É o nome de que mais se fala nesta altura para uma candidatura liberal à Presidência da República e sente-se “honrada” por isso. A líder parlamentar da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, manteve o tabu por mais umas horas — está quase a ser conhecido o nome da figura que vai avançar para Belém — mas deixou críticas duras a hipotéticos rivais, como Henrique Gouveia e Melo e André Ventura.

Em entrevista ao Observador, durante a convenção do partido em Loures, começou que “os desafios na política são sempre muito interessantes” e que todas as oportunidades que a IL tenha para “devolver a esperança e a ambição às pessoas” são úteis, mas recusando sempre adiantar se será mesmo a candidata — até porque a IL tem “a vantagem de ter quadros fantásticos”.

Depois, questionada sobre um cenário (já previsto por uma sondagem) de uma segunda volta presidencial que opusesse Henrique Gouveia e Melo a André Ventura, Mariana Leitão respondeu que “dificilmente conseguiria votar nalgum dos dois”. E explicou: por um lado, “não sabemos exatamente o que pensa Gouveia e Melo. Esteve associado a um período em que por incompetência do Governo teve de agir”, assumindo um papel de organização logística. E foi mais longe, acusando o almirante de ter “usado o medo” para chegar aos objetivos que tinha na altura. “Disse que pretendia fazer uma moldagem psicológica do campo de batalha”, lembra.

Já André Ventura estaria “completamente excluído”. Sobre outros voos, Mariana Leitão não se alonga — nesta fase, e mesmo que para futuro não “exclua liminarmente” a hipótese, não “pensa” ou “ambiciona” em ser líder da IL. Mas deixa elogios a outro liberal que tem essa ambição assumida: “É uma pessoa muito competente e inteligente. Quando ele quiser tomará essa decisão e apresentar-se-á”.

A líder parlamentar da IL falou ainda sobre um dos maiores dilemas liberais neste momento — entrar ou não numa megacoligação em Lisboa ao lado de PSD e CDS — e, admitindo ter “alguma reserva” sobre a hipótese de os liberais se juntarem a Carlos Moedas, que não fez um “trabalho excecional”, deu um guião claro: o partido deve juntar-se ao resto da direita se se concretizar a frente de esquerda que vários partidos defendem para a Câmara Municipal de Lisboa; caso contrário, não deve juntar-se a uma frente eleitoral. “Seria o mais sensato a fazer”.

Quando ao PSD a nível nacional, reservas na mesma: Luís Montenegro anda a falhar as promessas que fez e, se mantiver o rumo, Leitão “espera” que a IL continue a virar-lhe as costas. “Se a AD quer contribuir para termos um país de diferente, tem de agir nesse sentido. O poder não pode ser a qualquer custo”.

A dirigente liberal foi ainda questionada sobre os apoios cada vez mais evidentes que existem no partido ao presidente da Argentina, Javier Milei, e foi cautelosa, frisando que a IL tem “muita noção” das diferenças entre Portugal e Argentina. “É óbvio que tem tido alguns resultados interessantes e algumas políticas com que concordamos”, mas os cenários “não são comparáveis”, notou.