Foi uma semana de sonho para Sérgio Conceição. Poucos dias depois de ter chegado a Milão para assumir o histórico AC Milan, o técnico rumou à Arábia Saudita para decidir o vencedor da Supertaça italiana. Quis o destino que as meias-finais fossem contra a Juventus do filho Francisco, que se lesionou no aquecimento. No final imperaram os rossoneri que triunfaram por 1-2 no prolongamento. A final reservou um sempre apetecível Derby della Madonnina e ditou o primeiro troféu do português nesta nova caminhada, com uma reviravolta épica (2-3).

Sérgio chegou, viu e escreveu uma história épica: AC Milan conquista Supertaça frente ao Inter com reviravolta de três golos

Depois de ter ido às lágrimas, fumado o já tradicional charuto e de ter deixado rasgados elogios ao compatriota Rafael Leão, Sérgio Conceição regressou a Milanello e começou a implementar algumas das suas ideias, com vista a mudar o paradigma de um clube que decresceu nos últimos meses e chegou a esta jornada no oitavo lugar, com 27 pontos em 17 jogos. Segundo a imprensa transalpina, e entre as várias mudanças que tem vindo a efetuar, o antigo técnico do FC Porto fez regressar os estágios ao centro de treinos na véspera de um encontro em San Siro, exigiu que todos os jogadores tenham controlos diários de peso e que só possam sair de Milanello a partir das 14 horas.

“Temos de chegar o mais alto possível. As emoções da estreia no campeonato não estão presentes. Há a adrenalina normal da preparação para o jogo. Estamos a 17 pontos do topo da tabela. Um clube que ganhou 19 Serie A e sete Ligas dos Campeões não pode ter a barriga cheia para uma Supertaça. Temos de nos concentrar no jogo de amanhã, começando já amanhã a ganhar e a convencer para terminar o mais alto possível. A Supertaça acabou. As emoções da estreia na liga não existem. Há a adrenalina normal da preparação para o jogo. Mas há muitas coisas na cabeça, muitos pormenores do jogo. Algo que vou sentir porque não sou uma pedra… mas estou concentrado no jogo”, assumiu Conceição na antevisão do jogo contra o Cagliari.

Assim, o técnico de 50 anos partiu para o primeiro jogo em casa — que serviu para homenagear Fabio Cudicini, lenda do clube que morreu esta semana — com Rafael Leão no onze inicial, algo que aconteceu pela primeira vez desde que assumiu o comando dos italianos. Como seria de esperar, o Milan entrou dominador e a circular rapidamente a bola, mas com dificuldades em criar perigo nos primeiros minutos. A primeira ocasião pertenceu a Reijnders que, com um remate à entrada da área, obrigou Caprile a defender (19′). Pouco depois, Leão apareceu na partida e, após combinação com Morata, ficou perto do golo (24′).

Depois do domínio rossoneri, o Cagliari conseguiu contrariar esse ímpeto e começou a aparecer no desafio e, na primeira ocasião, colocou Maignan em sentido, obrigando o guarda-redes a voar para parar um remate em arco de Felici (39′). A reação do Milan só voltou a aparecer na segunda parte, com Pulisic a atirar à barra logo no início (47′). Pouco depois, o extremo alemão atirou ao poste e, na recarga, Morata completou para o golo (51′).

Contudo, a vantagem da formação da casa durou pouco minutos já que, depois de uma grande arrancada de Felici, de área a área, Zortea recebeu à entrada da área e empatou o jogo com um remate cruzado (55′). O Milan voltou à carga, mas só na ponta final é que voltou a criar perigo, com Caprile a voltar a aparecer no desafio e a negar o golo a um isolado Abraham (81′). Assim e com o empate a prevalecer, os rossoneri continuam fora dos lugares europeus e manteve o oitavo lugar, agora com 28 pontos.