“Temos muita coisa para fazer, ao mesmo tempo estamos muito cansados”. Durante várias semanas que mais pareciam anos sem perder de vista, Ruben Amorim ia recebendo as críticas de uma onda de resultados que não invertiam o momento do Manchester United mas continuava esperançoso de que era possível inverter a realidade dos red devils. Com paciência, com trabalho em treino, com crença. Os obstáculos sucederam-se, a derrota com o Brighton em Old Trafford levou mesmo o técnico a falar da “pior equipa da história do clube” mas nem por isso houve um qualquer sinal de desistência. Mais de dois meses depois, algo de “diferente” acabou por acontecer, numa semana que coincidiu com a chegada de um reforços… para a forma de correr.

Harry Marra, um treinador de atletismo, foi escolhido pela estrutura do conjunto de Manchester para poder ajudar os jogadores como uma espécie de consultor especialista nos treinos de corrida (trabalhou com alguns antigos campeões olímpicos, além de ter estado nos San Francisco Giants da MLB), na parte de fitnesse e na mecânica física. Objetivo do experiente técnico de 78 anos? Ajudar a que os jogadores do United possam correr mais e melhor nos jogos, aumentando a tal intensidade que Amorim tem vindo a pedir aos atletas apesar das condicionantes criadas pelo calendário carregado. E, apesar da notória diferença de qualidade existente em relação ao Steaua, este acabou por ser um dos jogos mais conseguidos nesse aspeto.

“Sabíamos que esta seria uma aventura aliciante e muito difícil. Tínhamos noção do calendário, da falta de tempo e das dificuldades que iríamos encontrar. Não andamos perdidos, andamos frustrados, mas sabemos para onde ir. Fico muito contente com o apoio [dos adeptos] mas não tenho ilusões, sei que isto é uma modalidade de resultados. Os adeptos têm esperança e carência, o que nos dá muita força. Cabe-nos não estragar esta esperança. Neste clube, a passar tantas dificuldades, mas com este ambiente no estádio… É de outra cultura. A sensação de pressão real, noutros países, como Brasil e Portugal, é maior. Nesses países os jogadores quase nem conseguiriam sair à rua”, comentou o técnico numa entrevista à TNT Sports.

A deslocação a Bucareste tinha o condão não só de permitir ao Manchester United confirmar um dos lugares cimeiros na Liga Europa como atingir pela primeira vez em mais de dois meses três vitórias consecutivas, algo que os red devils ainda não tinham somado em 2024/25. Nem tudo era perfeito, com Amorim a falar de posicionamentos corretos mas falta de rotinas pela falta de treino após o triunfo com o Fulham que se seguiu ao sucesso em Old Trafford com o Rangers, nem tudo se tornou perfeito mas essa meta acabou por ser cumprida diante do Steaua, numa partida em que nem as alterações “abanaram” a equipa.

Com vários habituais titulares ausentes além da troca na baliza entre Bayindir e Onana, com Ruben Amorim a deixar Amad Diallo, Maguire, Ugarte ou Garnacho no banco para dar oportunidade a outros nomes como Malacia, Toby Collyer, Eriksen ou Mainoo, a primeira oportunidade até pertenceu aos romenos com Popescu (que se fosse pelo apelido era um dos melhores no centro da defesa na sua era mas que neste caso não é bem assim…) a desviar na área após livre lateral ao lado mas cedo os visitantes assumiram o comando de todas as operações, com movimentos ofensivos entre diagonais interessantes que colocaram por duas vezes Mainoo sozinho para marcar, com defesa de Tarnovanu na primeira e um remate por cima depois da assistência de Höjlund na segunda. Collyer também tentou o golo de fora mas o nulo manteve-se até ao intervalo.

Amorim sentia que a terceira vitória consecutiva não estava longe e quis mexer ainda mais nas coisas logo no recomeço, lançando Amad Diallo e Garnacho em campo. O argentino precisou de apenas dois minutos para ter uma oportunidade, com o bom trabalho de Höjlund a colocar o avançado isolado para o remate em jeito que bateu no poste. Não foi aí, não demorou muito. O Steaua ainda teve uma bola na trave em desvantagem por Birligea mas o futebol ofensivo do Manchester United acabou por fazer a diferença, com Diogo Dalot a inaugura o marcador na sequência de um lançamento lateral trabalhado com assistência de Mainoo (60′) e o mesmo Mainoo a concluir outra boa jogada com passe decisivo de Garnacho (68′). A vitória estava mais do que assegurada e até acabou por pecar por escassa face à qualidade que a confiança foi dando.