A Caixa Geral de Depósitos, que está “presente em 99,6%” dos concelhos”, não irá fechar agências nem em 2025 nem em 2026, garante Paulo Macedo. Numa audição parlamentar, nesta terça-feira, o presidente da comissão executiva do banco público assinala, porém, que “ninguém quer que a Caixa fique imóvel, que todos os outros bancos modernizem e a Caixa não”. O banco público também indica que cerca de 800 clientes já pediram crédito com garantia pública, disponível desde há poucas semanas para jovens até 35 anos, com 257 milhões em crédito (total) já concedido ao abrigo dessa garantia.
O presidente da Caixa Geral de Depósitos foi chamado ao parlamento pelo PS e pelo PCP para esclarecer se há intenção de reduzir agências (ou serviços nos balcões físicos do banco) no interior do país e, também, nas regiões autónomas. Além de garantir que, “no futuro previsível”, não irá reduzir o número de agências, Paulo Macedo garantiu que “todas as agências têm pessoas permanentes a apoiar os cidadãos, sobretudo quem tem dificuldade no manuseamento dos cartões e tecnologia”.
“Ninguém venha dar lições sobre interioridade à Caixa“, atirou Paulo Macedo, acrescentando que o banco público tem balcões em 99,6% dos concelhos e outro banco com forte disseminação geográfica, a Caixa de Crédito Agrícola, “não está presente em mais de 10% dos concelhos”. O presidente da Caixa prometeu não “desguarnecer” a inclusão física, embora a prioridade seja “dar meios às pessoas de inclusão digital”.
A Caixa Geral de Depósitos fechou os primeiros nove meses do ano com lucros 39% superiores aos do período homólogo do ano anterior. O banco público obteve resultados de 1.369 milhões de euros, um recorde, indicou o banco no início de novembro. Paulo Macedo, cujo mandato termina no final do ano, confirmou nessa altura que foi convidado pelo Governo para continuar no banco público e que a sua intenção é continuar.
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Nesta terça-feira, Macedo garantiu, também, que “nem este governo nem o governo anterior interferiram na gestão da Caixa“, o que é “muito positivo”. Mas “não é só muito positivo: o BCE não admite outra coisa“, afirma, congratulando-se pelo facto de a Caixa ter voltado (em 2017) a dar lucros que no ano passado excederam os mil milhões de euros.
Se a Caixa tivesse tido lucros antes de 2017 se calhar tinha sido a Caixa a comprar o Banif e o Banco Popular por um euro [negócios que foram feitos pelo Santander]. Vamos investir meio bilião [em rigor, 500 milhões] em informática, quando a Caixa tinha prejuízos não tinha essa capacidade”.
A passagem da supervisão financeira para o BCE “foi extremamente positivo para os bancos portugueses e para não voltar a acontecer o que aconteceu – designadamente a forma como se recrutam as administrações”.
Paulo Macedo recusou, ainda, fazer comentários sobre uma eventual aquisição do Novo Banco. Questionado pelo deputado Rui Afonso, do Chega, o presidente da Caixa Geral de Depósitos respondeu que “se fosse fazer alguma aquisição não seria aqui que o diria“.
“Não temos nada a acrescentar ao que já foi dito publicamente” sobre este assunto, afirmou Paulo Macedo, que em novembro afirmou que o banco público não está “imóvel” no mercado.