A tecnológica portuguesa Unbabel, que atua na área de tradução automática, tem um processo de reestruturação em curso e está a reduzir o tamanho da sua equipa. A informação foi confirmada pela empresa ao Observador, que não revela o número de trabalhadores que estão a ser afetados. Na plataforma online Teamlyzer é avançado que cerca de 25% dos funcionários (por volta de 66) terão sido afetados pela decisão, que terá tido impacto em todos os departamentos.
Numa declaração enviada ao Observador, Vasco Pedro, CEO da Unbabel, nota que o “mercado tecnológico está em rápida mudança, com a adoção cada vez maior da IA [inteligência artificial] na tradução”. “Neste seguimento, a Unbabel tem em curso um processo de reestruturação, que visa adaptar a empresa à evolução do mercado e prepará-la para futuras oportunidades de investimento em P&D [pesquisa e desenvolvimento] e crescimento”, explica.
Vasco Pedro diz estar “consciente do impacto desta decisão” nos trabalhadores e mostra-se “totalmente comprometido em apoiar cada um deles ao longo deste processo, garantindo as melhores condições e oferecendo recursos que facilitem a sua transição profissional”.
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Atualmente, no site da Unbabel, continuam a surgir três vagas abertas: para coordenador adjunto da comunidade, para designer de produto e para CEO da Halo, uma solução apresentada na Web Summit de 2023 e em que foi criada uma interface neuronal não invasiva para permitir, com recurso à inteligência artificial, uma espécie de comunicação silenciosa.
Há quase cinco anos, em abril de 2020, a Unbabel também tinha sido notícia por despedir 35% (mais de 80 dos 250 trabalhadores que tinha à época) da equipa. Nessa altura, o CEO e cofundador da tecnológica disse que a reestruturação tinha como objetivo “garantir a continuidade e a sustentabilidade da empresa”.
Unbabel vai despedir 35% dos funcionários. São mais de 80 pessoas
Mais tarde, já em 2021, Vasco Pedro justificou, em entrevista ao Observador, a decisão de reduzir a equipa como necessária para “garantir a continuidade e a sustentabilidade da empresa”. “Tomámos as decisões que tínhamos de fazer para pôr a empresa na melhor posição e estamos a ver isto consistentemente neste momento nos resultados que estamos a ter e nos movimentos que estamos a conseguir fazer. Não teria sido possível se não tivéssemos agido rapidamente”, afirmou, lembrando que os despedimentos foram “uma situação difícil” para a Unbabel.
Em 2023, ano em que apresentou a solução Halo, a Unbabel anunciou também que tinha angariado 21 milhões de dólares, valor que pretendia usar para “impulsionar a estratégia de crescimento global, bem como para fortalecer a sua posição no caminho da rentabilidade”. A empresa, fundada em 2013, ambicionava também dar continuidade à sua estratégia de aquisições, depois de ter comprado a alemã EVS Translations e a israelita Bablic nesse ano. Anteriormente, em 2021, já tinha adquirido a Lingo24, uma ‘rival’ especializada em tradução com base em inteligência artificial.
Portuguesa Unbabel levanta financiamento de 21 milhões de dólares
Atualmente, a Unbabel, que conta com escritórios em 11 localizações a nível mundial (como Portugal, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha ou Israel), é a tecnológica responsável por liderar o consórcio do Center for Responsible AI, que pretende acelerar o desenvolvimento da inteligência artificial de forma responsável.