Tiago Mayan Gonçalves foi expulso da Iniciativa Liberal depois de ter falsificado assinaturas na junta de freguesia onde presidia no Porto, o que levou à demissão da autarquia. A comissão julgadora do Conselho de Jurisdição da Iniciativa Liberal já concluiu o processo disciplinar de Tiago Mayan Gonçalves e deliberou pela sua “expulsão do partido”.
A decisão é o culminar de um processo em que fundador da Iniciativa Liberal, quando era presidente de junta de freguesia Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, reconheceu que falsificou assinaturas — o que levou a que se demitiu-se da junta. Consequentemente, Mayan Gonçalves deixou de ser o candidato da oposição contra Rui Rocha, na Convenção em que o líder liberal renovou o mandato.
Mayan queixa-se de divulgação de decisão que “supostamente seria secreta”
Após o anúncio oficial da decisão por parte do partido, Mayan Gonçalves assegura ao Observador que o processo ainda está em andamento. “Não posso comentar um processo que ainda está em curso nos órgãos internos e não consigo compreender como um processo de natureza confidencial é revelado antes que termine”, referiu o liberal.
Em comunicado enviado às redações horas depois da notícia de que foi expulso da IL, Mayan Gonçalves recorda que o regulamento disciplinar da Iniciativa Liberal refere que “o processo disciplinar tem natureza secreta até que transite a sua decisão”. Assim, nota que “na presente data, 5 de fevereiro de 2025, após notificação da decisão (que supostamente seria secreta) pela Comissão Julgadora, permanece em curso o prazo para recurso para o plenário do Conselho de Jurisdição do partido, consagrado pelo referido diploma, bem como, esgotada esta via, decorrerá ainda o prazo para impugnação judicial da decisão que porventura seja proferida”.
Perante isto, Mayan Gonçalves considera que “não se concebe e prontamente se denuncia a postura assumida pelo partido na publicitação da decisão adotada em primeira instância, atento o sigilo adstrito e que olvidou de respeitar, principalmente quando se sabe, e não se pode desconhecer, que a decisão anterior é, por natureza, provisória”.
O fundador do partido tem a “intenção” de prosseguir com “as diligências adequadas perante instâncias, internas ou externas, com legitimidade para decidir” e faz acusações por ter sido “mediaticamente perpetrada” aquilo a que chama uma “composição da narrativa única” que tinha como “objetivo já previamente definido” afastá-lo do partido, “custe o que custar”.
Na mesma nota, Mayan Gonçalves acusou: “Afigura-se plausível inferir que a apresentação da minha defesa terá assumido um carácter meramente formal, constituindo tão-somente uma etapa processual a que o partido se encontra estatutariamente vinculado, transparecendo que, quer a decisão, quer o procedimento, já estariam definidos à partida.”
“Ante o exposto, vejo-me compelido a concluir que os argumentos aduzidos em sede de defesa não terão sido objeto de uma ponderação substancial, estando o desfecho já predeterminado, em conformidade com as intenções publicamente anunciadas por representantes da estrutura partidária”, defende o ex-presidente de junta.
Tiago Mayan repensa candidatura à IL após demissão da presidência de junta por falsificar documento
Recorde-se que foi o próprio Mayan Gonçalves que assumiu a falsificação de assinaturas. Na ata da reunião da junta de freguesia a que o Observador teve acesso na altura, datada de 4 de novembro, a pedido do júri do Fundo do Apoio Associativo, que tinha notado irregularidades, foi referida a existência de “um documento falso com assinaturas apostas por outra pessoa”. “Nesta reunião, sendo confrontado com o referido documento, foi solicitado o esclarecimento, tendo o presidente da UF [União de Freguesias] confirmado que foi ele que elaborou o documento e colocou as assinaturas, atribuindo a si próprio tal responsabilidade, isentando de qualquer culpa todos os restantes membros do seu executivo e colaboradores”, pode ler-se no documento. O caso levou à demissão da autarquia e, consequentemente, à desistência de uma candidatura para defrontar Rui Rocha.
Já depois de deixar de ser o candidato do Unidos pelo Liberalismo à liderança da IL, Tiago Mayan Gonçalves ainda se inscreveu para marcar presença na Convenção do partido, que decorreu no primeiro fim de semana de fevereiro — primeiro de forma presencial, depois mudando para o formato online. Se marcou de facto presença acabou por não intervir em nenhum dos pontos que a reunião magna discutiu.
[Notícia atualizada às 15h45 do dia 5 de fevereiro, dando nota do comunicado de Tiago Mayan Gonçalves]