As meias-finais mostraram que Aryna Sabalenka era a grande candidata à vitória na Austrália. A número um do mundo não deu grandes chances à amiga Paula Badosa e venceu ao cabo de dois sets (6-4 e 6-2). Mais importante que isso, manteve o domínio no Open da Austrália, no qual somava 20 vitórias consecutivas. A surpresa apareceu na outra partida, com a norte-americana Madison Keys e bater Iga Swiatek no tie-break do terceiro set e depois de ter estado a perder e a defender match points (5-7, 6-1 e 7-6). Keys acabou por vencer e regressou à final de um Grand Slam oito anos depois.

A chave da vitória estava guardada com uma remontada épica: Keys bate Swiatek no tie-break e enfrenta Sabalenka na final

Na final deste sábado, a número 14 do ranking WTA entrou ao ataque e depressa abriu uma vantagem de 0-2, quebrando Sabalenka logo no primeiro jogo. No segundo jogo de serviço da número um ainda esteve a vencer por 15-30, mas permitiu a reviravolta. Apesar de se ter apresentado no court com uma ligadura na coxa esquerda, Madison não acusou os problemas físicos, manteve-se consistente e voltou a fazer o break (1-4) com apenas 18 minutos de jogo.

Keys chegou ao 1-5 sem consentir qualquer ponto à rival no seu serviço e teve a oportunidade de fechar o set quando Sabalenka servia, mas a bielorrussa acabou por reentrar na partida (2-5). A ameaça veio logo a seguir, quando desferiu um potente golpe de direita contra a rede e permitiu o break à adversária (3-5). Madison Keys acabou por fechar o primeiro parcial no serviço de Aryna Sabalenka, que voltou a mostrar-se inconsistente (3-6).

A bielorrussa aproveitou o intervalo para ir ao balneário e, assim, quebrar o ritmo da final que estava longe de lhe ser favorável. Do outro lado, a norte-americana contava com o apoio do marido Bjorn Fratangelo, que foi jogador e tornou-se treinador de Keys há ano e meio. O regresso à partida foi de afirmação para Sabalenka, que entrou forte e colocou-se pela primeira vez em vantagem depois de quebrar a adversária (2-1). A partir daí, Sabalenka ganhou tranquilidade, mostrou o seu melhor nível e somou cinco jogos consecutivos (5-1). Keys converteu o seu serviço, mas a vitória do segundo set não iria fugir à bielorrussa, que ainda desperdiçou dois set points (6-2).

Com a final de novo em aberto, Madison Keys voltou a entrar bem, mesmo depois de ter perdido quatro dos cinco jogos anteriores, mas encontrou uma Aryna Sabalenka à altura e que equilibrou a partida até ao fim. Sem nenhuma das tenistas vacilar no serviço, qualquer erro podia custar… e foi o que aconteceu. Depois de a norte-americana fazer o 5-6 no seu serviço, a bielorrussa tremeu na pior altura possível e permitiu o 15-40 quando servia. Ainda evitou o primeiro ponto de jogo, mas não impediu Keys de chegar à vitória com um grande golpe de direita (5-7). No final, Sabalenka destruiu a sua raquete e Keys tornou-se na segunda tenista mais velha da era moderna a chegar ao primeiro título em Melbourne, depois de Na Li.

Com este triunfo, Madison Keys inscreve pela primeira vez o seu nome na lista de vencedoras de Grand Slams e impede Aryna Sabalenka de conquistar o Open da Austrália pela terceira edição consecutiva. Keys é agora a quinta norte-americana a conquistar o primeiro major da temporada desde 2000, juntando-se a Lindsay Davenport, Jennifer Capriati, Serena Williams e Sofia Kenin. A disputar o seu 46.º Grand Slam, só Flavia Pennetta (49), Goran Ivanisevic (48) e Marion Bartoli (47) precisaram de mais torneios antes de vencerem o primeiro título.