A segunda etapa — a primeira a valer — da Volta ao Algarve originou várias diferenças na classificação geral. A subida à Fóia, por uma vertente diferente da dos outros anos acabou por ser melhor do que o esperado, que o diga a UAE Team Emirates-XRG. Jan Christen atacou no início da subida e conseguiu ser o mais rápido a chegar ao ponto mais alto do Algarve, seguido do companheiro João Almeida que, depois de um grande ataque a cerca de 500 metros da meta, deixou para trás Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) e Primoz Roglic (Red Bull-Bora-hansgrohe) e chegou ao lado do suíço, numa exibição de força da Emirates, que colocou ainda António Morgado no top 5.

A Emirates ganhou asas no alto da Fóia: Christen vence segunda etapa da Volta ao Algarve ao lado de Almeida (que ganhou tempo a todos)

“Estou a sentir-me super bem, estou muito feliz com a minha vitória de hoje e muito grato aos meus colegas de equipa, sobretudo ao António Morgado e ao João Almeida, que me protegeram nos últimos 10 quilómetros. Não seria possível sem esta equipa. [Almeida e Morgado] penso que estão super felizes por mim, somos bons companheiros de equipa. Ficamos contentes uns pelos outros. O António conseguiu uma vitória de loucos na Clássica da Figueira e, agora, eu aqui. Penso que também puxamos uns pelos outros, é o que torna a nossa equipa tão forte. Não penso muito na geral. Esta vitória de hoje significa muito para mim, com estes tipos no pelotão. Retira muita pressão dos meus ombros. Com o João atrás de mim na geral, é a melhor situação para nós. Não sinto qualquer pressão”, referiu Christen no final.

“Acho que a subida foi boa, não era assim tão dura. Fizemos uma boa performance, a equipa esteve toda muito bem. Cumprimos com o objetivo. O plano era entrar bem colocado na Pomba. Esse era o ponto crítico da última subida, depois é um bocadinho cada um por si, porque é a subir. Conseguimos meter o Jan Christen num grupo e não tivemos de trabalhar atrás. Acho que estivemos bastante bem. Senti-me bem. Ataquei só no final quando percebi que o Jan já tinha a vitória no bolso, por respeito. Tenho um colega de equipa na frente, simplesmente não posso levar os adversários atrás. Ele merecia a vitória e decidi não passá-lo na meta. Estou contente com a minha prestação. Discutir a Volta? Sem dúvida. Estou numa boa posição. Se não houver nenhum azar, será o Malhão que vai decidir a corrida”, analisou o Bota Lume.

A terceira etapa ligou Vila Real de Santo António a Tavira, numa etapa com algumas subidas, mas em que se esperava nova chegada ao sprint, desta vez a valer, e em que Iúri Leitão (Caja Rural-Seguros RGA) e Rui Oliveira (Emirates) teriam a primeira oportunidade para brilhar. Foram dez os corredores que entraram na fuga do dia, praticamente todos portugueses e de formações do pelotão nacional: Calum Johnston (Caja Rural), Gonçalo Oliveira (Anicolor-Tien 21), Bruno Silva (Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua), Joaquim Silva (Efapel), Ivo Pinheiro (Feirense-Beeceler), Carlos Salgueiro (APHotels & Resorts-Tavira-Farense), Noah Campos e André Ribeiro (Gi Group Holding-Simoldes-UDO), João Oliveira (Credibom-LA Alumínios-Marcos Car) e César Fonte (Rádio Popular-Paredes-Boavista).

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Os fugitivos acabaram por ser alcançados a 54 quilómetros da chegada, numa altura em que a Avilude-Louletano-Loulé assumiu a dianteira do pelotão, com vista a chegar à liderança da classificação da montanha por German Tivani, algo que acabou por acontecer na subida de Faz Fato, onde o argentino foi o primeiro a passar. A 23 quilómetros da meta, já depois de Mathias Vacek (Lidl-Trek) ter ganhado a meta volante, Romain Bardet (Picnic PostNL) caiu com o companheiro Romain Combaud, ficou bastante combalido e abandonou a corrida. No final, Iúri Leitão acabou por ser um dos azarados que caiu na penúltima viragem e ficou fora da discussão da vitória, assim como Rui Oliveira, que foi “trancado” por Alberto Dainese (Tudor), que viria a perder para Jordi Meeus. O belga da Red Bull somou a primeira vitória em 2025.

Curiosamente, Meeus tinha sido o mais rápido na estreia, em Lagos, apesar de ter ido pelo lado de fora da estrada. Na geral as contas mantiveram-se intactas, pelo que Christen chega à penúltima etapa na liderança, com mais quatro segundos do que Almeida e 13 de vantagem para Laurens De Plus (Ineos Grenadiers). Com o abandono de Bardet, Morgado subiu ao quarto posto, a 20 segundos do companheiro.