim como os ataques preventivos na Síria após a queda do regime de Bashar al-Assad.
Colocando a tónica das negociações de um cessar-fogo com o Hamas no regresso dos reféns israelitas feitos nos ataques de 7 de outubro de 2023, o embaixador lamenta que, “quando os Estados Unidos pressionaram Israel, imediatamente os bárbaros terroristas pararam as negociações para um cessar-fogo” e que “quando os terroristas veem que têm possibilidade de que outros terroristas os vão ajudar eles param as negociações”.
A este respeito, Rosenblat lembra a iminente tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos EUA, a 20 de janeiro, recordando que este disse que “se os terroristas não libertarem todos os reféns até ele ser Presidente, as portas do inferno vão abrir-se para eles…”. Questionado sobre o que significa “o inferno” dado nível de mortandade e destruição atualmente existentes na Faixa de Gaza, o embaixador começa por responder que “a situação em Gaza não é tão má como os portugueses veem na televisão portuguesa”. “Eles não estão com fome ou com sede. Com certeza que têm problemas, mas isto é um problema que eles criaram quando eles atacaram Israel. E, no futuro, vamos lutar mais e mais até todos os reféns voltarem a Israel”, completa o embaixador israelita em Portugal.
No decurso da entrevista, Oren Rosenblat recusa-se a avançar com previsões para o futuro da região após um eventual cessar-fogo, frisando a necessidade da criação de corredores de controlo nas fronteiras entre a Faixa de Gaza, o Egito e Israel e não garantindo que não vão ser criados futuros colonatos israelitas nesta região palestiniana. O diplomata contesta também os números de mortos em Gaza, considerando que rácio de militantes do Hamas e de civis mortos é de “um para um” e que tal deve-se à propensão do grupo radical para fazer dos habitantes escudos humanos.
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Rosenblat rejeita também a solução de um só estado entre israelitas e palestinianos, dizendo que Israel prefere a de dois estados, mas que o ataque de 7 de Outubro colocou essa hipótese em causa. “Nós queremos isso, mas nós não somos naif como éramos até 6 de Outubro. E nós sabemos que a maioria da população de Gaza e também de Judeia e Samaria em Cisjordânia, eles apoiam o Hamas, não apoiam a Autoridade Palestiniana. E a ideologia do Hamas é para destruir o estado de Israel, eles não querem ter esta solução dos 2 Estados para 2 povos”, afirmou.
O diplomata rejeitou ainda qualquer possibilidade de Israel ajudar a pagar pela reconstrução de infra-estruturas em Gaza, no Líbano e em Israel. “Isto é uma guerra, eles é que iniciaram a guerra, eles é que precisam pagar o que nos fizeram. O Líbano atacou Israel no dia seguinte ao 7 de outubro. Porquê? Porque é que o Hezbollah nos atacou?”, atirou.
Mais à frente, afirma que, pelo contrário, o Líbano é que deve pagar reparações a Israel pelos ataques feitos pelos militantes extremistas do Hezbollah. “É o Líbano que precisa de pagar a Israel porque perdemos com a guerra mais de 200 mil milhões de dólares. Nós perdemos muito dinheiro nesta guerra, mas acho que as perguntas provocativas do senhor [ndr: referência ao jornalista Ricardo Alexandre] mostram que o senhor não entendeu o que aconteceu com Israel. O dinheiro não é muito importante, o importante são as vidas das pessoas, o que é importante são os reféns. E isso é mais importante ainda que o dinheiro”.