A famosa pista alemã de Nürburgring tem um passado honroso no mundo da competição e é isso que justifica que tenha sido visitada nos últimos anos por mais de 2 milhões de adeptos, desejosos de sentir o prazer (e o desafio) de rodar no circuito que já colocou à prova alguns dos maiores campeões do passado. Este mesmo traçado ia custando a vida a Niki Lauda naquele quase fatídico 1 de Agosto de 1976 quando, depois de se despistar, o piloto austríaco ficou cerca de um minuto dentro do seu Ferrari 312T engolido pelas chamas, à espera de uma assistência que tardou em chegar. Mas a partir de agora, apenas os carros vão poder rodar no Nürburgring, nas denominadas “voltas para turistas”, uma vez que o circuito baniu a possibilidade de as motos partilharem a pista com modelos de quatro rodas nestes períodos abertos ao público.

A pista germânica, provavelmente uma das mais famosas (e difíceis) do mundo, com 20,832 km de perímetro e 156 curvas, recebeu provas internacionais antes e depois da II Grande Guerra, tendo acolhido corridas do Mundial de F1 de forma intermitente entre 1951 e 2013. O reputado piloto Jackie Stewart descreveu-a como “Inferno Verde”, por ser difícil, perigosa, muito exigente e localizada no meio da floresta de Eifel. Considerado demasiado perigoso para receber provas de F1, o circuito de Nürburgring tem sido palco, mais recentemente, de provas de resistência e dos campeonatos alemães de velocidade.

O Inferno Verde está disponível para qualquer condutor tentar bater seu o melhor tempo por volta ou apenas para se deliciar com um traçado cheio de história, independentemente da sua nacionalidade e mesmo que seja recém-encartado. O problema é que se há quem percorra as 156 curvas e os 20,8 km ao volante de furgões comerciais, não falta quem recorra a alguns dos melhores superdesportivos do mercado e quando um Ferrari ou um Lamborghini encontra um furgão tipo Ford Transit numa zona de travagem, ou a meio de uma curva, um acidente é fácil de acontecer.

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Mas o que levou os responsáveis da pista alemã a impedir as motos de partilharem o traçado com os carros foi o elevado número de acidentes, com muitos feridos e alguns mortos decorrentes do facto de rodarem em conjunto e fazerem corridas entre si, alimentadas pela eterna disputa entre os amantes das duas e das quatro rodas. A organização proibiu o acesso das motos à pista de 20,8 km, mas abriu a porta para os motards usufruírem do prazer de rodar em circuito e medirem forças no traçado denominado “Grande Prémio”, que acolheu as mais recentes corridas de F1 e que possui 15 curvas ao longo dos seus 5,14 km.