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Depois de se reunir com o primeiro-ministro da Autoridade Palestiniana e com o Presidente de Israel, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, prestou algumas declarações à imprensa, destacando que é necessário assegurar que o cessar-fogo se mantém, defendendo a soluções de dois Estados e evitando comentar as declarações de Trump.

“Houve um apelo enorme [por parte da AP] a que se continue com o cessar-fogo, que é essencial, porque é a única via para uma segunda e terceira fase de negociações, que leve à estabilização da região e à sua reconstrução”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Admitindo ter ficado “muito impressionado com as palavras de esperança” do líder da AP, Mohammad Mustafa, Rangel reconheceu que “a União Europeia pode ter um papel muito relevante no domínio da assistência financeira que possa dotar a AP dos instrumentos para ser um agente de estabilidade e paz”.

O governante português disse ter sentido “a preocupação” do líder palestiniano relativamente ao cessar-fogo, que tem estado em vias de cair por terra. Portugal tem assumido “sistematicamente” a posição “de manter o cessar-fogo, criando condições para abrirmos caminho para as soluções dos dois Estados, o que implica a reconstrução de Gaza”, lembrou.

Evitando depois responder a qualquer questão relacionada sobre as declarações de Donald Trump (que exigiu a libertação de todos os israelitas feitos reféns pelo Hamas até sábado), Rangel destacou que “é fundamental que o acordo seja cumprido” e se garanta a libertação dos reféns.

“Julgo que houve uma precipitação do Hamas” quando disse que Israel violou o cessar-fogo, até porque há questões que “não podem ser cumpridas no prazo imediato”, como as tendas, exemplificou.

“O que estamos a fazer enquanto Governo de Portugal é garantir que o acordo de cessar-fogo será cumprido. É extremamente frágil, mas ainda estamos a tempo. Sábado será um dia marcante, há tempo para fazer contactos internacionais, fazer um apelo às partes e fazer pressão e, com isso, ganhar a alavanca necessária, que é ter o cessar-fogo a funcionar”, rematou.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros, Portugal tem a “obrigação política e moral” de assegurar que o cessar-fogo se mantém. “Temos de prosseguir com esta posição moderada, com capacidade de dialogar com as duas partes, sem nos distrairmos com comentários fora daquilo que e a responsabilidade política”, terminou.