O ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho vai ser ouvido como testemunha no julgamento do processo BES no próximo dia 11 de fevereiro, às 9h30, segundo o agendamento determinado pelo coletivo de juízes do Juízo Central Criminal de Lisboa.
Depois de dois adiamentos — o primeiro no final de outubro, por alteração do calendário de audições, e o último já neste mês de janeiro, devido à greve dos oficiais de justiça —, o antigo governante irá depor finalmente em tribunal sobre a sua participação e ligação ao caso enquanto chefe do Governo à data da resolução aplicada pelo Banco de Portugal ao Banco Espírito Santo (BES).
No passado dia 15, Passos Coelho entrou no tribunal e saiu dois minutos depois, na sequência da descoberta da impossibilidade de realização da sessão de julgamento, face à greve dos funcionários judiciais. À entrada, sinalizou aos jornalistas que o seu papel já estava “razoavelmente esclarecido”.
“Irei responder ao tribunal como testemunha. Fui convocado para responder às perguntas dos senhores procuradores, dos senhores advogados e dos doutores juízes. Responderei em função das perguntas que me fizerem, mas esta é uma matéria que está mais do que requentada. O contexto das funções que exerci como primeiro-ministro e que passou pelas minhas mãos está razoavelmente esclarecido, presumo eu. Se porventura não estiver, terei muito gosto em responder”, disse. No entanto, à saída, deixou um desabafo: “É caso para dizer que não me livro disto”.