André Ventura garante que o Chega tem uma “posição inflexível” contra o crime, sem “dois critérios”. “Não podemos dizer que há castração química para uns e não para outros. Quem é abusador de menores deve ser castrado”, referiu aos jornalistas na Assembleia da República no dia em que um deputado municipal, Nuno Pardal, foi acusado de dois crimes de prostituição de menores.

“O Chega não pode ter uma cara para dentro e uma para fora”, afirma, reconhecendo que está chocado com o caso e apontando que “o case é grave” e toca numa das bandeiras fundamentais do Chega, que diz ter “tolerância zero com o crime”. “Defendi há cinco anos e defendo hoje que quem é pedófilo deve ser castrado quimicamente, seja meu pai, meu irmão, meu amigo, meu tio, meu colega de infância. Esta é a diferença”, sublinha.

“Há momentos da história em que temos de mostrar a massa de líderes de que somos feitos. Houve outros que protegeram Paulo Pedroso, Ferro Rodrigues e casos parecidos, eu não sou assim, vou exigir consequências desde o primeiro momento”, garantiu, salientando que “um líder não escolhe os casos, mas escolhe a reação aquilo que acontece” — e comparando com o caso de Miguel Albuquerque, que Luís Montenegro “mantém à frente da candidatura à Madeira”.

[Terapia de Casal é o podcast que pode acabar com o casamento do Guilherme Fonseca e da Rita da Nova. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível nas plataformas de podcast.]

O presidente do Chega refere que pediu que o deputado municipal e dirigente renunciasse a todos os mandatos — algo que Nuno Pardal já tinha feito.

Diz ainda que é um “caso suficientemente grave para que haja um procedimento interno” que avalie a situação no Conselho de Jurisdição do Chega, apontando ainda que as pessoas em causa, tanto Nuno Pardal como Miguel Arruda, não tinham cadastro nem nenhum elemento criminal.

“Obrigado porque cada vez que PJ, MP, PSP e GNR lançam ações de escrutínio sobre os políticos estão a fazer o que queremos fazer à classe política toda. E o Chega não é exceção. Se há que fazer limpeza em todos, faremos em todos, não quero um critério diferente para o Chega”, realça, frisando que noutros casos PS e PSD “atacaram a justiça” e sugerindo que é diferente: “Obrigado, justiça! Obrigado por fazerem o trabalho, doa a quem doer.”

Nuno Pardal, o deputado municipal do Chega em Lisboa que está acusado pelo Ministério Público de dois crimes de prostituição de menores agravada, renunciou ao mandato na Assembleia Municipal, ao lugar de vice-presidente da distrital de Lisboa e de conselheiro nacional. Em declarações ao Observador, Nuno Pardal disse que está focado em “provar a inocência”, mas devido à situação “muito delicada”, pessoal e politicamente, decidiu renunciar ao mandato.

Deputado municipal do Chega acusado de prostituição de menores renuncia ao mandato