Entrevistador: Porque é que usa óculos escuros?
Bob Dylan: São óculos graduados. Não consigo ver muito bem. Os meus olhos são muito maus.
Entrevistador: Ah, está explicado.
Bob Dylan: Queres experimentar? Aproveita. Vê o mundo como Bob Dylan o vê.
Nessa entrevista de 1965 só faltou explorar um tópico que viria a dar boa discussão no Reddit. Que modelo de óculos escuros popularizou Bob Dylan nos anos 60? Não é que a pergunta seja para um milhão de canções do trovador mas a resposta pode não ser tão imediata como parece. E, não, ao contrário do que um dos utilizadores sugere, jamais poderia ser da marca Jacques Marie Mage — um fenómeno de culto que nasceu apenas em 2014, já Robert andava de volta da sua Never Ending Tour.
No perímetro ou imediações do festival de Newport, cenário em destaque no filme A Complete Unknown, Bob é visto a circular com (pelo menos) dois tipos de pares icónicos. Por um lado, uns clássicos Aviator, por outro uma armação de massa preta que ficaria para sempre associada a uma das suas imagens mais icónicas. Ao primeiro olhar, menos atento, passam por uns Wayfarer, lançados em 1952, mas com uma apreciação mais cuidadosa verifica-se que se aproximam da primeira geração do modelo Caribbean, uma espécie de irmão mais novo, que chegou ao mercado no começo da década de 60, era dourada das viagens e do espírito jet set.
Com uma fã, no festival de Newport, em 1963 © Getty Images
Tal como os Wayfarer, desenhados por Raymond Stegman, os Caribbean têm o mesmo estilo retangular com lentes ligeiramente afuniladas com cantos inferiores arredondados. Mas há ligeiras diferenças, a começar pelos rebites nas bordas mais externas de sua estrutura, que aqui são orientados verticalmente. Também a forma dos óculos é menos alta do que a dos Wayfarer, mais ao estilo olho de gato. Seria fácil associar qualquer uma das criações à Ray-Ban, a marca criada em 1936 pela Bausch & Lomb, que em 1999 a vendeu ao conglomerado italiano de óculos Luxottica Group por 640 milhões de dólares. Mas vasculhando a história da ótica nos EUA, a identidade do fabricante pode não ser tão certa quanto isso.
A Bausch & Lomb lançou as suas raízes em 1853, quando John Jacob Bausch, um imigrante alemão, montou uma pequena loja de artigos óticos em Rochester, Nova Iorque. Vinte anos antes, em 1833, fora fundada outra das grandes empresas e manufaturas deste segmento, a American Optical Company, que funcionava à época num pequeno espaço de trabalho no andar de cima no negócio de joias e relógios de William Beecher. Ambas foram introduzindo linhas que acompanhavam as criações dos fabricantes europeus estabelecidos nas regiões alpinas de França e de Itália.
Durante o advento da era ótica, para baralhar ainda mais as contas, os fabricantes de óculos geralmente mantiveram os seus emblemas discretos. Sem marcas visíveis no exterior ou logotipos salientes, é difícil avançar com uma conclusão sobre a marca dos óculos de Dylan. As armações de sol Ray-Ban originais ou ‘vintage’ eram tipicamente gravadas a laser com uma discreta inscrição ‘B&L RAYBAN USA’ na superfície interna das hastes. Portanto, só conseguindo fazer zoom para ter 100% certeza. Isto porque a Ray-Ban não foi a única a produzir uma série de modelos que se popularizavam naquela altura, multiplicando-se as interpretações de armações como Wayfarer e companhia.
Com a ativista e songwriter Mimi Farina no Viking Hotel Newport, Rhode Island, julho de 1964. © Getty Images
Ricos em leituras, os óculos escuros protegem da luz — e quem os usa do contacto mais próximo com os outros. A barreira de segurança permite ainda observar os demais com relativa discrição. E claro que, com o tempo, o carácter utilitário encontrou-se com o estético, tornando-se objeto indispensável de celebridades, estrelas de cinema e influenciadores. Por outras palavras: um outro tipo de herói cultural, ainda que no plano do consumo. E se há alguém que pode furar as três regras básicas da etiqueta de uso de óculos escuros (não usar dentro de portas, não usar à noite, e sobretudo não usar em cima da cabeça), é outro herói cultural (relutante): Bob Dylan.
Mas nem sempre as lentes escuras foram inseparáveis do dia a dia de um modesto civil. Basta analisar a evolução do modelo aviador e a massificação do seu fabrico, apesar de a Ray-Ban continuar a ostentar com orgulho este modelo no seu portefólio. As primeiras criações, encomendadas pelos militares norte-americanos, remontam a 1935, com os níveis de conforto e o tom da lente a serem afinados até 1941. Padronizados em novembro desse ano, atendendo às necessidades do exército e marinha dos EUA, fabricantes como a Bausch & Lomb, The Chas. Fischer Spring Co., Willson Optical e Rochester Optical Co. Frame desenvolveram produto nesta categoria, incluindo a American Optical, que assina os FG-58 usados por Travis Bickle (Robert De Niro) no mítico Taxi Driver. Aliás, estes Original Pilot foram usados pela tripulação da Apollo 11. Já a linha Saratoga, do mesmo fabricante, cairia nas graças do presidente John F. Kennedy.
Se este período encerrava desafios e finalidades práticas, os anos 50 convidavam aos primeiros passos no culto do estilo de vida e à abertura por fim ao grande público. Depois das imagens do general Douglas MacArthur com um destes pares, Marlon Brando serviu a validação que faltava, a que se juntariam David Bowie, Mick Jagger ou Steve McQueen, que aderia à derivação Papillon.
Com Brian Jones, num restaurante em Nova Iorque, em 1965 © Getty Images
Entre a realidade e a ficção, a cronologia enche-se de momentos icónicos. O ator James Dean tinha as suas Levi’s 501, o icónico casaco encarnado Harrington usado pelo personagem Jim Stark, e os seus óculos tartaruga estilo corrida Renauld, marca que conquistou outras lendas como Elvis, Elizabeth Taylor e a lenda da Fórmula 1, Jim Clark. Estrelas como Ava Gardner e Marylin Monroe rendiam-se ao então popular (e sensual) modelo cat eye, e em 1959 umas gotas do charme de Cary Grant em North by Northwest devem-se aos Oliver Peoples que usou.
Se não consegue tomar o pequeno-almoço frente à Tiffany’s, pode sempre comprar o Manhattan da Oliver Goldsmith para ficar o mais parecida possível com Audrey Hepburn em 1961. Chegados à década de 60, a expressão do estilo individual assumia o ponto alto. E cá estamos de volta ao nosso bardo da folk elétrica (ou “vision music”, como designou numa conferência de imprensa em São Francisco, em 65).
“A Complete Unknown”: nós com Bob Dylan em Nova Iorque, do anonimato à heresia elétrica
No início de sessentas, Robert Zimmerman ainda apresenta um estilo discreto, mas com a progressão da década e da sua fulgurante ascensão, o uniforme oficial é ajustado: jeans pretos, óculos escuros pretos e um casaco estilo militar de camurça preta. Um kit relativamente modesto quando comparado com o guarda-roupa de Timothée Chalamet ou com a coleção de óculos escuros do ator que desempenha o papel de Bob Dylan. Mas o facto é que os 60’s marcaram uma transição decisiva também ao nível da moda masculina: entre casacos sem gola, calças justas e botas, as estrelas rock renderam as lendas do cinema enquanto ícones de estilo.
Muito mais que um mero acessório de moda, os Caribbean do músico são um verdadeiro escudo defensivo, determinante a partir de 1965 quando a transição para os sons elétricos alimenta a histeria dos fãs, as críticas dos puristas e ainda o assédio crescente da imprensa. Em tempos de contra-cultura, os anos 60 assistiram ainda ao surgimento de marcas menos mainstream e sofisticadas, como a Oliver Goldsmith e a Pierre Cardin, dirigidas às classes mais elevadas.
Mesmo que demoremos quase 50 anos a descobri-lo, também somos Bob Dylan
Em 14 de janeiro de 1965, Robert grava Outlaw Blues, tema integrado no quinto álbum de estúdio de Dylan, Bringing It All Back Home, onde não falta a menção a esta peça.
Eu tenho os meus óculos escuros
Eu tenho o meu dente preto para dar sorte
Eu tenho os meus óculos escuros
Eu ando com o meu dente preto para dar sorte
Não me perguntes nada sobre nada
Pode ser que te diga a verdade
Questionando ao longo dos anos sobre as voltas e contravoltas da composição das canções, a meticulosa hermenêutica das letras, a hierarquia da música sobre as anteriores, ou mesmo a valência de político ou profeta contrariado, claro que o artista também foi várias vezes confrontado sobre o seu estilo. Em 1977, à conversa com o jornalista e crítico literário Ron Rosenbaum, os óculos escuros de Dylan voltam à baila.
– Entrevistador: Diria que ainda tem uma característica rebelde, ou punk, em relação ao resto do mundo?
– Bob Dylan: Característica punk?
– Entrevistador: Bem, ainda usa óculos escuros, certo?
– Bob Dylan: Sim
– Entrevistador: Isso é para as pessoas não verem os seus olhos?
– Bob Dylan: Na verdade, é apenas um hábito que se adquire depois de algum tempo. Eu ainda uso óculos escuros. Não há nenhuma razão profunda para isso. Algum tipo de insegurança, não sei. Gosto de óculos escuros.
A capa da Rolling Stone de 1978
No ano seguinte, o acessório intromete-se mais uma vez na entrevista de Jonathan Cott para a Rolling Stone. Annie Leibovitz assina os três retratos do músico. A encher a capa, uma imagem de Dylan com os célebres óculos escuros. “Esta é a máscara de ‘Bob Dylan'”, escrevia Cott. Uma segunda imagem revelava o entrevistado sem óculos mas com os dedos em redor dos olhos, como uma criança que finge usar binóculos. Por fim, na terceira foto, os olhos azuis do futuro Nobel da literatura encaravam a câmara diretamente, sorrindo. “Como ela o fez fazer isso, não sei”, admitia o jornalista.
Scott Cohen insistia no tema, em 1985.
– Entrevistador: Não é difícil usar óculos escuros ao fim de todos estes anos?
– Bob Dylan: De noite, quando estou a conduzir, é. Não os uso sempre. Já passei por fases em que os usava, mas não sei porquê. Sou míope, é por isso que os uso.
Ainda em 1985, em 12 de outubro, o músico lançava o volume Bob Dylan: Lyrics, 1962-1985, um compêndio com as letras das suas canções, desenhos e 120 escritos inéditos. Em junho do ano seguinte, o LA Times registava a “bíblica” edição e a partir das notas da capa de Bringing It All Back Home lembrava como Bob incluía no seu pensamento o pormenor dos óculos — um elemento primordial na composição, de forma metafórica ou literal. “Os meus poemas são escritos com um ronronar melódico de vazio descritivo — visto às vezes através de óculos escuros e outras formas de explosão psíquica, um canção é uma coisa que consegue andar sozinha. . . um poema é uma pessoa nua.”
Publicado em 5 de outubro de 2004, pela Simon & Schuster, Chronicles: Volume One é um livro de memórias escrito pelo músico americano. Com 304 páginas, cobre três pontos selecionados da longa carreira de Dylan: 1961, 1970 e 1989, enquanto escrevia e gravava Bob Dylan, New Morning e Oh Mercy, respetivamente — e inclui um guião para a vida apropriado ao contexto:
“Às vezes só precisas de morder o lábio superior e pôr uns óculos escuros.”
Não terá sido necessário cerrar a boca quando em 2012, na presença do então Presidente Barack Obama, em plena Casa Branca, foi agraciado com a medalha da Liberdade. Mas os óculos escuros não ficaram em casa, nem no bolso. Desta vez, o músico regressou ao modelo aviador, neste caso uns Randolph. É curioso que nesse mesmo ano voltávamos a ter bons motivos para ler nas entrelinhas. Em 11 de setembro, Tempest tornava-se o seu 35.º álbum de estúdio e assinalava meio século de gravações. Por ali, a páginas tantas, lia-se assim:
“Uso lentes escuras para tapar os meus olhos/ Eles guardam segredos que não consigo disfarçar”
Bob Dylan em 2012, com Obama © Getty Images
Quando a Academia sueca o agraciou com o Nobel da Literatura, Bob permaneceu nos EUA. Mas as palavras que escreveu para esse momento falam pelo vencedor de corpo inteiro. Curiosamente, ou talvez não, as memórias da epifania levam-nos até à raiz das raízes, Buddy Holly, com os seus óculos não menos icónicos.
“Ele era poderoso e eletrizante e tinha uma presença dominante. Eu estava a menos de dois metros. Ele era hipnotizante. Observei o seu rosto, as suas mãos, a maneira como ele batia o pé, os seus grandes óculos pretos, os olhos por trás dos óculos, a maneira como ele segurava a guitarra, a maneira como ele se levantava, o seu fato elegante. Tudo sobre ele. Ele parecia ter mais de vinte e dois anos. Algo nele parecia permanente e encheu-me de convicção. Então, do nada, a coisa mais estranha aconteceu. Ele olhou-me diretamente nos olhos e transmitiu-me algo. Algo que eu não sabia bem o que era. E então arrepiei-me.”
Em 2021, pela primeira vez numa década, Dylan era avistado em Santa Monica, Califórnia, esquivo como sempre e de novo com os seus aviadores, o modelo a que mais regressou nos últimos anos.
Marfim, a dançarina que levou a uma pirueta na indústria, e moda
Consta que os primeiros ensaios de proteção ocular levam uns dois mil anos e que se justifica ainda uma passagem pela Roma antiga, onde o imperador Nero costumava assistir às lutas de gladiadores através de pedras preciosas polidas para reduzir o brilho do sol — provavelmente os óculos mais luxuosos do seu tempo. É no século XVIII que se inventa a forma moderna de óculos: entenda-se, a união de lentes com um arame e um embrião de armação que permitia colocá-la sobre as orelhas.
Ao nível das inovações e mudanças de rumo nesta indústria, há pelo menos dois momentos interessantes na história dos EUA. O primeiro, começa por responder à escassez num outro domínio e acaba por ter impacto na vida dos fabricantes. Em meados do século XIX, com a popularidade em alta, o jogo do bilhar procurava uma alternativa às bolas de marfim, obtido através de cada vez mais raros elefantes. A empresa Phelan & Collender chegou a oferecer recompensa de 10 mil dólares a quem inventasse um substituto do marfim. Fã da modalidade, John W. Hyatt combinou cânfora com álcool e nitrocelulose, moldando-a numa forma esférica sob extrema pressão. Não chegou ao grande prémio pecuniário mas a sua criação em 1868 é considerada até hoje um dos primeiros plásticos sintéticos. O material das bolas foi progredindo até à resina usada a partir dos anos 20 — e as armações dos óculos, outrora também dependentes de materiais como madeira, conchas e marfim, seguiu caminho semelhante.
No início do século XX, os médicos prescreviam o uso de lentes amarelas e castanhas para proteger a visão dos doentes de sífilis, mais sensíveis à luz, mas rapidamente este acessório deixou de ser associado exclusivamente a problemas de saúde, adquirindo outra simbologia. Dificilmente chegaríamos até aqui sem um outro dado curioso, que mudou o rumo da indústria, e que entronca num outro movimento das primeiras décadas do século XX. Ícone do estilo flapper, famosa dançarina de salão, Irene Castle agitou as hostes quando cortou o cabelo naquele ano de 1915. O novo penteado tornou-se moda e a a influência estética foi de tal ordem que em pouco tempo o negócio dos pentes e outros acessórios para longas melenas foram agonizando. Os mais astutos decidiram canalizar os seus recursos e talento para o fabrico de óculos, que se tornava particularmente apetecível na soalheira Califórnia, onde Hollywood ia cimentando o seu reduto de cinema e glamour. Por volta da década de 1920, tornou-se comum ver as estrelas em público a usar óculos escuros, que assumiam dupla função: preservar o anonimato possível e proteger-se das lâmpadas klieg bastante brilhantes que eram usadas nos estúdios.
Buddy Holly
Em 1929, a marca americana de óculos Foster Grant produziu em massa armações de óculos de sol a partir de moldagem por injeção de plástico, tornando-as bastante acessíveis. Grant vendia-os nas praias de Atlantic City, em Nova Jersey, já que a moda ia pegando mesmo em contextos onde o sol nem sempre sorria. Dois anos depois, a American Optical Company introduzia o Ful-Vue: a primeira armação ‘pantoscópica’, o que significava que se colocavam pela primeira vez dobradiças na parte superior da armação, que permitiam que as lentes se inclinassem para baixo em direção ao rosto, melhorando o desempenho das lentes e ditando o fim do triunfo dos chamados óculos de coruja.
Em 1938, a revista Life sentenciava que os óculos escuros eram uma “nova moda para usar nas ruas da cidade … uma afetação favorita de milhares de mulheres em todos os Estados Unidos”. Desta época e anos foram surgindo algumas das mais incríveis e exuberantes criações.
Apesar do empurrão dado pelas celebridades do grande ecrã, a austeridade dominou o quotidiano norte-americano entre a Grande Depressão e o fim da II Guerra. Na década de 50, o modelo cat eye abençoava por fim essa mudança de registo e aliviar dos tempos. A indústria ótica aderiu então ao passo que selou por completo a inclusão das lentes no american way of life: as empresas do ramo começaram a associar-se a designers de moda. Em 1953 a American Optical colaborou com Claire McCardell, e três anos depois foi a vez de Elsa Schiaparelli. As receitas subiam exponencialmente e o estigma de usar óculos recuava ainda mais.
Em 1959, a morte precoce de Buddy Holly enterrava umas das mais lendárias armações do rock n’roll. Poucos anos depois, durante uma digressão com os The Beatles, Roy Orbison (que precisava de óculos graduados), esqueceu-se do seu par num avião e teve de usar uns Wayfarer, acabando por criar um dos looks mais icónicos da música moderna. Dos anos 60 chegam ainda as lentes coloridas e armações xl arredondadas de Janis Joplin (aka Teashade), ao melhor estilo flower power. E do final da década, o granny look de John Lennon e o boho glam de Diana Ross. Os ventos de liberdade da era moderna passavam pela estética biba, beatnick ou mod — e a diversidade máxima estendia-se a acessórios como os óculos escuros. Sem esquecer os míticos Browline de Malcolm X.
Para quem temia falhar, Jackie O era a referência infalível dessa era, em matéria de estilo, lembrava o LA Times em 1985, quando os óculos escuros se tornavam oficialmente ubíquos, usados pelas estrelas dentro de portas, a ver um jogo da NBA, ou com o sol escondido.
Em 1993, a atuar no Arkansas Blue Jean Bash, em vésperas da tomada de posse do presidente Bill Clinton © Getty Images
Fenómeno pop que bebia da inspiração de Rebelde Sem Causa, mas também de Holly, foi por essa altura que os óculos Wayfarer, ou tipo Wayfarer, a que Bob Dylan se associou nos 60’s, conheceram um novo boom, graças a filmes como The Blues Brothers, com John Belushi e Dan Aykroyd, Profissão de Risco, com Tom Cruise, Laços de Ternura, com Jack Nicholson, ou na série Miami Vice, com Don Johnson como Sonny Crockett. Já nos anos 90, os Cães Danados de Tarantino reinjetaram-lhes protagonismo (e ainda ao modelo Clubmaster). Depois de alguma acalmia, em 2003 a Ray-Ban lançou os New Wayfarer e quando o movimento hipster descolou, nos anos de 2010, com nomes como os Arctic Monkeys no topo das tabelas, o modelo voltou em força às ruas. Com rebites horizontais ou verticais, mais ou menos Caribbean, o estilo sobreviveu até aos nossos dias. Na internet, onde hoje sopram (quase) todos os ventos de mudança, abundam as oportunidades para um bom shopping. Intemporalidade é o que prometem as declinações contemporâneas do modelo que Bob tornou icónico, como uma versão da lohause, Shady Spex, ou Explicit Poets.