Tudo podia ter sido diferente. Podia ter sido diferente se Maxi Araújo não tivesse acertado na trave. Podia ter sido diferente se um dos vários remates de meia distância encontrasse um destino diferente. Podia ter sido diferente se os passes no último terço tivessem entrado de outra forma. Podia ter sido diferente, sobretudo, se a diferença entre primeira e segunda partes não voltasse a ser tão grande a ponto de “bastar” haver um B. Dortmund mais pressionante, mais móvel e mais rápido para tomar conta do jogo e chegar de forma natural a um triunfo por 3-0 que poderia até conhecer outros números. Também aqui, podia ter sido diferente.

Os 45 minutos que mostram estar na hora de fazer uma reflexão (a crónica do Sporting-B. Dortmund)

Após uma entrada demolidora na Liga dos Campeões com três vitórias e um empate quando Ruben Amorim estava no comando técnico, o que deixou os leões de forma consolidada no top 8 da competição, o Sporting desceu do céu ao inferno em termos europeus averbando o quinto encontro consecutivo sem vitórias com quatro derrotas à mistura (a exceção foi a igualdade com o Bolonha, que carimbou o acesso ao playoff da competição). Em paralelo, os leões confirmaram também aquilo que começa a ser uma (má) regra contra adversários alemães: em 16 encontros em casa contra germânicos, perderam metade dos duelos (oito).

Nem mesmo a parte ofensiva serviu para atenuar o naufrágio. Pela primeira vez nesta edição da Champions, o Sporting terminou um jogo em branco. Pela primeira vez desde que Rui Borges assumiu o comando técnico da equipa, o Sporting terminou um jogo em branco. Em paralelo, e pela primeira vez nos últimos 14 jogos, o irregular B. Dortmund conseguiu chegar ao fim dos 90 minutos sem consentir qualquer golo.

“Fizemos uma grande primeira parte, por tudo… Fomos muito competentes e merecíamos sair a ganhar. Na segunda parte fomos muito reativos. Sofremos golo numa fase em que o jogo estava equilibrado. Acabámos por sofrer num momento em que até nem estamos desequilibrados. Depois do 1-0 fomos abaixo em termos anímicos. Sentiu-se o défice físico. Entrámos na fase do jogo em que só reagimos depois das coisas acontecerem. Fomos pouco proativos, perdemos equilíbrio e acabámos por sair com um resultado injusto. Nestes jogos precisamos de estar a 200%, nós nem a 100% estamos”, admitiu Rui Borges após o encontro.

“Défice físico? É o que é. Não estou a dizer isto para me desculpar. Temos que ser mais competentes e melhorar em algumas coisas mas há coisas que são claras. Basta olhar para o jogo e vemos que os jogadores não estão como queremos. Estamos a ganhar minutos com alguns jogadores… É o que é. Não serve de desculpa porque fomos capazes na primeira parte”, acrescentou ainda na zona de entrevistas rápidas da SportTV, antes de abordar de forma direta a situação de Viktor Gyökeres mas sem nunca explicar a lesão.

“Entrou em campo para conseguirmos dar algum tempo ao Viktor porque é importante, precisamos dele na melhor forma. Dá um ânimo diferente pelo impacto que tem, o Morita igual. São decisões que temos que temos tomar. Tentamos fazer o melhor. Secretismo sobre a lesão? Não há secretismo nenhum. Não sou médico, não temos que estar a especificar. Tem fadiga, teve um problema e está em recuperação. Aceito que a malta se preocupe mais porque é diferenciado mas não temos que estar sempre… É mais um. O futebol é isto. Estou feliz por tê-lo novamente com a equipa e precisa desse tempo para ficar melhor”, referiu.

“Prioridade ao Campeonato? Não, agora é apostar as fichas no próximo jogo com o Arouca e fazer tudo para ganhar, que vamos ganhá-lo certamente. É o nosso foco. Depois pensamos no jogo de lá. Independentemente do 3-0, vamos lá disputar o jogo. Representamos um grande clube”, concluiu Rui Borges.