Pressionada pelos legisladores e pela opinião pública, a maioria dos construtores tem investido milhões para tornar os seus veículos com motores a combustão menos poluentes, recorrendo à electrificação, e simultaneamente milhares de milhões em veículos 100% eléctricos, bem como em fábricas para os produzir. Mas alguns fabricantes de automóveis foram apanhados a “investir” igualmente em políticos, advogados e lobistas para negar que existem problemas com o ambiente.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 7 milhões de indivíduos morrem anualmente vítimas de poluição do ar e muitos mais sofrem de doenças do foro respiratório por exposição excessiva a óxidos de nitrogénio, monóxido de carbono, dióxido de enxofre, partículas e negro de carbono, entre outros. Todas estas doenças exigem tratamentos caros e prolongados, com o serviço nacional de saúde britânico — o National Health Service (NHS) — a considerar que só as doenças provocadas pelos NOx vão representar um custo de 1,4 mil milhões de libras em 2025 (1,78 mil milhões de euros), que irá aumentar para 4,5 mil milhões de libras em 2035, mais do triplo em apenas uma década.
Face a este cenário, não deixa de espantar o facto de alguns construtores de veículos não só negarem os malefícios da poluição que sai pelo escape dos veículos equipados com motores de combustão, como das alterações ambientais provocadas pelo excesso de CO2 na atmosfera, contrariando os cientistas. O exemplo mais recente foi avançado pela Public Citizen, uma organização sem fins lucrativos com sede em Washington D.C., que reuniu as verbas transferidas para congressistas, senadores, advogados e lobistas, todos eles conhecidos como negacionistas das alterações climáticas e do excesso de poluição no ar. Entre os dadores mais generosos, encontram-se a Ford, a General Motors (GM) e a Toyota, que lidera nos donativos. Nos EUA as empresas são obrigadas a declarar os pagamentos a lobistas e políticos, prática que não foi (ainda) adoptada pela Europa.
De acordo com os relatórios, entre 2020 e 2024, a Ford transferiu 389 mil dólares, enquanto a GM atingiu 670.000$, quantias que fazem destes os dois maiores construtores norte-americanos a contribuir para a causa negacionista. Curiosamente, a japonesa Toyota surge como a principal interessada em continuar a incrementar a concentração de poluentes nas grandes cidades, ao doar 810.000$ no referido período, o que surpreende pelo facto deste ser precisamente o construtor que inovou com a introdução do primeiro veículo híbrido, a que se seguiu o primeiro eléctrico alimentado por célula de combustível fabricado em quantidade.