A estudante brasileira que estava desaparecida em Portugal há mais de um mês foi encontrada pelas autoridades na noite de sábado. Thayla da Motta, de 26 anos, estava “desnutrida e desidratada” e foi encaminhada para um hospital para ser observada, revelou a irmã, Dhembla Araujo, à CNN Brasil.

Segundo Dhembla Araujo, a jovem foi encontrada perto do aeroporto de Lisboa. “Tinha um homem com ela, mas ele fugiu assim que a abordagem foi feita. Não sabemos o motivo, mas com certeza não estava fazendo nada de bom”, relatou. “A gente não sabe o que esse homem pode ter feito com ela, se ele a coagiu a algo. Eu acho que, se fosse amigo, não ia fugir quando visse a polícia”, acrescentou outra irmã, Kimberly Brenda, ao Metrópoles.

Numa angariação de fundos criada para ajudar a encontrar Thayla da Motta, a família também partilhou que a jovem foi encontrada em “condições de extrema vulnerabilidade”, que estava internada e que era preciso agora trazê-la de volta para o Brasil. “Não tem a menor condição de voltar sozinha, precisarei ir buscá-la para trazer para minha casa, nessa caso precisaremos de 2 passagens de ida e volta, por isso o valor da vakinha foi atualizado para 15.000 reais”, lê-se na página.

A Polícia de Segurança Pública confirmou ao Jornal de Notícias que a jovem foi encontrada, mas ao contrário do que a irmã avançou indicou que estava junto à estação de autocarros de Sete Rios. Segundo a PSP, foi avistada por um transeunte, que a reconheceu das notícias sobre o desaparecimento, e chamou as autoridades pelas 19h35 de sábado.

“Ela passou mais de 40 dias na rua e está muito confusa, chorou muito e está muito desconfiada. Estava em um estado grande de desidratação e com muita fome”, disse à revista Marie Claire uma amiga que acompanhou as buscas em Lisboa. “No primeiro momento, não quis ser acompanhada pela polícia, mas a agente foi muito atenciosa e comprou comida para ela. Ela sente que as pessoas não gostam dela, parece estar envergonhada”, explicou.

Thayla da Motta mudou-se do Guará para Portugal em outubro do ano passado e estudava Línguas, Literaturas e Culturas na Universidade de Aveiro. Desapareceu a 15 de dezembro na Rodoviária do Porto. Uma das últimas mensagens que enviou nesse dia foi para um amigo no Brasil, a quem disse que “estava difícil” encontrar um local para viver.

Segundo os amigos, estaria a atravessar dificuldades financeiras e chegou a criar uma angariação de fundos no GoFundMe para ajudar a “manter os gastos e o curso” que descreveu como o dos seus “sonhos”. Não chegou a receber quaisquer donativos. Uma fonte da Universidade de Aveiro confirmou ao JN que a jovem tinha matrícula ativa e chegou a viver numa residência, mas acrescentou que entretanto retirou os seus pertences do local e entregou a chave.

“Em novembro, ela me disse que estava passando muita dificuldade e queria vir para casa. Não conseguia arrumar emprego como professora de inglês e, por telefone, me confessou que tinha saído do dormitório e ia dormir na rodoviária”, contou um amigo também à revista Marie Claire após o desaparecimento.