São o dobro do previsto e vão ser libertados já este sábado, dia 22 de fevereiro. Tal Shoham, Omer Wenkert, Omer Shem Tov, Eliya Cohen, Abera Mengistu e Hisham Al-Sayed são os seis reféns que vão, por fim, sair da Faixa de Gaza, num acordo entre as autoridades israelitas e o Hamas, que inclui ainda a entrega de quatro corpos. Dois dos reféns são israelitas detidos há mais de uma década.

Levados do festival Supernova, que decorria perto do kibutz de Re’im, a 7 de outubro, Eliya Cohen, Omer Wenkert e Omer Shem Tov deverão agora regressar a casa mais de um ano e quatro meses depois. Eliya Cohen, na altura com 26 anos, estava no festival de música com a companheira, o seu sobrinho e respetiva namorada — ambos mortos mais tarde — quando o Hamas começou o ataque. Fugiram para o carro e procuraram refugio perto do kibutz de Re’im até que o grupo islamita começou a lançar granadas, fazendo Cohen e mais duas pessoas reféns. A sua namorada, Ziv Abud, sobreviveu, escondendo-se debaixo dos corpos. Cohen sofre de epilepsia e, de acordo com a sua mãe, Sigi, está ferido na perna e não recebeu cuidados médicos adequados.

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Com 22 anos quando foi raptado, Omer Wenkert estava no festival com um amigo — igualmente morto mais tarde — quando o ataque começou e esteve sempre em contacto com os pais, por telemóvel, até lhes enviar uma última mensagem a atualizar que estava escondido temporariamente num abrigo. Depois disso, a família de Wenkert só voltou a saber do seu paradeiro quando encontrou no Telegram uma conta do Hamas com vídeos do jovem a entrar na Faixa de Gaza. Seguia num camião, com os pés e as mãos atadas, apenas de roupa interior, mas com vida. Segundo o Haaretz, os pais de Wenkert estão preocupados com o agravamento do seu estado de saúde uma vez que o jovem sofre de colite, uma doença que requer cuidados médicos regularmente e que piora em situações de grande pressão.

Filho de pai com passaporte português, Omer Shem Tov foi também raptado no Supernova, festival onde foi com os amigos. Ao Diário de Notícias, o irmão, Amit, recorda como nessa manhã de sábado acordou ao som das bombas e dos alarmes e telefonou a Omer, pedindo-lhe que regressasse a casa. Omer já estaria caminho. Mais tarde, quando a família voltou a ligar-lhe, a situação tinha-se complicado: “O meu irmão dizia que ouvia tiros e gritos em árabe e que, junto com dois amigos, tinham chegado ao carro, mas não conseguiam sair, porque havia um engarrafamento”.

Decidiram por isso fugir a pé e ligar a um amigo, que já tinha conseguido fugir do festival, para pedir que voltasse para trás e os fosse buscar. “Ele disse que o amigo o tinha ido buscar e enviou-nos a localização dele ao vivo, para seguirmos. Foi a última vez que falámos com ele. Entretanto, vimos que o carro estava a ir em direção a Gaza.” Nessa tarde, foi divulgado pelo Hamas um vídeo de Omer nas traseiras de uma carrinha. De rosto desfocado, e de mãos presas atrás das costas, a família só o reconheceu pela roupa que levava e pelas tatuagens. O jovem, agora com 22 anos, sofre de doença celíaca e asma.

Tal Shoham, 40 anos, e a sua família foram feitos reféns pelo Hamas a 7 de outubro quando visitavam familiares no kibutz de Re’im. Na altura do ataque, Tal e a mulher, Adi, refugiaram-se dentro de uma sala juntamente com os seus gilhos, Yahel e Nave, uma tia, uma sobrinha e os avós, Avshalom e Shoshan Haran. Foi quando o Hamas começou a disparar que Tal decidiu começar a negociar, fazendo com que os membros do grupo se rendessem. No entanto, Avshalom foi morto e os restantes foram levados para Gaza. Nas primeiras trocas de reféns, em janeiro de 2024, a família de Tal foi libertada, ficando para trás o homem que regressará a casa este sábado.

[No podcast “Pequenas Reivindicações de Liberdade“, a paciência da pessoa convidada é sempre posta à prova e nada a impede de abandonar o estúdio — mas o que está dito, está dito. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]

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Os últimos dois homens a ser libertados não foram raptados no ataque de 7 de outubro. O primeiro, AberaMengistu — agora com 38 anos —, é o refém israelita vivo há mais tempo na Faixa de Gaza. De acordo com o Haaretz, que cita a família, Mengistu foi capturado em 2014 depois de ter passado uma barreira de segurança e entrado na Faixa de Gaza. Na altura, não foi impedido pelas IDF. Num estado de instabilidade mental, o judeu israelita de ascendência etíope foi interrogado pelo Hamas e feito refém.

Ao longo de dez anos, a sua família tem enfrentado oposição na sua campanha de libertação. Em 2015, o coordenador do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, para os reféns e pessoas desaparecidas terá ameaçado a família para que não criticasse o governo, dizendo que “qualquer pessoa que ligue Abera à história entre a comunidade etíope e o Estado de Israel, deixá-lo-á [em cativeiro durante] mais um ano em Gaza”. Em janeiro de 2023, o Hamas publicou um vídeo de Mengistu e as autoridades israelitas verificaram que continuava vivo. Um ano depois, em janeiro de 2024, no meio de notícias sobre um acordo de reféns com o Hamas, o seu nome foi incluído numa lista de reféns a libertar na primeira fase do acordo. O mesmo aconteceu com Hisham Al-Sayed.

É o segundo refém israelita vivo há mais tempo no enclave e foi visto pela última vez num vídeo partilhado pelo Hamas, em 2022, onde estava ligado a um ventilador. Segundo o Haaretz, o homem, agora com 37 anos, sofre de esquizofrenia. Inicialmente classificado como desaparecido, foi em 2015 que foi feito refém. Regressará agora a casa, 3.595 dias depois. “A notícia do seu esperado retorno traz alegria, mas esta não estará completa até que todos os reféns retornem para casa”, afirmou a família em comunicado.

Para além dos seis reféns, o Hamas anunciou esta terça-feira que, no âmbito do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, vai entregar na quinta-feira a Israel os corpos de quatro reféns, incluindo os de Shiri Bibas, de nacionalidade argentina, e dos seus dois filhos, Ariel e Kfir, de 5 e 2 anos.

Kfir foi o refém mais jovem raptado em 7 de outubro, quando tinha apenas 9 meses de idade, no kibutz Nir Oz, a apenas 1,5 quilómetros da fronteira de Gaza. Em novembro de 2023, o braço armado do Hamas afirmou que os três tinham sido mortos em bombardeamentos israelitas na Faixa de Gaza, o que Israel não pôde confirmar.

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