O Hamas entregou esta quinta-feira à Cruz Vermelha os restos mortais de quatro reféns israelitas, em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, depois de exporem os caixões numa curta cerimónia transmitida em direto pelo canal de televisão Al Jazeera e divulgadas por outros canais internacionais, como a CNN ou a SIC Notícias. As imagens não passaram na televisão israelita.

Os militantes do grupo islamita palestiniano Hamas fizeram-se acompanhar de combatentes da Jihad Islâmica e das Brigadas Mujahideen. O momento da entrega, que reuniu milhares de pessoas, reporta a Aljazeera, arrancou com a assinatura de documentos por parte de um elemento da Cruz Vermelha e um combatente do Hamas, de cara tapada. Os corpos foram entregues pelo Hamas à Cruz Vermelha, que depois os entregaria às Forças de Defesa de Israel.

Antes da entrega dos restos mortais, o Hamas exibiu num palco os quatro caixões. Cada um dos caixões exibia uma fotografia do refém. Atrás, numa faixa, lia-se a mensagem: “O criminoso de guerra [Benjamin] Netanyahu e o seu exército nazi mataram-nos com mísseis de aviões sionistas”. A frase estava escrita em três línguas: árabe, hebraico e inglês, para que a informação chegasse à comunidade internacional. No palco, um cartaz mostrava uma fotografia de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, com dentes de Drácula e sangue.

Nos caixões, segundo o Hamas, estavam os restos mortais de Ariel e Kfir Bibas, que tinham 4 anos e 9 meses, respetivamente, no dia em que foram raptados durante o ataque do Hamas a Israel de 7 de outubro de 2023. Estavam ainda os restos mortais da mãe das duas crianças, Shriri Bibas, e do ativista Oded Lifshitz, de 84 anos. Ao início da madrugada, Israel emitiu um comunicado garantindo que os testes realizadosn não comprovam que corpo de Shiri tenha sido entregue pelo Hamas. “Durante o processo de identificação, verificou-se que o corpo adicional recebido não era o de Shiri Bibas, e não foi encontrada qualquer correspondência com qualquer outra pessoa raptada. Trata-se de um corpo anónimo sem identificação”, afirmam as IDF no X.

“Trata-se de uma violação muito grave por parte da organização terrorista Hamas, que é obrigada pelo acordo a devolver quatro raptados mortos. Exigimos que o Hamas devolva Shiri a casa, juntamente com todos os nossos raptados”, lê-se ainda no comunicado.

Lifshitz era um ativista pela paz que transportava residentes de Gaza que sofriam de cancro para hospitais israelitas, tendo sido raptado juntamente com a mulher durante o ataque de 7 de outubro — tal como a família Bibas de origem peruana e argentina — do kibutz Nir Oz, muito próximo da fronteira com o enclave palestiniano.

[António Raminhos, Luís Filipe Borges e Marco Horácio são três “Homens de Uma Certa Idade” a discutir a vida “de forma sincera”. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]

A mulher de Lifshitz, Yocheved, foi libertada durante a primeira trégua na guerra, em novembro de 2023, quando 105 reféns (incluindo todos os menores vivos) foram libertados em troca de 240 prisioneiros e detidos palestinianos. O pai das crianças da família Bibas, Yarden, só foi libertado no passado dia 1 de fevereiro, durante uma troca por prisioneiros palestinianos, após 16 meses de cativeiro.

epa11909057 People gather at Hostages Square ahead of the release of the bodies of four Israeli hostages held in Gaza, in Tel Aviv, Israel, 20 February 2025. Hamas is set to hand over the bodies of four Israeli captives on 20 February, as part of the ongoing ceasefire deal between Israel and Hamas. Six more living hostages are expected to be released on 22 February. EPA/ABIR SULTAN ABIR SULTAN/EPA

A 29 de novembro de 2023, o braço armado do Hamas anunciou que a mãe das crianças, Shiri, e os seus dois filhos tinham sido mortos num bombardeamento israelita dias antes, o que Israel não confirmou.

Entretanto, o exército israelita diz já ter recebido os restos mortais dos reféns. Os corpos serão levados para o instituto forense nacional de Israel para serem identificados, um processo que poderá demorar algumas horas ou mesmo alguns dias, escreve o diário britânico The Guardian.

Para sábado, está prevista a libertação dos últimos seis reféns israelitas vivos contemplados na primeira fase da trégua em Gaza.

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